Apocalipse
Escritor: Ivan Mizanzuk
Não sabia como escrever. Alfabetizado sim, escritor jamais. Há um abismo entre os dois termos, e este o engolia.
Frequentava cursos literários como forma de tentar aperfeiçoar a arte. Exercícios, leituras, continuava medíocre. Prosa pobre, ritmo enfadonho, imaginação nula.
Certa madrugada, horas abaixo do velho abajur, escreveu chuva, e começou a chover. Riu da coincidência.
O resto do poema não aparecia. Deixou o papel intocado, a úmida palavra solitária gravada. O dilúvio continuava se revelando pela janela.
Por dias os céus caíram, enterrando definitivamente o poema desejado.
Na aula seguinte, levou apenas a chuva. Disse não ser capaz de escrever outra coisa. Riram.
Frustrado, voltou para casa. Rasgou o papel e jogou-o no lixo. No mesmo instante, a chuva parou. Dessa vez, nem um sorriso. Admirou.
Sua alma nublou-se instantaneamente. Sentia-se livre de qualquer canibalismo existencial – uma liberdade insuportável. Liberdade cinza, amarga. Concluiu: o artista é um pecador. Criar é ato divino. Tornava-se assim, finalmente, escritor.
Imprudente, escreveu na mesma noite a palavra “Morte”. Em seguida, dormiu como um Deus.
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Legal sua associação entre a escrita (a criação literária) e um dom semi-divino. Boa idéia!!!
Obrigadão Franz! Esse pequeno conto foi uma ideia que tive em uma aula de criação literária, por sinal. O tema era justamente para escrever sobre um aluno que frequentava um curso daquele tipo. Juntei com minha paixão por literatura fantástica e deu nisso. hehe
boa associação, mas não gostei do final… ele poderia ter feito mais, ido além…
Ou não…
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Gostei bastante… bastante mesmo. Nâo tenho uma critica negativa em relação ao texto.
Samila e Andrey: obrigado pelos seus comentários.
Sobre a questão de eu não ter ido mais além, caso eu o fizesse, perderia muito da força que trouxe nesse estilo mais conciso. Originalmente, o conto tinha umas 3 páginas – e muito ruim. Mudei o ponto de vista, deixei-o um pouco mais aberto (adoro pontas soltas) e me satisfiz com o resultado final. Talvez a ideia se torne futuramente um pequeno romance, mas ainda é cedo para falar qualquer coisa. De qualquer maneira, gosto do fôlego que ele tem e das (in)conclusões que o leitor pode se permitir a ter dele.
Andrey, obrigado pelo elogio. Fico muito feliz com ele. =)
Entendo o q vc diz sobre deixar pontas soltas. É isso ai mesmo tche, tem q deixar mesmo, fazer o leitor virar um pouco dono do texto, escritor tb.
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É dificil eu não achar uma falha em um texto kra, então fike duplamente feliz com o elogio, é merecido
Poxa, obrigadão pelas palavras, Andrey. Sou realmente muito fã de pontas soltas. E é ótimo quando os leitores apreciam! Nem todos são assim. hehe
Dinheiro
Droga… comigo não funciona. Não apareceu dinheiro aqui para mim!
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Hehe.. Gostei muito, bem escrito. Poético.
Pior que eu também tentei a tática do dinheiro e não rolou. Quem sabe com persistência a coisa anda, né? haha
Meu Deus!
–
Se o que eu escrevesse fosse realidade, seria responsável por suicidio e o Guns ficaria rico!
–
Se fosse a Samila todos seriamos yaoi!
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Graças a Deus que não é assim que as coisas funcionam!
–
Gostei deste conto, foi muito criativo e não gastou mais palavras do que o necessário.
Muito bom!
Escrever sobre alguem que escreve é facinante(vide A sombra do vento e a menina que roubava livros).
Agora escrever sobre alguem que não consegue escrever sem parecer redação de 5° ano é uma arte nobre!
Parabens! Gostei mesmo.
Obrigadão, Vinicius! Ainda não li A Sombra do Vento, mas me interessei pela dica! Correrei atrás! =)
Wow… Me impressionou! Fui pego completamente desprevinido. Muito legal, mesmo!
Bela associação… bela escrita, bela conclusão. Ótimo conto, conciso e arrebatador. Adorei!
bom, bem bom mesmo! gostei!
Muito bom !
Obrigado a todos que estão curtindo o texto! Em breve eu postarei algo de novo. Espero poder agradar tanto quanto o fiz aqui! hehe
carai… ja havia escrito algo nessa linha. Mas, ficou bom desse jeito nao.
-
parabens, cara. So achei o final meio acelerado demais, sem drama. Acho que dava pra levar a personagem em direcao a palavra morte com mais estilo
A ideia é muito boa. Pena que o conto foi bem curto. mas ultimamente já nem sei se isso é um defeito. De resto, meus parabens.
Muito boa! Adorei o texto, Ivan. Idéia. Não escreveu de mais nem de menos. Ficou na medida! demais! Só elogios.
Ba… gostei.
Fiquei admirado em como tu conseguiu ser rápido sem deixar buracos que prejudicassem a narrativa.
Achei um texto focado e leve. Poético, como vários já disseram. Adorei o final.
oi eu tenho 9 anos eu sempre leio suas ahistórias são muitos boas vc é muito bom tem um dom muito raro pra mim adoro suas histórias
Realmente, ótimo.
Muito bom!
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Curto? Não. Na medida certa digo eu.
–
Gostei muito, parabéns!
Me lembrou Ink Heart, por escrever e acontecer. No caso de Coracão de Tinta.. ele lia e acontecia.
Hm, bem poético. Legal.
Muito bom. Parabéns.
Putz, que legal, imagine se eu tivesse esse poder…
.-.
seria uito bisonho.
mas enfim, mto bom esse conto.
=D
Bacana!!!
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O problema foi que, qd ele rasga o papel e para de chover, eu imaginei que ele escreveria “morte”, ou coisa do tipo.
- Mas é isso ai, parabéns
Devorei este conto lentamente,absorvendo suas emoções e sensações instigantes.
Considere-se minha sobremesa caro autor.
rs…rs
“dinheiro!” [2]
Realmente gostei desse trecho “a úmida palavra solitária gravada.” – é legal fazer esse tipo de brincadeira com as palavras.
Ficou muito simpático esse texto e considerando que ele é bem antigo (né?) acredito que está bastante bom para um começo de carreira. XD
Cara, muito legal o texto. Também iria adorar que a palavra “Dinheiro” funcionasse, mas quem sabe se eu testar com a palavra “Paz” não tenha mais sorte, não é?
Parabéns mesmo. Um texto curto mais que jorra criatividade.