O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Contos

Contos

Lista de contos publicados no ONE.

Poesias

Poesias

Lista de poesias publicadas no ONE.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Notícias

Notícias

Veja o que está rolando no mundo literário nerd.

Promoções

Promoções

Aqui você pode ganhar livros e outros prêmios em sua casa.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Anuncie Aqui!

Papo na Estante

Papo na Estante

O nosso podcast de literatura.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Nerdoteca

Nerdoteca

Os livros que todo nerd deveria ler.

A Batalha do Apocalipse
Autógrafos

Autógrafos

Em breve! :)

Anuncie Aqui!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

ingressos para a luta variaram com o tempo e local no estadio de 200 a 1300 reais nos últimos dias.
Nov
30
2010

A intermitência da Morte

Escritora: Drina

Ele sabia que não estava sozinho, permaneceu imóvel, naquele quarto imundo com alguns remédios sobre o criado-mudo e uma cadeira maltratada pelo tempo. O cheiro de algo putrefato havia aumentado há algumas semanas. Suspeitava que fosse seu próprio odor aquele que causava – lhe náuseas intensas durante os dias. Não era de se espantar, pois, como alguns dizem, os que se encontram à beira da morte exalam um cheiro característico.

Mas isso não importava, sua memória mais distante se ligava à doença, essa megera. Acostumara-se com essa situação débil, dores que percorriam seu corpo de forma quase rítmica atenuando num local e concentrando-se em outro, e por vezes, espalhavam-se, contraindo seus músculos e dispersando a dor. Por várias ocasiões, a Morte – desejou – seria uma ótima companheira.

No entanto, a ilustríssima dama nunca viera visita-lo… Até aquele momento.

Esperou, enquanto o que julgava ser uma névoa negra se formar no cômodo, condensava-se a sua frente, em meio a pouca luz e espaço. A treva dominava seus pensamentos, não obstante, controlou sua neurose, nada que viesse dali seria pior do que já vira ou sentira.

Então, não mais que de repente, uma voz surgida da névoa perguntou:

Ouves a mim, ser decrépito?

Quem é você?!

Sou o temor milenar. A única que sempre existiu e sempre existirá.

– Imaginei que fosse. Não a temo, ou o que pode fazer. Durante minha vida toda a esperei com flores nas mãos, sinto até certa felicidade, se posso chamar assim a volta da pouca esperança em ter descanso dessa existência.

– Tu, que viveste aterradora vida, cercado da agonia de sentir o tempo marcado em dor, enquanto a mente renegava a possessão do corpo, achas mesmo que encontrará tão almejada paz? O pós-tumulo pode reservar-lhe visões pavorosas, que estarão para sempre cravadas na memória da sua alma.

– Nada irá se igualar com o que vi e desejei. Não espero redenção divina, mas creio que, seja qual for o pecado que cometi, paguei com a dita que nunca foi minha. Mas, porque conversa comigo? Penso que é senhora demasiado ocupada e não encontro razão para este diálogo inútil.

De fato, a morte é tão abundante quanto à vida, e tenho de exercer dignamente meu ofício, mas nada me impede de tirar proveito dessa situação, revivendo as lamúrias vividas por seres condenados como tu.

– Então, zomba de mim antes de tirar-me o último tenro suspiro? Quem diria… A Morte é sacana! – Dito isso, riu-se como há muito não fazia, sentindo tremendo regozijo por alguns instantes.

A voz silenciou-se. O que antes era a névoa do passamento tomara forma. Um humano, sem dúvida. As sombras pareciam delinear um homem, mas não era possível ver nem rosto, trajes ou detalhes.

Tão subitamente quanto antes, ouviu o brado:

Criatura ousada! Pensas que sabe algo sobre mim?  A morte é uma simples mudança de estado, a destruição de uma forma frágil que já não proporciona à vida as condições necessárias à sua evolução. O espírito acha no seu estado mental os frutos da existência que findou. Mas só o faz se assim eu permitir, e vejo claramente que não sou tua sina.

O homem então berrou, num acesso de raiva e espanto:

– O QUÊ?! VOCÊ QUER DIZER QUE NÃO SOFRI O BASTANTE?! LEVE-ME! LEVE-ME LOGO DESTA MALDITA CONDIÇÃO! ENQUANTO AINDA TENHO MENTE SÃ, LEVE-ME!…Eu… Eu… Imploro! – Lágrimas sinceras desciam pela sua face, dando um aspecto mais humano ao enfermo, que soluçava juras incompreensíveis.

A voz permaneceu estável, e continuou:

Não é raro observar que, ao chegar a terrificante hora, basta esse instante para que os humanos compreendam o sentido profundo da vida, e sintam-se recompensados pelo que lhes foi dado. Tu, no entanto, me esperas desde o dia em que tens juízo da morte, e julga tanto a existência como as relações que ela proporciona degradante forma de castigo. Pobre ignorante. Nunca entenderás a morte, enquanto não saber o sentido da vida e temer verdadeiramente perdê-la.

Naquele momento, uma torrente de emoções lhe invadiu. Agonia, angústia, tormento, tribulação… Não suportou o que se sucedeu. O homem que estava escondido pelas sombras revelara-se e “aquilo” que lhe trouxe súbita esperança e brutal desesperança vinha em sua direção.

Desejou ser cego.

Se pudesse arrancar os olhos de suas órbitas, o teria feito, com sua força restante, o teria feito. Mas ela o impelia, tinha de ver… à si mesmo.

Era a sua imagem que estava diante do homem, não podia acreditar, muito menos aceitar. Um sujeito grotesco, horrendo de fisionomia, coisa repugnante de se observar. A pele já amarelada contrastava com os diversos hematomas pelo corpo, o rosto deprimente refletia seu intimo, o cruel destino moldara-o assim.  Um grito irrompeu no quarto, amaldiçoou a tudo: vida, morte, doença…

O Medo, este tomou o lugar que lhe era de direito, voltara depois de muito tempo.

A Razão, que lutara bravamente, desistiu.

Como era de se esperar, a Loucura, ganhou o descontrole da situação.

E a vida. Ó, a vida. Apenas esta continuou imutável.


Categorias: Agenda,Contos |

2 Comments»

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Publicado por Drina

– que publicou 1 textos no ONE.

>> Confira outros textos de Drina

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui... >> Fale com ONE <<

Powered by WordPress. © 2009-2013 J. G. Valério