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Oct
25
2010

O Hotel

Escritor: E.U Atmard

Olho para o chão. Não, não há absolutamente nada lá. O lado. Também não. Nada em cima, nada de lado, absolutamente ninguém me está a olhar. Não há nenhum problema. Então começo a escrever no meu pequeno diário:
“As torres estão condenadas a cair.”
Paro olhando para o que acabava de escrever. Ninguém podia ler uma coisa daquelas, ninguém iria compreender absolutamente nada. Porque escrevia o que escrevia, o que estava a fazer, oh, eles iriam destruir-me se soubessem que eu pensava, eles iriam matar-me se soubessem que eu sou diferente. Continuei lentamente.

“As torres estão condenadas a cair. O tempo e a erosão tomam-nas com toda a sua força, e estas não suportam as bases frágeis que lhes apresentam, e caiem. Imagino um mundo em que as torres não caiem. Aí, as torres são seres flutuantes, e a sua eterna suspensão permite que o mundo se erga e abane, permite que a erosão faça o que quer com a torre, não faz mal, ela não cairá. Mas neste mundo, a mais alta torre tem sempre o seu lugar no chão, esperando-a. O tempo destrói as torres, e erige outras no seu lugar, sempre maiores…”
Parei. Não conseguia continuar. Custava demasiado escrever o escrevia, tinha medo que alguém visse, tinha medo que eles o vissem. Tinha medo que eles percebessem que eu já não era um servente do seu hotel, eu não podia permitir que eles entendessem que eu já tinha a vida de volta. Como eu desejava ser um deles. Apenas mais um que não é capaz de pensar sem que a morte o assalte rapidamente. Eu era apenas um pobre que não era capaz de resolver qual coisa, incapaz de meditar. Apenas via as coisas de uma maneira melhor ainda que aqueles que me renegaram por eu não amar o seu precioso líder. Ouvia-os dizer o seu nome oco brilhando sobre um pano verde de metal, não ligava, não era preciso. Tudo o que eu fazia era julgar todos os que via, todos os que não eram capazes de me criticar de volta. É um sentimento tão poderoso, quase divino, o saber que as suas almas ocas não poderão jamais responder pois as suas mente não estão feitas para isso. Escrevo mais um pouco, lentamente.
“.., sempre maiores, sempre crescendo com uma proporção desmedida. Lentamente a torre que estava prestes a cair nada tem que temer pois todas as outras se erigem à sua volta, segurando-a, devorando-a, sugando-lhe toda a luz que um dia lhe pertencera unicamente a ela. As torres estão programadas para crescerem sempre mais, até atingirem o seu tamanho maior e mais poderoso de todos. Tudo o que se encontra é um mundo de escuridão que lança mais e mais a podridão para a podridão. Sim, as torres são assim.”
Parei, e uma lágrima escorreu-me pelo olho. A tristeza invadia-me, e tomava conta de todo o meu corpo, algo que eu não podia permitir que eles notassem, eles jamais podem perceber seja o que for.

Oh! Sê bem vindo ao Bendito hotel, sê bem vindo à minha moradia. Entra, sente o pútrido cheiro a fel, melhor ainda, tudo para ti. Olha como tudo à tua volta ri, vê como tudo se sente nesta minha abadia. Vivemos a nossa vida neste hotel, numa casa que ardia, nesta dor tão sensível. Tudo o que já vivi, num bom hotel que sorri. Toda a perdição a que se rendia, tudo isso são mentiras. O hotel ama-te, quer-te a não ser que outro preferias. Vê este hotel já tão decadente, que toma a tua alma e a põe dormente.

Eu ri com o meu olhar, e fitei o ar. Já não era o tempo de escrever mais nada daquela meditação triste. Tinha de ir para a rua, divertir-me como era obrigatório. Saí do bar deserto, e entrei numa pista de dança deserta, onde me sentei num dos altos bancos e pedi uma bebida com um nome impronunciável e extremamente forte. Ali estava seguro, entre pessoas que não sabiam quem eu era, nem queriam saber. Não podia escrever mas podia divagar, não podia criar mas podia imaginar. Era um bom dia. Ali as pessoas que traziam as bebidas conheciam pelo nome os dançarinos, e por um momento eu desejei ser um desses, ser parte de algo. O desejo de pertencer a algo é algo que toda a gente tem, de uma maneira ou de outra. E eu tinha-o, ou como o tinha, imaginava já os bartenders a chegarem à minha mesa e perguntarem-me pela família, sorrirem cordialmente e quererem ouvir o que eu tinha para dizer. Pois o papel não é a voz, e apenas a voz pode mostrar o verdadeiro significado, e um bartender a perguntar pela família é uma verdade e um desejo que ninguém mais perceberia.
Eu olho para o lado e vi uma senhora que tentava abrir uma garrafa com as mãos fracas e estragadas. Podia oferecer-me para ajudar, talvez meter conversa e tentar que a senhora se interessasse por quem eu era. Mas de que me ajudaria? As torres deixariam de cair, os homens deixariam de morrer, a fraqueza e inutilidade da senhora seria menor se eu tivesse feito o seu trabalho por ela? Eles não poderiam perceber que eu era egoísta. Simplesmente não podiam. Ninguém proibia o egoísmo, mas longe do que qualquer homem pode chegar eu percebi que o egoísmo era um erro criado pelos homens. Eu era detentor de um erro, escritor de um erro, desejava um erro. A senhora continuou na sua inutilidade a tentar abrir a garrafa, fazendo uma força que seria totalmente despropositada se ela não fosse senhora.
E outra lágrima escorreu pelo meu olho, com grande tristeza, enquanto eles passavam as músicas muito antigas e eu dançava com uma mulher mulata que entrara pouco depois de a primeira ter saído, completamente indignidade de não conseguir tomar da sua comida num enlatado. Eu não podia permitir que eles o vissem, é a tristeza que esconde todos os outros sentimentos. Ela é a mais negra porta entre tudo o que sente. Se uma pessoa sente tristeza, sente-se todos os outros sentimentos, eles irrompem como os grandiosos ventos de outrora, quebrando os portões de Tróia. Imagino-me como um poderoso mago que comanda as forças poderosas a entrarem por Tróia, gritando as forças e vendo os ventos a destruírem tudo. Bóreas, Notus, Eurus, Zéfir, tomando as minhas costas como seu assento e raspando a sociedade que me destrói dia após dia. Dia após dia. Dia após dia. Dia após dia. Dia após dia. Dia após dia. Dia após dia. Até ao infinito.

Oh! Sê bem vindo ao Bendito hotel, sê bem vindo à minha moradia. Entra, sente o pútrido cheiro a fel, melhor ainda, tudo para ti. Olha como tudo à tua volta ri, vê como tudo se sente nesta minha abadia. Vivemos a nossa vida neste hotel, numa casa que ardia, nesta dor tão sensível. Tudo o que já vivi, num bom hotel que sorri. Toda a perdição a que se rendia, tudo isso são mentiras. O hotel ama-te, quer-te a não ser que outro preferias. Vê este hotel já tão decadente, que toma a tua alma e a põe dormente.

Estas pessoas deviam ter vergonha. Não há um só lugar nesta longa terra que não esteja coberto pelo pesado manto dos autómatos. Incapazes de fazerem o que deviam, continuando o seu caminho para um hotel que nunca as vai acolher. Presas na sua própria torção e no seu erro. Elas são o que mantém toda a destruição viva. As pessoas, eles, estes hórridos loucos andantes. Não há um só movimento que não resulte em morte, não há uma só ordem que não resulte em destruição. São um gigantesco hotel preparado para a implosão.
Saio da pista a cambalear. As torres? Sim, pois claro, elas são as pessoas que estão destinadas a cair. Porque criam torres então?, que sentido haveria para que um edifício caísse apenas momentos após ser erigido, com tanto cuidado, tanto trabalho? Porque não há pessoas sem torres, e não há torres sem pessoas. Ao caminhar para minha casa passei por uma livraria velha. Entrei e olhei durante duas horas para os antigos livros. Estavam trezentas pessoas lá, olhando os livros com um ardor e desejo de possuir todo aquele conhecimento, aquela ignóbil cultura, aquele torpor que arde na alma quando se pensa. Pobres crianças. Naquela altura uma livraria era o sítio certo para se encontrar um mulher ou um homem, e passava-se despercebidamente entre os autómatos de metal cru, um ser de carne que julga e acha justiça. Por isso agarrei um livro velho com a capa batida e levei-o comigo.
Cheguei a casa e limpei o pó da lombada de couro. Uma dissertação, um livro proibido por reflectir uma ideia em vez de um facto. Vozes. Ainda me lembro da primeira vez que ouvi falar de um Conselho Fantasma. 224 homens e mulheres, velhas carcaças sem corpo, sem mente, sem alma. Apenas uma amálgama de grandes líderes de velhos tempos, torres caídas no chão que teimam em voltar a erguer-se. Não, este não era um bom dia. As suas gargantas secas a falarem lentamente com os seus roucos abafados. Reinando as pessoas sem ordem e sem justiça. Conselho Fantasma, um grupo de iluminados de outros tempos, eternamente voltando para atormentarem um mundo que já não lhes pertence. O título do livro “Porque não precisamos do Conselho F.”. Pois claro, um livro de alguém que pensa, que julga. Uma ideia de alguém que deixou de crescer e parou para pensar na sua infinita ignorância. Alguém como eu, mas não tão bom eu. Só eu consegui perceber o fatal erro que todos os outros cometeram.
Há um tremendo orgulho que se prende naquele que se depara com uma falha horrível em todo o sistema que lhe apresentam. Como por exemplo eu dar-me conta que hoje não é um bom dia, ou que as torres caiem independentemente do que eu faça. Isso é o que separa os grandes génios das pessoas fracas da ralé. E o feito apresenta-se como o mais nobre e mais valente, mesmo que para os outros não passe de uma tentativa falhada de qualquer coisa.

Oh! Sê bem vindo ao Bendito hotel, sê bem vindo à minha moradia. Entra, sente o pútrido cheiro a fel, melhor ainda, tudo para ti. Olha como tudo à tua volta ri, vê como tudo se sente nesta minha abadia. Vivemos a nossa vida neste hotel, numa casa que ardia, nesta dor tão sensível. Tudo o que já vivi, num bom hotel que sorri. Toda a perdição a que se rendia, tudo isso são mentiras. O hotel ama-te, quer-te a não ser que outro preferias. Vê este hotel já tão decadente, que toma a tua alma e a põe dormente.

Perguntam-me agora, que mundo é esse em que vives, oh grandioso iluminado sem nome, onde é que um Conselho Fantasma reina como mais grandioso soberano? Onde existem árvores crescendo no alcatrão, e homens que não pensam nem julgam. Esta terra é aquela que vocês conhecem, e no entanto é a mais negra possível. Disse um dia Agrastos, por certo se lembram dele, que é a terra onde “os Homens fodem as cabras por dinheiro, e mulheres vendem o corpo por goles de água podre. Os ricos riem-se e pagam mais um milhão por três mil doses de lagosta, os pobres riem-se da sua própria ignorância. As pessoas matam-se por prazer, violam-se por prazer, são fruto do acaso, e são seres que se podem usar. Seres de caras queimadas organizam uma Danse Macabre, e convidam os seus amigos, e todos se deliciam com a carne de humano recém-sacrificado, e este ri-se por ser instrumento dos seus apreciadores.”
Não lhe liguem, sociopatia é doença grave.
Mas ele têm um ponto delicioso no meio do seu caminho para a auto-destruição. É que nesta cidade não há ninguém, ninguém ri, ninguém vive. Tudo está preso ao chão de asfalto e alcatrão, avançando silenciosos nas suas rotinas. Avançam para o café onde morreu a Fúria, vão para aquele bar onde ela bebeu o último gole de malbdoska, riem, com a sua própria repetição, gozam, com a própria repetição dos outros. São como se seu dissesse mil vezes que as pontes vão um dia cair. Oh desculpem, disse pontes? Queria dizer torres, mas também se aplica. Afinal o que é uma ponte senão uma ligação entre duas torres. São como se a ligação entre o vivo e o morto numa pessoa se tratasse do gotejar. Quando uma linha ininterrupta corre com água, a pessoa vive, como os jovens vivem. Quando goteja fortemente, lentamente a vida mostra-se desapontante, e a pessoa vira-se para a sua contra-parte. Quando goteja devagar, a pessoa afasta-se do caminho de antes, vai afastando-se da vida e andando para a morte. E depois pára. Esse é o desabar das torres que suportam a ponte de água, o cair da ténue linha que é a vida de uma pessoa.
Perguntam-se, o que fiz então? Saí de casa, de manhã, e dirigi-me para o trabalho, como contabilista numa empresa de gestão religiosa. Sentei-me no meu cubículo, rindo por dentro com a minha clarividência, aqueles tolos nas suas vidas patéticas a tentarem fazer algo de valor. Eu consigo dizer com toda a certeza que eu nunca faria da minha vida algo que levasse à morte. E com isso digo que o simples pensamento de gestão religiosa conforta-me, põe-me na mente o desejo de ir para o trabalho para cumprir uma tarefa fútil. Sei que qualquer um a pode fazer, e isso dá-me uma sensação de poder, de como eu sou um iluminado, um escolhido para trazer luz para uma sociedade amaldiçoado pela escuridão com toda a minha beleza, clarividência e sentido de justiça. Sim, sou especial.

Oh! Sê bem vindo ao Bendito hotel, sê bem vindo à minha moradia. Entra, sente o pútrido cheiro a fel, melhor ainda, tudo para ti. Olha como tudo à tua volta ri, vê como tudo se sente nesta minha abadia. Vivemos a nossa vida neste hotel, numa casa que ardia, nesta dor tão sensível. Tudo o que já vivi, num bom hotel que sorri. Toda a perdição a que se rendia, tudo isso são mentiras. O hotel ama-te, quer-te a não ser que outro preferias. Vê este hotel já tão decadente, que toma a tua alma e a põe dormente.

Saí do trabalho na tarde, e decidi continuar a escrever o meu diário. Todo o cuidado, absoluta cautela neste meu trabalho. Qualquer pessoa era suspeita, eles não perceberiam o que estava a fazer e seriam ele que me iriam matar com toda a sua grandiosa ignorância. Como disse, eles eram grandiosos hotéis preparados para a implosão, e eu tinha o poder de carregar no botão antes. Como poderiam eles permitir que tal fosse verdade? Eu era apenas um, igual a eles, que direito tinha de destruir aquilo pelo que eles tinham lutado tanto, trabalhado com tanto afoite? Achavam, e com plena razão, afinal, ele é apenas um de nós, como pode ele escrever um diário, essa coisa rara de que nunca se ouviu falar. Escrevi:

“Sempre que uma barracuda nasce, a igreja da doce Renata oferece um mafagafo para aplacar a sua Fúria de barracuda destruidora e matadora. Então, o Bispo-Sacrílego Vário deita-a num grande contentor com mais de cem barracudas, inúteis e deficientes, para que ela conheça a humildade e o horrível torpor de se ver no meio de semelhantes que em nada se apresentam como ela. Sim a igreja de Renata faz isso sempre que uma barracuda nasce, mas esquece que os mafagafos são também orgulhosas criaturas, as mais fortes do seu género…”

Parei para ver se estava alguém a observar-me, e depois continuei com ar satisfeito.

“…e eles vêem-se com o absoluto direito de serem tratados com respeito e igualdade. Esses são aqueles que se vêem tapados pelas torres maiores, ou seja, as barracudas. E estas barracudas, apenas porque provam todas a carne de mafagafo quando são novas, partem do princípio que estes são as suas presas naturais, que tudo o que têm de fazer passa por matar um mafagafo por alimento. Mas temos de aguentar isto?”

Olho com grande prazer para o papel. Este diário ainda irá um dia ser publicado, e o meu humilde nome irá ser trocado por outro absolutamente ridículo, e qualquer prova real será trocada, e eu serei apenas uma memória adulterada. O passado é inalterável, dizem eles, mas a verdade é que passam a vida a fazê-lo. O partido de Winston Smith fazia-o regularmente. E nós também, dia após dia, publicando teorias que se apresentam como factos. Sabem irmãos, acho que preciso de descansar.
Na verdade sempre precisei, mas agora mais que nunca. o reboliço, o erro, toda esta clarividência a que as pessoas chamam de paranóia, faz-me mal arde-me por dentro. Temo que já não saiba quem sou, já não percebo o que existe no meio do manto que cobre a verdade, o que aparece como tremor das minhas mãos. Eu já só existo como um hotel podre do qual ninguém gosta, vozes de um tempo que já passou à muitas eras. Sim, sou um hotel velho que nada teme e ninguém acusa. Na realidade, até temos bons quartos, óptimas suites para casais cansados. É como se eu ainda ouvisse as vozes da recepção, cantando aqueles seus velhos jingles eternamente:

Oh! Sê bem vindo ao Bendito hotel, sê bem vindo à minha moradia. Entra, sente o pútrido cheiro a fel, melhor ainda, tudo para ti. Olha como tudo à tua volta ri, vê como tudo se sente nesta minha abadia. Vivemos a nossa vida neste hotel, numa casa que ardia, nesta dor tão sensível. Tudo o que já vivi, num bom hotel que sorri. Toda a perdição a que se rendia, tudo isso são mentiras. O hotel ama-te, quer-te a não ser que outro preferias. Vê este hotel já tão decadente, que toma a tua alma e a põe dormente.


Categorias: Agenda,Contos |

5 Comments»

  • Renan MacSan says:

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    Atmard, o texto me remeteu, do começo ao fim, ao livro 1984. Foi fonte de inspiração?
    Quando li logo no final “partido” e depois “Winston Smith” percebi que estava certo.
    Apesar de ser longo, e me perder em algumas partes não desenvolvidas, gostei muito. Muito bem escrito e traz uma carga filosófica imensa. Como disse, parece até o protagonista de 1984 tentando escrever nas suas folhas adquiridas ilegalmente e com medo que alguém lesse. Ótima leitura.

    • E.U Atmard says:

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      Muito obrigado Renan! Este texto de facto foi escrito, se bem me lembro, logo apos eu ter acabado de ler o 1984. So agora me apercebo como esta carregado de referencias a este texto. Hum, mas acho que ainda vai precisar de mais umas polidelas, pelo que vejo, pois pode parecer obscuro…

      Obrigado Renan, fico-lhe muito agradecido!

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    Atmard, que texto maravilhoso.
    Com certeza fostes inspirado em 1984. A densidade e paranóia foram tratados com maestria. Parabéns!

  • Gabriel Monteiro says:

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    Excelente texto, Atmard! Só precisa de um pouquinho mais de revisão em alguns pontos.
    .
    A influência de 1984 tá bem evidente mesmo. Os sentimentos do personagem, e o diário lembraram muito o livro do Orwell.
    .
    Muito bem escrito, curti a viagem filosofica lá no meio.
    Esse texto aqui tá ligado àquele poema seu da Renata e da Fúria, não tá?

    • E.U Atmard says:

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      Muito obrigado, isto e uma das minhas peças mais antigas, e estou de certa forma orgulhoso dela. Apesar de ser uma bela trampa, considerando o que veio depois…

      ———-

      Bem, esta muito ligado ao poema, bem como ao livro que estou a escrever, porque tudo se passa no mesmo Universo. Quando começo a escrever um livro, tudo o que escrevo passa-se dentro desse Universo!

      ———-

      Muito obrigado!

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Publicado por E.U Atmard

– que publicou 15 textos no ONE.

Uma das vinte pessoas no mundo inteiro que conseguem lamber o cotovelo e mexer as orelhas ao mesmo tempo enquanto são ventiladas por uma ventoinha de 400 watts de potência.

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