Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida: Livro 1
Papo na Estante 34 – Prêmios Literários
29 Dicas para se manter criativo:
Vaucarn
A Lenda de Fausto
Chat dos Nerds Escritores
Quer publicar?
Download do livro O Draconiano – Livro 1
Oct
26
2010

Universo de Fantasia Urbana

Escritor: Patch.

Common Experiences

Não há nada que estimule mais a manifestação do fantástico do que as pequenas experiências cotidianas. Seja quando nos decepcionamos com a limitação fria e pálida dos fenômenos materiais, e isso nos motiva a criar novos mundos onde a existência ganhe feições mais interessantes e complexas; ou mesmo quando algum fenômeno natural assume função catalisadora da imaginação deixando o mundo sucetível a manipulações da realidade, como aqueles dias em que chove durante todo um dia de Setembro e ainda no final da tarde as nuvens densas e espessas obrigam as luzes da cidade se acenderem antes do horário habitual e, da mesma forma, as luzes vermelhas dos carros adquirem um certo contraste com a escuridão do dia se refletindo ainda no asfalto molhado dando a impressão de que existem ainda mais luzes…Isso sem contar o cheiro que esse tipo de situação carrega, um cheiro levemente adocicado e indecifrável de terra molhada, esgoto, gasolina e alguns compostos estranhos que eles colocam nas nuvens…

É o legítimo cenário que nos faz lembrar de um grupo de garotos enganando um irmão mais velho e partindo em busca do tesouro do Willie Caolho, ou mesmo de uma garota confusa que acabou de ouvir sobre Berkeley e corre desnorteada com sua própria existência sendo colocada em dúvida. Nesses dias nos sensibilizamos com as lágrimas que caem do céu e adquirimos uma postura relavitamente honesta com relação à vida, permitindo o surgimento de pensamentos simples e poéticos capazes de revolucionar qualquer tipo de experiência empírica.

Não há nada mais fantástico do que as pessoas que param para absorver aquilo que está ao seu redor e então se debruçam sobre alguma prancheta, dão aquela longa tragada em um cigarro enquanto adoçam uma boa xícara de café, ao som de alguma música qualquer e aguardam as idéias serem forjadas no turbilhão cognitivo.

Há ainda aqueles que optam por pegar atalhos arriscados, por meio de “alteradores de consciência”, muitas vezes proibidos não por sua relação com o crime ou por seus riscos à saúde do usuário e sim devido às idéias que podem surgir durante esse estado. Idéias muitas vezes revolucionárias, capazes de ameaçar a ordem e a estabilidade de um mundo programado para favorecer poucos, ou mesmo idéias capazes de quebrar paradigmas filosóficos e científicos. Afinal, qualquer idéia ou conjuntura que não se adequa aos padrões de uma época, seja por seu caráter visionário ou por sua excentricidade anárquica, estará sujeita a se enquadrar no âmbito da Fantasia. De todo modo, o risco de tais atalhos encontra-se em seus efeitos colaterais, muitas vezes levando o usuário a ter como única companhia durante toda uma noite, um nada majestoso trono. Mesmo que esse deslumbre de um “Shinsekai” seja efêmero, para alguns vale a pena o risco, como já dizia o velho poeta: “E que seja Eterno enquando duro…digo, dure”

De todo modo, são incontáveis as ocasiões que permitem a alguns indivíduos geneticamente Criadores, manipularem conceitos e formas da realidade, atribuindo-lhes um toque de poesia e aventura.
Feliz é aquele que já teve a oportunidade de passar uma noite junto a bardos e trovadores, num boteco qualquer do Centro Velho da cidade, tocando, cantando e bebendo um pouco de tudo até as formas perderem seus contornos e música e imagem tornarem-se unidades etéreas,fazendo-nos viajar por limbos e caminhos transcendentes.
Quem nunca desejou tirar 20 num d20 e dar um ataque de oportunidade com dano crítico numa investida berseker contra o chefe do seu escritório tendo como arma o teclado de seu computador? Ou sentiu ter aumentado uns 10 Levels após passar num vestibular? Ou desejou trocar a própria alma por uma Phoenix Down no funeral de sua mãe…?

Enfim, as experiências fantásticas estão por aí, basta superar o comodismo e buscar pincelar não só as páginas de papel, mas também as páginas da realidade, dando-as um aspecto mais lírico, mais sublime…basta prestar atenção para perceber as sub-camadas existentes em nossa dimensão aparentemente estéril. E a qualquer momento sonho e realidade se confundirão e a linha que os separa desaparecerá. E quando isso ocorrer…
…Bem, talvez seja bom procurar um terapeuta, pois provavelmente você tem esquizofrenia =]

E você? Já criou um universo de Fantasia Urbana hoje?


Written by Patch. in: Agenda,Contos,Patch. |

2 Comments»

  • Ana Bourg says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Já, e era cyber punk. xD

    Achei essa crônica bem interessante – O que faltou aqui acho que foi o elemento narrativo – é mais uma exposição de pensamentos, claro que feita de maneira bastante lírica. Concordo com algumas coisas expostas, outras nem tanto, mas achei muito boa a maneira como expressou seus pensamentos.
    Pense em escrever sobre seu universo de fantasia urbana eventualmente. ^^

    Adorei esse trecho: “Quem nunca desejou tirar 20 num d20 e dar um ataque de oportunidade com dano crítico numa investida berseker contra o chefe do seu escritório tendo como arma o teclado de seu computador? Ou sentiu ter aumentado uns 10 Levels após passar num vestibular? Ou desejou trocar a própria alma por uma Phoenix Down no funeral de sua mãe…?” – Acho um barato quando vejo as pessoas fazendo poesia com coisas nerds. x3

    É isso.
    Abraços. :)

  • Patch. says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Adoro Cyberpunk, posso ler?

    Mas então, um texto nerd necessariamente precisa ser um conto? Faltou narrativa porque não era minha intenção escrever uma história, óras. A idéia era justamente quebrar um pouco esse padrão do ONE de contos, e fazer algo diferente. Não tenho nada contra, adoro alguns contos que leio aqui e também escrevo um monte, mas esse texto em específico tem um Logos (forma) diferente.

    =]

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Powered by WordPress. © 2009-2011 J. G. Valério