Freaking Out
Escritor: Rafael Sanchez

…Lentamente Hannah abriu os olhos. Sua cabeça estava um pouco dolorida. Ela olhou tudo ao seu redor. Não sábia onde estava. Havia árvores de grossos troncos, altas e escuras copas. Ela não conseguia enxergar suas folhas. Estava escuro e a única fonte de luz que havia era um pequeno pote de vidro que, a se ver de perto, estava repleto de vaga-lumes.
Ela se levantou do chão e espanou a poeira do simples e levemente roto vestido que usava. Não se lembrava de ter aquela peça, mas chegava a ser bonita. Um tanto maior que ela, mas bonita. Após conferir que sozinha estava, Hannah pegou o pote brilhante e começou a andar sem rumo.
Ela caminhou por muito tempo, sem senti-lo passar. A paisagem da floresta parecia sempre a mesma. Hannah pensava estar andando em círculos. O medo começava a encher seu peito. Ela precisava sair de lá logo!
Seu cérebro ficava tentando achar a memória do momento em que fora para lá, mas não achava. Quando Hannah estava prestes a cair no choro, ela viu algo que a fez esquecer seus problemas um pouco. Havia lá um e apenas um lírio branco. Com certeza o mais belo lírio branco que existia. Esquecendo-se completamente de sua rinite, Hannah aproximou-se da flor para cheirá-la. Assim que aspirou ao pólen houve um espirro. Mas não dela. A flor espirrara! Impressionada com o que acontecera, Hannah se afastou e viu de longe a flor espirrar mais três vezes antes de cair murcha.
Culpada, Hannah continuou sua caminhada. Mais adiante ela viu um vulto parado. Esperançosa ela correu. Ao chegar ao lado do vulto viu tratar-se de seu pai.
- Pai! – disse Hannah largando o pote e indo abraçar o ente querido. Entretanto apenas ela abraçou.
Estranha ao comportamento paterno, a mulher se afastou um pouco e viu que não se tratava de seu pai e sim de uma estátua deste. Toda feita em um bloco uno de pedra branca.
Em seguida, por toda a superfície da escultura de conhecido rosto, começaram a aparecer cortes. E estes sagravam. Lágrimas também caiam dos olhos. Hannah apavorou-se sem saber o que fazer. Do mais profundo daquela estranha floresta veio uma voz rouca que disse:
- Mentiras!
Alis estavam cada uma das mentiras que Hannah contara ao seu pai. Cada um delas como um corte. E os cortes continuavam a aparecer e sangrar. Até que a estatua ruiu. E Hannah começou a chorar. E chorou muito. Chorou tanto que encolheu que caiu dentro do próprio choro.
Agora nua Hannah nadava em seu rio de lágrimas. Desesperada tentava chegar a algum lugar seco, mas algo puxa seu pé. Ela se virou e viu uma torpe criatura de vermelhos olhos e negra tez. Sem uma forma definida, tinha garras que seguravam seu tornozelo.
- Que é você? – gritou Hannah.
- Sou o Medo. E você está em meu mar!
- Ora, muito prazer Sr. Medo, mas saiba que eu não vou me afogar em sua mar!
E dizendo isso ela chutou a criatura e subiu em um pedaço de papel que boiava por ali. Ela deitou-se e ficou olhando para cima. Por uma pequena brecha nas folhas pode ver algumas estrelas.
Por muito tempo ela ficou a deriva, até que chegou a margem. Saiu de cima de seu papel e viu logo adiante seus vaga-lumes. Caminhou até eles, mas estava tão pequenina que o pequeno pote de vidro estava grande demais para ela. Chegando perto do vidro, Hannah viu os bichinhos. E eles olharam para ela e disseram:
- Tire-nos daqui! Liberte-nos!
- Mas como? Pequena como estou sequer alcanço a tampa! Vocês estão maiores do que eu!
- Quebre o vidro! – disse um vaga-lume grandão que estava ali na frente.
Hannah pegou uma pedra e começou a bater com ela no vidro. Mal arranhava. Enquanto fazia isso repensava sua vida. Sua infância e as mentiras que contara para seu pai. Seu trabalho como estilista. Seu ex-noivo…
De repente o vidro se partiu e todos os insetos saíram rápido de lá, deixando sua salvadora no escuro. Hannah, que de novo chorava, não viu que um vaga-lume ficara. O grande que dera a sugestão de quebrar o pote.
- O que lhe aflige? – perguntou o inseto se sentando ao lado dela.
- Tudo, Sr. Vaga-lume. Tudo!
- Primeiramente, mau nome é Sr. Pirilampo de Nóbrega Duarte Santos das Fonseca.
- Prazer, Hannah.
- Hannah de quê?
Hannah neste momento parou de chorar. Qual era seu sobrenome mesmo? Silva? Ou seria Pinheiro? Talvez Figueira…
- Eu não me lembro…
- Não se lembra? Ora, que coisa! Venha comigo, talvez a Moça-Sem-Cor tenha a resposta.
- Quem?
- A Moça-Sem-Cor! Vamos levante-se!
- E eu posso ir vê-la assim?
- É… Vá achar algo para vestir antes.
E Hannah fez um vestido de folhas. Ela e o Sr. Pirilampo caminharam em direção ao Mar do Medo feito de lágrimas, mas este já estava bem reduzido agora. Eles pararam em frente ao papel que Hannah usara de jangada.
- Olhe – disse o Sr. Pirilampo apontando para a superfície do papel.
Acanhadamente Hannah avançou até conseguir olhar a superfície que seu amigo iluminava. O ar foi arrancado de seu peito ao ver que era a Moça-Sem-Cor. Era nada mais, nada menos do que a única fotografia que Hannah tinha de sua mãe. Um foto em preto-e-branco de Alice Torrini Lavigne. Esta fora o único registro da existência de sua mãe que sobrevivera ao incêndio, pois nem a própria conseguira escapar. Hannah tinha três anos na época.
- Mãe… – disse Hannah caindo de joelhos sobre a foto.
- Hannah! – disse a imagem – Minha filha! Como você foi se esquecer de quem você é? Como? Quando?
- Mãe… –dizia Hannah chorando.
Começara a chover. O nível do Mar do Medo voltou a subir.
- Vá minha filha. Vá ou o Medo lhe pagara. E desta vez nem eu poderei salvá-la! Confie no Sr. Pirilampo! Vá!
- Adeus mãe! – disse Hannah subindo nas costas do Sr. Pirilampo para sair voando de lá.
Eles voaram pela chuva e pousaram em um galho. Hannah caminhou até o nó e lá se sentou.
- Sabe – disse o Sr. Pirilampo -, eu acho que você cresceu alguns centímetros.
Hannah se levantou. Era verdade. Seu vestido estava mais curto.
- Sim, mas continuo pequenina! Pareço uma lagarta!
E neste momento pousou no galho um pavão albino.
- Lagarta? Onde tem lagarta? – perguntou a grande ave branca olhando para os lados, até que viu Hannah – Lagarta! – e tentou comê-la, mas o Sr. Pirilampo pulou na frente e acabou sendo devorado, mas antes disse:
- Corra!
Hannah obedeceu e começou a descer pela árvore. A grande ave tentava segui-la, mas era demasiado grande para isso. Conforme ela ia fugindo, ficava mais fácil fazer aquilo. Quando tocou o chão, sentiu o peito apertado. Era a emoção de fuga! E o vestido que ficara pequeno, pois ela crescera mais ainda!
Ela tirou aquela roupa e fez uma nova, mas não vestiu. Fez outra que também foi deixada de lado. E outra. E mais outra. A cada roupa feita, Hannah crescia mais um pouco. Quando o pavão chegou ao solo, Hannah já tinha seu tamanho normal de novo.
Apavorado o pavão tentou fugir, mas Hannah o agarrou pelo pescoço. Ela abriu seu bico e gritou lá para dentro:
- Sr. Pirilampo! Sr. Pirilampo!
- Venha Hannah! Venha para cá!
- Por que eu devo ir Sr. Pirilampo?
- Olhe para cima!
Hannah olhou para cima. O céu era visível. Mas havia algo alem dele. Havia tudo além dele. Era como se ela estivesse em uma casa com teto de vidro. Ela viu lá fora a realidade. Hannah apenas tinha caído dentro da terra.
- Entre que iremos fugir! – gritava o Sr. Pirilampo das entranhas do pavão.
- Mas como? – perguntou Hannah.
- Confie em mim!
Hannah olhou para os lados. A chuva já parara, mas o Mar do Medo ainda estava bem alto. Qualquer oscilação da superfície fazia com que suas escuras águas batessem em seus pés nus. O próprio Medo espiava pela superfície Hannah. E se aproximava rápida e dissimuladamente.
Hannah se virou de frente para o Mar. Ela respirou fundo. Quando ia entrar no pavão, viu algo na margem oposta. Era ela. Deitada no chão. Com um pote cheio de vaga-lumes ao lado. Medo resolveu ir à direção ao seu outro eu.
Sem pensar muito, Hannah atirou o pavão no Medo. A ave bateu na criatura e a jogou para o fundo de seu Mar que rapidamente encolhia. De lá o Medo não sairia tão cedo.
Mas o Medo, como sempre, fora astuto. Ele afundava sim, mas puxava o pavão pela cauda. Com o bico mais aberto que podia ele gritava:
- Socorro! Socorro!
E no fundo, atrás dos gritos vinha a voz do Sr. Pirilampo:
- Hannah! Rápido!
Hannah, sem pensar, tomou impulso, correu e pulou. Ela viu, do ar, a escura superfície do Mar do Medo. Ela viu, boiando, a foto de Alice. Ela viu também seu outro eu encontrando a estatua de seu pai de novo. E viu um terceiro eu dela quebrando o pote de vaga-lumes.
Ela começara a cair. E viu que o pavão estava aquém da sua queda. Iria cair no Mar. Então os vaga-lumes que a terceira Hannah soltara vieram em seu auxilio, fazendo-a planar até o local desejado. Apenas o bico do pavão estava para fora. E Hannah conseguiu entrar.
De olhos fechados, ela sentiu tudo girar. E um impulso. O pavão se livrava do Medo e ganhava os ares. E o som de vidro quebrando. E ela bateu com a cabeça em algo duro.
- Pode abrir os olhos – disse o Sr. Pirilampo a ela.
Lentamente Hannah abriu os olhos…
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Coloco minha mão no fogo se este conto não foi baseado em Alice no País das Maravilhas… cara, Tim Burton ficaria satisfeitíssimo em dirigir um filme com esse enredo. Adorei a estória, meio pirada como fala o título, mesmo assim muito boa. Alías, sou fã de déjà vu… enfim, gostei demais de seu conto, ocorreram umas pequenas falhas com a gramática, mas no geral ficou bom mesmo.
-
Ps: Tinha mesmo que ter colocado o sobrenome de Avril Lavigne no conto?
o sobrenome sim, pq o conto até não foi baseado em Alice in Wonderland, mas na música da Avril pro filme do Tim Burton ^^’
-
minhas inspirações ficaram meio explicitas no nome da mãe…
-
e sim, erros de gramtica infelizmente sempre ocorrem omigo apesar das minhas 24324523534545 revisões.. desculpem-me!
Muito bom o conto, meio freak mesmo. Confesso que ia parar de ler na metade mas prende a atenção e desperta a vontade de ir até o fim. Porém, acredito que faltou um pouco das estruturas básicas (tipo, apresentação, PV, Clímax), e o desfecho dá a sensação de “Ué? Ela voltou pra realidade dentro da barriga do pavão?”
Obrigado! ^^V
Esse conto todo parece ter sido inspirado na Avril Lavigne, até mesmo na hora de colocar o título (afinal, ela tem uma música chamada Freaking Out).
Ficou bom apesar de alguns errinhos, mas há uma pergunta que não quer calar:
Não haveria chances de se fazer uma continuação? ^^”
O conto ganhou uma dinâmica que incentiva a leitura, além de estar muito interessante, tal o apanhado de acontecimentos estranhos (muito parecido com Alice). Os diálogos estão bem escritos e leves, dando um aspecto mais limpo à obra.
Espero que tenha realmente uma continuação, já que ficou no ar uma sensação de que algo está faltando.
Parabéns…
Obrigado! Sim a ideia era mesmo fazer uma coisa Wonderland…
-
e respondendo a ti e a Sara, não pensei nada sobre continuação… Mas é sepre uam ideia!! ^^V
Sanchez, aguardamos sua continuação. Tire a idéia da mente e a coloque no papel e na tela, amigão.
Waiting…
obrigado e a continuação já está pronta só esperando a aprovação pra entra na agenda!
Amei!! Mt Alice no pais das maravilhas (minha historia favorita, diga-se de passagem)! *-*
Podia ter uma continuação iria ficar legal.O conto me agradou muito.
Obrigado Cathy e Thaina!!
-
E Thaina, quanto a continuação, é uma ideia que eu ainda hei de pensar com carinho quando a faculdade der uma folga! ^^’
Quando vcs falam em faculdade me bate um pânico eu ainda nem entrei mais do jeito q ficam sem tempo melhor eu aproveitar o meu tempo enquanto dá.
Ah não! não é tão caos dependendo do teu curso (e da tua organização!)!! no meu caso é caos completo! ^^´
Rafael, muito bom o seu conto! No início pensei tratar-se de um sonho, mas depois vi que está muito mais para um realismo fantástico, com alguns toques de sentimentos de culpa da personagem. Concordo com os demais comentaristas, o final deu margem a uma continuação. Abraços.
que bom que tu gostou Vania! fico bem feliz! e quanto a tão (?) pedida continuação, já tenho algumas ideias! só tenho que organizá-las e por no papel!
Seu conto tah muito bem inspirado no Alice no País das Maravilhas, e ficou bem legal, hehe
Aguardo a continuacao, se possivel, hahaha
Que bom que tu gostou, fico feliz!
-
A continuação está quase pronta e se chama Freaking Out – Rien de Rien.
Lista de coisas que pretendo fazer:
…
89° Voar nas costas de um vagalume
…
Adoro essas fantasias ilimitadas. Muito bom, parabens!
#euri Obrigado!
Ok gente, a continuação “Freaking Out – Rien de Rien” já foi enviada para aprovação e logo entrará na agenda! Espero que leia, gostem e, obviamente, comentem! ^^
Eu não tinha visto esse comentário.
Para aqueles que esperavam, a continuação (Freaking Out – Rien de Rien) já está na agenda! espero que leiam, gostem e comentem!
Prendeu minha atenção e vou ler a continuação.
Que bom! Espero que tu goste da continuação também!
Vai ter? jura?
já tá até na agenda! Freakin Out – Rien de Rien!!
Você tem que cuidar com a repeticão de palavras num trecho curto de texto. Peguei lá no comeco isso.
–
No mais.. fiquei meio confuso. Mas hoje estou atolado de notícias sobre os acontecimentos do Rio de Janeiro. Isso esta me deixando confuso com qualquer coisa.
Mas e aí? Isso tudo foi efeito de LSD? Hehehe.. que a garota transtornou legal ali na história!
Boa pergunta. Isso foi efeito de… nem sei… da minha emnte perturbada parece a respotasta mais correta!
Essa imagem enganou meus olhos direitinho!
Guns adorei a imagem. Sério, fiquei uns bons 10 minutos só ohando! #comoserestranho
Achei muita fantasia para pouco espaço. Ficou muito corrido, diferente de Alice, que é um pouco mais lento e segue esse sistema meio torto. Não gostei muito.
ok, obviamente eu superrespeito a tua opinião. Mas eu escrevi tento em mente alguém que se esqueceu de quem era e redescobre. Não acho que alguém se redescubra lentamente, mas ok, toda critica é valida! obrigado por ter lido e expressado tua opinião!
Agora entendo o motivo do nome.
Bem, de qualquer forma, o conto é leve e legal.
Interessante de ler mesmo.
Valeu mesmo Luiz!
<3
Até perto do final estava achando que o conto era meio sem-noção, mas quando chegou nos últimos parágrafos e as passagens se interligaram… Ficou ótimo, mas ainda prefero o segundo!
Obrigado!^^