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Nov
17
2010

A uma palhetada do sucesso

Escritor: Jessé

a-uma-palhetada-do-sucesso

10 mil pessoas. Um bom número. Sei que já não é a primeira vez que subo ao palco, mas, não deixo de sentir o frio na barriga, até mesmo porque isso é inevitável. Não é uma coisa que você controla. Não precisa nem olhar a multidão, pois apenas o fato de você saber que vai tocar, já te da o frio na barriga. E convenhamos, sem esse frio não teria graça.

Os sentimentos que vem à tona antes, e após subirmos ao palco, a incerteza das coisas, saber se tudo vai dar certo, se não haverá falhas. Parece que está tudo em ordem. Equipamentos, cabos, instrumentos, efeitos etc.

Então é chega a hora de subir ao palco. Minhas mãos começam a suar devido ao nervosismo. Nós nos olhamos, nos cumprimentamos e junto comigo sobem os outros integrantes da banda. Nesse momento o figurino que foi escolhido a dedo já não mais importa. Até mesmo porque não é hora de preocupar-se com isso, mas sim com a sua música. Avisto a multidão, e dou um leve sorriso. Já era visível a inquietação das pessoas, mas, após subirmos, um alvoroço maior é criado, e sabemos o porque, sabemos o que eles querem. Eles querem mais um pouco de rock em suas vidas.

Seguro minha guitarra, coloco a alça, checo a pedaleira e jogo meu cabelo para trás dos ombros. Num geral está tudo certo, e já não estou mais tão aflito, pois, após vestir a alça da guitarra, é como se vestisse uma armadura, e então não me preocupo mais. A ansiedade e o nervosismo já passaram, e agora, é só curtir o momento.

Olho para o publico, para os meus colegas, para minha guitarra. A tranqüilidade vem, sinto um vento em meu rosto, uma paz de espírito e nas palavras de AC/DC. “Essa noite vai rolar, num acorde de guitarra!”

O silencio toma conta do local. Damos inicio ao som das batidas das baquetas. Como se fizessem o som de: um, dois, um, dois, três, quatro…

O show começa, e a galera vibra, todos gritam, pulam, chacoalham as cabeças, se empurram. O som dos instrumentos em perfeita harmonia, os fogos, a iluminação, o delírio do publico. Toda a ansiedade valer a pena afinal, porque é muito boa essa sensação, de tocar sua musica, e ainda mais poder ver todos juntos cantando a mesma canção, num imenso e compassado coral. Tudo é tão maravilhoso.

A cada minuto que passa, e posso daqui de cima observar tudo e a todos, as pessoas que mergulham do palco, aquelas duas garotas no canto se beijando.

Mas é chegada minha hora, o meu momento. Aquilo que tanto eu esperava. O solo.

Ah! Sim, o solo, como eu esperava esse momento. Um foco de luz desce sobre mim, e uma camada de fumaça cobre os meus tornozelos. Ouve-se os riffs do outro guitarrista, e dou alguns passos a frente, apoio a perna esquerda numa das caixas de som a minha frente, deixo minha guitarra em pé e começo meu solo.

Após dar inicio ao solo nada mais importa, sem antes, sem depois, apenas o agora. Naquele momento me desfoco das pessoas ali. Eu e minha guitarra somos um, e sinto isso a cada nota que é dada, a cada bend que faço e automaticamente o meu ombro se levanta como uma fisgada, como se o som proferido viesse diretamente de mim. Gesticulo, faço caretas e me contorço, pois a energia que aquele somo emana, corre por entre o meu corpo. A agilidade para fazer os arpejos.

As pessoas gritam. Retiro alguns harmônicos com a mão direita, e elas gritam mais ainda. E pra finalizar, aquela clássica decida da escala e com um grande bend no fim. E voltamos ao coro da musica.

Vejo o deslumbre em cada rosto. A emoção sentida por mim, e que pude passar a eles. Cantamos o coro mais algumas vezes, e terminamos essa musica com alguns solos e repiques na bateria, fazendo um enorme e emocionante barulho. Todos com as mãos para o alto fazendo chifrinhos com os dedos e a espera da próxima música…

- Cara. Você não vem não?
- Já estou indo.
- Pelo amor de Deus. Sempre que agente passa em frente essa loja de instrumentos, você fica olhando aquela guitarra, e fica viajando mó tempão. Porque você não a compra de uma vez?
- Logo, logo eu vou comprar. E vou conseguir ficar melhor nos meus solos.
Já te falei da ultima musica que eu aprendia tocar? Cara você tem que ver…


Written by Jesse in: Contos,Jessé | Tags: , ,

46 Comments»

  • mariene says:

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    onw *-* amei muitooo ele e demais escreve muitoo bem ^^

  • Andrey Ximenez says:

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    Bacana tche!
    -
    Quem nunca sonhou assim han?
    -
    Algumas letrinhas a mais mas nada de sério
    ;)

    • Lord Jessé says:

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      O que??? Um texto meu, e o Andrey não achou nenhum erro gravicimo!!!
      -
      EEEEEEEEEEEE…. Jessé digivolve para???
      -
      kkk
      -
      Foi um tanto dificil sair do tema que geralemnte eu escrevo mas, como eu havia lhe falado Andrey, ai está!

      -

      Espero que gostem :D

      • Andrey Ximenez says:

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        O conflito é meio fraco, mas o encerramento é bem bacana. remete à inocência dos sonhos juvenis. Embora bobo deixo um gosto mt bom
        ;)

  • Thainá Gomes says:

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    Gostei,vivo sonhando acordada desse jeito.

  • Andrey Ximenez says:

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    Hehehehehe…
    -
    Ler esse conto depois de comprar uma les paul, cubo e correia torna o texto bem mais especial
    ;)

    • Lord Jessé says:

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      Precisa va contar??? O.o
      -
      Agora me diz: Ela é preta, ou aquele “amarelo-Slash” ?
      -
      Pia, é foda ter improvisar solos de guitarra no violão.

      • Andrey Ximenez says:

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        Vermelha e amarela!
        -
        Linda!
        -
        *_*

        • Lord Jessé says:

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          To ligado como é.
          -
          Eu to querendo uma preta. (mas do jeito que to necessitato de guitarra, vai qualquer uma, não precisa nem ser Les Paul)

  • Renan MacSan says:

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    Putz, gostei demais. Só quem já teve uma banda de rock pra se identificar com o texto.
    E o final… muito legal.

    • Lord Jessé says:

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      Bom saber que agradou.
      -
      O Problemas foi pra criar o titulo. A principio seria algo como ” Vitrine”, mas uma coisa assim revelaria o final, o que eu não queria que acontecesse.

  • Vinicius Maboni says:

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    Muito bom!!!!
    Parabens Jesse!
    Vela uma revisao, mas gostei muito.

    • Lord Jessé says:

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      Valeu Vinicius.
      -
      Quanto a revisão, como falei antes, tenho mesmo que fazer, embora tenha ficado mó feliz de não ter erros brutais( o que é muito comum de acontecer, não importa quantas vezes eu leia).
      -
      Mas que bom que agradou.

  • lobaempeledeovelha says:

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    O solo de guitarra é excitante,intimo,intenso e gera no corpo uma sensação eletrizante .
    Adorei Jessé,simplesmente harmonioso e enérgico.

    • Lord Jessé says:

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      ^^
      -
      É bom saber que agradou. E que bom que concorda comigo! Sou viciado em solos. É muito bom :D

      • lobaempeledeovelha says:

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        Um dia aprenderei a tocar xD
        Solos de guitarra são lindos,fodas,perfeitos d+
        Ai…ai por isso sempre curti guitarristas se pudesse tinha uma coleção só pra tocar pra mim hauhuahuahuhuauhahuahuuhauhauhahu

  • Samila says:

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    Hahahahahah, nhai, achei fofo! íntimo e bonito…
    e para mim, um solo de guitarra é um sentimento

    • Lord Jessé says:

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      Elementar meu caro Watson!!!
      -
      Eu poderia dizer que é envolvente.
      -
      O solo é como um fragancia, de diversos cheiros ele é. Desforme e mutavel. depende de quem ouve, de como se ouve e até mesmo de quem o faz.
      -
      Até mesmo porque uma coisa é ouvir solo de metal sinfonico, e outra é power metal! O.o
      -
      Mas é isso ai Sammy. é sentimento, é pura paixão.

  • Hiza says:

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    Apaixonante e estimulante!!!!!!

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Jesse, muito bom este texto.

    Como eu dançava, me deu uma saudade do palco, da multidão. O sentimento é esse mesmo, cara. Você soube capturar com muita maestria este sentimento e vida que o palco nos dá.

    Foi uma nostalgia emocionante. Parabéns!

    • Lord Jesse says:

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      Valeu Rainier!!!
      -
      Realmente, palco é muito foda.
      Bom saber que o texto agradou. :D

  • Patch. says:

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    Muito bom! Desfecho engraçadíssimo.
    Esse tipo de devaneio costuma ocorrer comigo quando estou no busão, com fone de ouvido. O chacoalhar involuntário da cabeça é interrompido por algum olhar assustado.

    Vale uma continuação? A trajetória incerta de bandas de garagem? Seria interessante…
    (Recomendo o anime Beck – Mongolian Chop Squad)

    • Lord Jessé says:

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      Chacoalhar a cabeça é involuntario.
      -
      AS pessoas deveriam entender isso. :D
      -
      Bom saber que o texto agradou. E quantop a trajetoria de bandas de garagens é interessante.
      -
      Valeu pelo comentario Patch

    • lobaempeledeovelha says:

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      Anime lindo e OST perfect ai…ai

  • Ana Bourg says:

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    Roqueiro que é roqueiro de verdade já sonhou pelo menos uma vez em ter a própria banda e com a glória da fama através da música abençoada por Odin. \m/
    Valeu a leitura por descrever muito bem a cena que se passa pela cabeça quando vemos um vídeo de um show ou aquela guitarrona bonita na vitrine.

    =D

    • Lord Jessé says:

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      É mesmo, quem não sonha ou já sonhou com isso?
      -
      É muito bom sonhar com isso. Faz um bem danado.

  • Vitor Vitali says:

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    Sei lá, acho que faltou um enredo aí, mas eu até gostei. Por algum motivo eu só consegui imaginar uma música do Hammerfall com essa descrição. :)

    • Lord Jessé says:

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      Em termos eu concordo com vc Vitor, não tem um enredo em si, até mesmo pq eu comecei com a ideia do solo. Eu queria falar sobre o solo, o que me levou a falar de todo o resto. Então, acho que me empolguei tanto em dar enfase ao solo que deixei isso em haver.
      -
      Mas é bom saber que agradou.
      -
      Quanto a musica, isso é o mais interessante. A principio eu ia colocar o modelo da guitarra, mas dependendo do modelo que eu colocasse isso iria influenciar no estilo da banda. Ex: uma Les Paul iriam imaginar Hard Rock, Strato, talvez rock progressivo pu blues e assim por diante.
      -
      Mas como não fiz isso as pessoas tem visoes diferentes da banda e da musica.

      • Vitor Vitali says:

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        Sei lá, cabelo grande e guitarra na vertical só me lembra power metal e toda aquele couro sugado nas bolas.

  • Asami says:

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    Meu sangue ferveu aqui! Tenho muito esse tipo de sonho desde que me conheço por gente, normal pra quem respira rock. Parabéns Jessé, transmitiu muito bem a paixão de um instrumentista pela música e ainda a visão e sentimentos de um astro em pleno show. Adorei o tema e o conto :D

  • Lord Jessé says:

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    Ah! Só pra dizer… Curti a imagem!
    -
    Mas… Não faltaram alguns minguinhos ali???

  • Tarcísio says:

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    Lord Jesse… Gostei do texto. Só achei pessoal, ou seja um desejo seu! Verdade? Abração! E até…

    • Lord Jessé says:

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      Sim.
      -
      Posso dizer que esse conto é bem pessoal. Como disse num comentario acima, eu queria a principio transmitir a sensação de como é solar. No entanto, tive que deserronlar todo o resto, e dar esse fim q

      • Lord Jessé says:

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        Droga ¬¬
        -
        enviei o comentario sem o fim.
        -
        como dizia… Até mesmo o final também é pessoal.

  • Hreter says:

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    Texto simples, bastante pessoal, mas que me fez sorrir no final. Fiz algumas caretas durante o texto pelos errinhos de português, mas o sorriso no final fez valer a pena. =)

    • Lord Jessé says:

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      Muito obrigado Hreter.
      _
      Só o fato de ter lido o texto ja me agrada, e sei que ouve alguns erros, mas se conseguiu tirar um sorriso do seu rosto, maior foi o meu sorriso em saber disso. Peço desculpa pela demora em responder o comentario, mas é que estou impossibilitado de entrar aqui no ONE ja faz muito tempo.
      Novamente, muito obrigado pelo comentario

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    Mt bom! Bela viagem a la Doug Funnie ^^

    • Lord Jessé says:

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      kkkkkkkkkk
      -
      Fato. Tenho que admitir que sou muito Doug nessas horas(e por acaso tambem desenho)kkkkkk
      Obrigado pelo comentario Diego, espero ter agradado

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