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Nov
26
2010

Klavier – O piano.

Escritor: Pradolyne

Não sei onde estou agora. Ouço o som de um piano tocando, ao longe. Deve ser Klavier. Lembro-me, vagamente, de quando eu era jovem. Tocava piano melhor do que todos. Eu era o melhor de todos.

Quando era pequeno, via mamãe tocando piano. Não entendia porque ela sempre tocava às 9, quando papai ia trabalhar. Logo depois, chegava meu padrinho, e ambos se trancavam na biblioteca para conversarem.

Um pouco mais velho, entendi que aquilo era um sinal. A música que era tocada chamava-se Klavier, e passei a entende-la, mesmo que não houvesse nada para ser entendido. Aquela música parecia-me suja, mas eu gostava. Por ela, aprendi a tocar. E quando mamãe se foi, continuei a tocar. E a tocar, sempre, e a tocar.

- Saia desse piano! – gritava meu pai, na hora de dormir, de almoçar, estudar e jantar. Ele não tinha tanta paciência quanto mamãe. Era calado, e sentia-se traído por todos.

Eu era sozinho, sem amigos, e me apeguei demais ao meu lindo piano. Ele não me deixava. Estava sempre comigo.

Eu e o piano. Piano e eu.

Me sentia feliz, ao tocar meus dedos (tão finos) naquelas teclas tão frias. O som que saia dela era (literalmente) musica aos meus ouvidos. Mesmo sem ser um sinal, para quem quer que fosse, eu sempre tocava Klavier.

Completei anos, terminei a escola. Seria um médico como meu pai. Ou um pianista, como minha mãe. Optei pela segunda, e mesmo aceitando, meu pai não perdoou (intimamente, claro). Eu estaria traindo como minha mãe. Eu tocaria Klavier, o hino sujo da traição.

Acordava às 5, e dormia às 3. Meu amado piano não me abandonava. Naquela época, restava-me apenas ele.

Entendem? Um objeto, imóvel, sem sentimentos, não partia, enquanto os humanos iam, sem dizer Adeus. Não sei quando meu pai morreu, mas deve ter acontecido quando dormia, ao som do hino da traição. Deve ter morrido ao som do desgosto.

Desde então, não saio mais. Devo estar louco, vejo no piano minha salvação, e meu castigo.

Tentei me libertar, só que não consegui. Julgo estar ficando louco mesmo, não sei onde estou.

Devo ter morrido, há alguns anos, com aquela anemia que me acometeu, aos 25. Não como, não bebo, mas estou aqui. Porém, não tenho meu amado piano. Ele se foi.

Agora, teclo no piano imaginário, cantarolando o som que o verdadeiro faria. Não há mais nada, nem meu amado piano.

Hum… ouça. Estão ouvindo? Ouço uma música, ao longe. Devem estar tocando Klavier, o hino da traição.

Realmente, estão tocando Klavier, o hino….


Categorias: Agenda,Contos |

1 Comment»

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Não gostei muito.

    Faltou mais emoção, principalmente no final. Faltou também um conflito, alguma situação que nos envolvesse na história.

    Precisa haver alguma coisa que me faça querer ir até o final. Um problema, um mistério. Coloque algo assim em teus trabalhos que chamará mais atenção.

    Há Braços!

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