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Oct
14
2010

Oh, Shakka

Escritor: Rodrigo Braga Scop

oh-shakka

A raiva esvai pelo meu corpo, minhas bufadas viram simples respiração e a pele rija e os pêlos negros dão lugar a uma pele clara e de pêlos quase ausentes. O suor escorre por todo meu corpo nu. A mão suave dela, antes em meu focinho, e agora em meu peito, me acalentam como nada no mundo. Só ela me entende. Só ela me acalma.

Estamos os dois neste salão escuro e fedido a sangue e suor. Ela com sua roupa de combate, antes remetendo a uma sensualidade sem fim, e agora me recordando apenas de como e porque a amo. Forte, astuta, ágil, amante, mulher. Assassina. Foi assim que ela viveu sua vida, e a amo por isso. É assim que quero recordá-la. Após partirmos, espero que ela se lembre de mim com a mesma admiração que me lembro dela. É provável que sigamos para mundos diferentes, por isso peço a ti, poderoso Shakka, deus de todas as guerras, que permita que estejamos juntos na outra vida. Em teu mundo de combates sem fim, adoraria enfrentar novos oponentes eternos pelo prazer de vê-la de novo. De duelar com ela, como quando nos vimos pela primeira vez, duelando na arena de Derden por um escudo e algumas moedas de ouro.

Oh, poderoso Shakka, como ela estava bela. Seus cabelos negros e pele levemente morena contrastavam perfeitamente com seus olhos verdes. Seu rosto altivo e sensual não dava margem à tamanha violência. Ela me venceu. Ganhou o escudo e as moedas, mas, acima de tudo, me ganhou. O movimento de seu corpo durante o combate era gracioso e violento. Desejado e temido. Cruel e sedutor. Naquela mesma noite, descobri que ela era perfeita para mim e creio que eu para ela. Foram os melhores anos de minha vida. Viajávamos, matávamos, fugíamos e éramos pagos. Ela sempre foi a mesma. Sempre com violência e sensualidade.

E agora estamos aqui, após cumprirmos nossa missão. Mas desta vez não voltaremos vivos para Kalinshir. Cabia a nós provocar uma guerra, e ela com certeza foi provocada. Lorde Reyk está morto. Em breve, Derden e Kalinshir entrarão em guerra. Morreremos do jeito que nos conhecemos. Como espiões e assassinos de Kalinshir. Ela, a mais bela, talentosa e sedutora humana assassina que Kalinshir já vira. Eu, um dos primeiros a conseguir controlar as transformações para lican. Nossos poucos amigos sentirão nossa falta. Mesmo com poucos amigos vivemos felizes. Nós nos completamos e agora, enquanto ela me beija e tão carinhosamente desliza sua mão pelo meu abdômen, eu peço novamente a ti, todo poderoso Shakka, que nos permita a eternidade de guerra juntos.

Nossa despedida terna se segue enquanto, aqui, penso. Cada toque nosso, cada movimento à espera da nova leva de soldados significa despedida. Toques sempre carinhosos, mas nunca tão gentis. A violência, neste momento, que fique para os inimigos que serão mortos ao máximo antes deste casal mortal passar ao mundo de seu deus. Já foram cinco soldados humanos mortos e um elfo, sem contar Lorde Reyk, que tem seu rosto mergulhado em um prato com um pedaço de galinha e boa parte do sangue que jorrara de sua garganta. Até mesmo o cheiro é perfeito. Cheiro que mostra o que fomos por toda nossa vida. Cheiro de sangue.

O elfo, sentado na mesma mesa que nosso alvo, com a garganta dilacerada por minhas garras e a cabeça pendendo para trás. Quatro soldados abatidos facilmente pelos movimentos de minha amada. Um com a garganta aberta, outros dois com enormes talhos que percorriam todo tórax e o outro com as entranhas derramadas ao chão. O quinto soldado morto jazia com a marca de minhas garras desfigurando seu rosto. O ambiente perfeito para nossa morte. Em instantes, haverá mais corpos. Mais deleite em nosso fim, ou início. Eles não sabem, mas nos estão dando a morte perfeita. Dê-nos, amado Shakka, a eternidade perfeita.

Já posso ouvir os passos no corredor do castelo. Não podemos fugir. Arqueiros guardam as janelas. Esse é o fim esperado, mas não será nessa leva de soldados. Poucos soldados, alvos fáceis. Transformo-me mais uma vez. Animal pela última vez, lican pela última vez, neste mundo. Apenas onze soldados aparecem. Flechas e espadas para todo lado. Sete vítimas de meu último acesso de fúria animal. Quatro vítimas dos movimentos hipnotizantes de minha amada. Volto à forma de homem, depois de largar a cabeça decepada de um dos soldados. Uma flecha em minhas costas. Um grande corte nas costas dela. Está chegando a hora.

Oh, Shakka, deus da guerra, lembre que a guerra sem amor não existe. O amor é a causa de todas as guerras. Dê-nos a eternidade, se não por toda nossa vida de batalhas, por causar esta futura enorme guerra entre estes dois reinos.

Lágrimas em seus olhos ferozes e dóceis, violentos e carinhosos. Lágrimas em meus olhos amantes e eternos na mente de minha amada. Cansaço. Esperança. Amor. Silêncio. Ela roça seus cabelos úmidos em meu peito. Minha mão acaricia seu rosto, tantas vezes beijado. Palavras não são ditas. Elas não são necessárias. Os olhares são intensos. Olhares melosos de raiva e amor. Tiro a flecha das minhas costas, e nos abraçamos.

Passos no corredor. Silêncio rompido. A presença de um mago. Nossos olhos se cruzam e se amam. Ouve-se os recém-chegados entrarem no salão. O mago se prepara. Nossos olhos continuam juntos. Amor e violência, carinho e ferocidade, desejo e raiva, orgulho e crueldade, esperança e sedução. Um ataque.
Sinto o cheiro amado. Ouço o barulho amado. Abro os olhos e procuro o toque amado. E o acho. Nossos olhos se reencontram. Toco sua pele formosa e ela meu peito transformado. Agradeço a ti, e corremos para o inimigo. Cheiro de sangue, barulho de metal e batalhas eternas. Juntos.


Categorias: Contos | Tags: ,

28 Comments»

  • Rainier says:

    Shakka ouça-os porque merecem!

    Rodrigo, vc está de parabens cara.

    Esse conto ficou muito fera! Principalmente por nos fazer ficar no lugar de Shakka, ouvindo a prece e suplica do personagem como se estivessemos onipotentes naquele lugar.

    E mesmo falando com o Deus o personagem não clama por sua vida, não clama por salvação. Clama por mais luta e sangue do outro lado. Show cara.

    • Rainier says:

      Mais um que aparece com um conto fantástico e desaparece?
      Cadê o autor deste texto para levar este conto para publicação?
      Sem contato com o público fica difícil…

  • RodrigoBS says:

    Rainier, a faculdade acabou utilizando mais tempo do que eu esperava, assim não consegui escrever muito nesse último mês. Como era o primeiro semestre, acabei me perdendo em algumas coisas, mas agora consegui me situar e pretendo dar uma continuidade maior ao que eu escrevo.

    Agradeço os elogios 😀

    • Rainier Morilla says:

      Opa, sei como é isso…
      Tbm fiquei desaparecido uns 2 meses por falta de tempo no trabalho.
      Vi que você postou outros 2 contos, estarei lendo e comentando. Que bom q voltaste a ativa…
      E mais uma vez, parabéns pelo conto.

  • Franz Lima says:

    Descrição rápida e fluente, o que traz uma dinâmica muito boa ao conto. A trama está ótima. Tem mais algum texto publicado por aqui? Parabéns.

    • RodrigoBS says:

      Obrigado 😀
      Não tenho ainda. No entanto, acabei de enviar dois para serem colocados aqui. 🙂

  • Peregrina says:

    nossa! *_*
    seu conto ficou fantástico.
    me fez ficar no lugar de Shakka,divagando se deveria salva-los ou não,mas na verdade tudo o que eles queriam era estar juntos.Batalhando e matando do outro lado.
    simplesmente amei.

  • JonesVG says:

    Olha só quem resolveu aparecer por aqui, este carinha aí fez o primeiro semestre de jogos comigo, grande figura! Cara vou ler agora e já posto minha opinião, he he he he! Abraços!

    • JonesVG says:

      Lido, belas descrições, imersão total, muito bom!!!!! Cara não esperava menos de vc!

      • RodrigoBS says:

        Grande Jones! 😀
        Aprecio demais tua opinião 🙂
        Tu que me apresentou a um estilo literário do qual gostei. Devo o fato de eu escrever, em grande parte, a ti.
        Abraço.

  • Rainier Morilla says:

    E aí, quando veremos um novo conto aparecendo na agenda, Rodrigo? Ainda corrido com a facul???

    • RodrigoBS says:

      Eu coloquei um agora para entrar na agenda. Tenho apenas mais uns três ou quatro prontos, mas não revisados. A facul está um pouco corrida, sim, e eu não andava escrevendo muito. Agora esse fim de semana quero ver se termino mais dois. Tentarei manter o ritmo.
      Agradeço o interesse 😀 Abraço

      • Rainier Morilla says:

        Já li e comentei todos… Preciso de mais. rsrsrs…

        Facul realmente acaba com nosso tempo, mas é legal criar uma disciplina para escrever, não perder o foco em um hobby.

        Também fiquei um tempão parado por causa do trabalho, estava em dois mais uns cursos… Foi dureza, mas atravessei esse tempo tenebroso. Já escrevi quatro contos depois que a turbulência parou, e espero continuar a escrever mais…

        Vou ficar esperando mais contos. Espero que tão bons quanto este! Uma obra prima!

        • RodrigoBS says:

          Pois é. Eu fiquei cerca de um mês sem escrever, ou mais. Nem mesmo filme eu assisti nesse mês, e olha que sou viciado em filmes. uashhusa

          E realmente, é bom criar uma disciplina para escrever. Estou tentando adquirir uma há tempos, espero que não demore para eu conseguir… hehe

          Colocarei mais contos aqui sim. 😀

  • Asami says:

    Quanta emoção esse conto expressa! Nossa! Chega a ser indefinível pra mim. A forma como a guerra é enaltecida pelo eu-lírico e como seu amor pela a amada é ao mesmo tempo, apaixonado e violento, sem falar do ritmo da narração, ficaram perfeitos. E que casal lindo *-* O amor é expresso nesse conto de forma tão rústica, mas não deixa de ser belo. Eles matam lado a lado e têm a guerra como uma paixão em comum, uma paixão que apenas os unifica, transformando-os em um só… Rodrigo, amei ^^

    • RodrigoBS says:

      Que bom que tu gostou Asami 😀
      Esse é meu conto preferido. Meu xodó. Na verdade, o primeiro que eu terminei. Fico muito feliz em saber que consegui transmitir tudo isso. XD
      Obrigado pelos elogios. 🙂

      • Asami says:

        Awn, que nada… ficou lindo e forte ao mesmo tempo, isso agrada demais a Asami aqui 😀 Já tens outros trabalhos aqui no ONE?

        • RodrigoBS says:

          😀
          Tenho sim. Outros dois. Creio que clicando no meu nome abaixo do conto, ali acho que nos dados do post, ele abre uma página com todos contos meus aqui. 🙂

  • Luis says:

    Muito bom mesmo, Rodrigo, consegui realmente entrar na historia! Parabens!

  • Vinicius Maboni says:

    Caramba!
    Muito bom!, prende até o final. Parabens Rodrigo.
    Continue assim.

    • RodrigoBS says:

      Obrigado Vinicius. 😀
      Tentarei fazer outro que eu goste tanto quanto gosto deste. asuasuhsa

  • Rainier Morilla says:

    uhuul! Enfim o conto foi publicado.
    Parabéns Rodrigo. Muito bom este conto, é sempre bom relê-lo. =D

    • RodrigoBS says:

      Estou muito feliz por teu um primeiro conto publicado aqui. 😀
      Espero conseguir outros.
      Obrigado Rainier.

  • lobaempeledeovelha says:

    Adorei Rodrigo_Senpai
    Como curto essa temática, apreciei muito a forma que você escreveu, que tal um dia desses fazer parte de um banquete literário?(Risada maquiavélica) tenho certeza que você seria um ótimo prato… digo um ótimo convidado.

    • RodrigoBS says:

      Obrigado 😀
      Claro que gostaria de ser um ótimo prato, ou convidado. E se eu te desse uma indigestão? asuhsauhsa

      • lobaempeledeovelha says:

        Ninguém aqui do ONE é capaz de causar uma indigestão vocês são uma delicia xD
        Bom domingo xD

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