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Nov
03
2010

O fim

Escritor: Samila

o-fim

Não recomendado para menores de 18 anos

Aquele era o fim.
E mesmo diante do fim, ele sorria.
Não se importava com o fato de estar lá, tampouco com o estado lamentável no qual se encontrava. O braço direito, quebrado, doía demais, mas ele não deixaria de sorrir por causa disso. Também pouco lhe importava o terno italiano todo rasgado e sujo de sangue. Talvez tivesse uma bala alojada em seu ombro… Lembrava-se vagamente de ter levado um tiro lá, mas isso não importa. Não mesmo. Nada que fosse material poderia importar no derradeiro e último momento.

Afinal, aquilo era uma guerra entre duas forças opostas. E se uma delas ganhava, a outra invariavelmente perdia.
Ele tinha perdido daquela vez, então tinha que aceitar o destino que lhe era reservado.
Suspirou quase alegremente, satisfeito com o desfecho de tudo, mesmo que o ato fizesse com que seus pulmões doessem. Respirou fundo, consumindo o ar denso e fedorento do beco sujo e mal iluminado. Cheiro de poluição e esgoto. Cheiro de esterco e lixo humano.

Cheiro daquilo que mais odiava. Daquele rebanho sórdido e daquela cidade corrupta e obscena.
Não mais obscena e sórdida que o seu sorriso.
Fechou então os olhos a fim de poder escutar com mais precisão. Sua visão estava turva, então melhor seria ouvir os passos que vinham solenemente em sua direção. Fortes, calmos e impiedosos, tais quais os da morte.
Soltou um novo riso, tão cínico e zombeteiro…
Tão seu.
Abriu seus olhos e encarou a imponente figura diante de si. As vestes pretas deveriam indicar um mau presságio, uma razão para desespero. A compleição circunspeta deveria ser capaz de afugentar seu sorriso.
Não era.
Passou a mãos pelos cabelos, deixou-a descer pelo rosto de traços angulosos. Acariciou por um instante as próprias cicatrizes e por fim, mordendo a ponta do dedo médio, tirou a luva da mão esquerda num gesto quase sensual.
Encarou o outro.
Encarou a feição de desgosto e nojo que ele ostentava. Riu. Não resistiu e então perguntou:
— Por que está tão sério? Não quer mais brincar, é? — Falou de maneira hilariamente perversa, a voz grave e sacana saindo como o sussurro de uma heresia. Não que se importasse. Nem cristão era mesmo. Não mesmo.
A resposta recebida fora um resmungo que saiu como um rugido baixo e raivoso. E mais dois passos.
E mais um passo.
O Cavaleiro das Trevas deu por fim um mínimo sorriso. Sorriso de canto, quase falso, tão raro.
Tão impossível.
Abaixou-se querendo de ficar na mesma altura do outro, o qual se encontra quase jogado de qualquer jeito no chão, escorado em uma parede manchada de bolor. Encarou o sorriso e as cicatrizes. Os olhos escuros e a maquiagem mal feita que escorria por efeito do suor e do sangue. Sentiu um prazer quase sádico naquilo. Gostava de ver seu inimigo naquele estado de decadência. Melhor do que aquilo, só mesmo se estivesse amarrado em uma camisa-de-força, trancafiado na cela acolchoada e branca de um manicômio, recebendo suas três doses diárias de anti-pisicóticos e tranquilizantes. Pensando naquilo, seu imperceptível sorriso se tornou um pouco mais evidente, parecendo estimular também o largo sorriso de Coringa, que agora deixava as mãos trêmulas de dor e ansiedade começarem a desfazer o nó da própria gravata.
Afinal, o herói de Gotham City não era tão bonzinho quanto todos acreditavam.
E em toda sua serenidade, Batman observou o pescoço inacreditavelmente pálido. Levou a mão direita até aquela fragilidade. Apertou-o, apenas o suficiente para que o ar se tornasse ainda mais escasso ao seu inimigo, apenas o suficiente para sentir a vida dele pulsando dentro das veias e artérias.
Apenas o suficiente para conter sua vontade de quebrá-lo.
Mas não o suficiente para impedir que a voz dele saísse levemente esganiçada, totalmente irritante.
— Oh, o Deus Batman está encostando suas santas mãos em mim…
A pressão contra o pescoço foi aumentada e o palhaço obrigado a se calar. Mas nada surtiria efeito contra o sorriso dele.
Nada tiraria aquele sorriso da cara dele.
E então o terno foi aberto, a camisa rasgada e o braço —quebrado— dolorosamente deslocado, a fim de que as roupas pudessem ser banidas. O Coringa gritou, finalmente, por causa da dor. Não que ele realmente se importasse, é claro. Afinal, a dor era importante. Ela era a prova da realidade, a prova que não se tratava de uma mera alucinação. A dor era o prazer da certeza de que era mesmo Batman lá, diante de si, despindo-o e enfiando as unhas na sua carne. Porque aquele era um jogo sinistro e secreto, no qual o vencedor ganhava tudo. Um jogo perverso e erótico que envolvia apenas destruir e devastar. E morder e tocar e agarrar.
E por fim, tomar.
Batman era o vencedor naquela noite e por isso agora tomava seu prêmio. Tirava seu uniforme e as roupas do seu inimigo, restando-lhe apenas sua máscara. Porque a mascara não poderia cair nunca. Fosse ela a máscara negra que cobria o rosto do herói ou a mascara do ódio presente em cada toque ríspido. Estava lá, intacta, mesmo enquanto esfregava a cara de seu inimigo no chão e então o tomava com raiva e violência, querendo lhe provocar tanta dor quanto fosse possível. Querendo arrancar-lhe os cabelos, cortar-lhe a pele, sentir o aroma e o sabor do sangue dele.
Querendo, sobretudo, marcá-lo, mostrar a ele que não podia brincar com certas coisas, principalmente com certas pessoas. Principalmente com ele. Não conteve a raiva, a vontade e o desejo. Disse com os lábios crispados em uma violência verbal inexplicável:
— Você é meu, seu desgraçado.
A resposta foi um riso. O mesmo riso insano de sempre, agora envolto pelos gemidos do sexo bruto e sádico. Um riso tão debochado, tão depravado que Batman sentiu qualquer compaixão deixar seu corpo. Utilizou-se de mais força, querendo a todo custo tirar aquele sorriso nojento da cara do palhaço. Querendo loucamente, mesmo sabendo que era em vão, pois a cada estocada funda e forte, o maldito palhaço apenas ria mais e gemia mais e gostava mais.
Agarrou-o pelo braço quebrado e mordeu-lhe o ombro baleado. Ouviu com deleite os ecos do grito espalhando-se pelo beco.
O grito do êxtase e nada mais.
E um sentimento.
Um sentimento escondido em meio às torrentes de raiva e ódio. Um sentimento que ia além da fixação, do delírio de possuir algo que jamais poderia lhes pertencer. A sensação de uma vingança realizada a cada movimento ou gemido.
A cada gota de sêmen derramada.
O herói esperou apenas sua respiração se normalizar e deixou o corpo do palhaço sem falar nada. Vestiu-se, tanto de suas roupas quanto da sua indiferença. Não havia nada a ser dito. Aquele era o fim, simplesmente isso. O fim e nada mais.
Porque aquele era o fim, mas muitos fins já haviam vindo, e muito outros estavam por vir, ainda.
Era aquela certeza que mantinha o Batman em sua infindável batalha sem rumo ou futuro.
Era aquela certeza que mantinha o Coringa com infindáveis piadas que não divertiam a ninguém senão a si mesmo.
E aquilo bastava para ambos, pelo menos enquanto houvesse a certeza que mais finais como aquele viriam. Pois sabiam muito bem que não conseguiriam jamais viver um sem o outro.
Batman ameaçou ir embora. O Coringa o chamou.
— Hey, vem cá… Deixa eu te contar um segredo… — Fez um sinal com a cabeça para que o outro se abaixasse e assim foi feito. Aproveitou-se da proximidade e beijou nos lábios o seu inimigo.
E logo em seguida recebeu um soco na cara, como um aviso para que nunca mais fizesse aquilo.
Quantos socos daqueles já havia recebido, mesmo?
Apenas riu, lambendo com gosto o sangue que lhe saía dos lábios estourados e antes que o herói pudesse ir, o palhaço ainda disse:
— Até a próxima, docinho… Prepara o rabo que vai ser minha vez.
E nisso a risada histérica se propagou pelo beco.


Written by Samila Lages in: Contos,Samila | Tags: , ,

59 Comments»

  • Samila says:

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    Quero ver se recebo pelo menos uma ameaça de morte depois dessa XD

  • Ana Bourg says:

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    LOL

    Samila, você é muito troll.

    • Samila says:

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      Eu?!!? Pq?

      • Ana Bourg says:

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        :B
        Eu adorei o Coringa nesse conto, aliás. O personagem fica legal sendo sarcástico e safado desse jeito. :)
        Como agora só consigo imaginar o Coringa do Heath Ledger, a bizarrice da coisa é que o ator era um cara muito bonito, ao mesmo tempo que ficava super grotesco com a maquiagem e as cicatrizes e o jeito meio “torto”.
        A história aqui tem um lado muito perverso porque levou às vias de fato algo que era um palpite subliminar (o Coringa em Dark Knight era um tremendo sadomasoquita com tesão enrustido pelo Batman, afinal)
        Em fim, muito troll da sua parte. xD No bom sentido, claro.
        :*

        • Samila says:

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          huahaua, também só consigo imaginar o Coringa do Heath Ledger XD
          acho que por isso me surgiu na cabeça a vontade de fazer yaoi desses dois! o Cara é bonito, o personagem bizarro, e ainda tem tendêmcias estranhas XD
          e eu sou troll xD

  • Ana Bourg says:

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    mas troll mesmo foi esse trecho: “A resposta recebida fora um resmungo que saiu como um rugido baixo e raivoso.” – Procura no youtube “The Dark Knight- Joker Interrogation Scene Spoof” (se bem que eu acho que vc já viu isso, não sei porque…)=P

  • Vinicius Maboni says:

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    Eu já havia lido este!!!
    Seguinte, eu detesto o Batman.
    E adoro os Textos da Sami.
    Ficou otimo, Parabens!

    • Samila says:

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      sim sim, tinhapassado no site, tava com medo que os meninos quisessem me matar por minha hersia xD
      ainda bem que não foi o que aconteceu, pelo menos no chat xD

  • lobaempeledeovelha says:

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    Massa Sami_Senpai xD

  • Lord Jessé says:

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    AH! Meu Deus!
    -
    Até tu Batman?
    -

    -
    Poizeh… Bom, apesar dos pesares. Gosto da forma como você escreve, e gosto do Batman.

  • Asami says:

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    Eu já li esse no Nyah! :D
    Estava dando uma passadinha por lá na semana passada, nos contos da Ryoko e vi uma foto do Coringa e do Batman. Eu pensei: Sami, eu não acredito que você fez isso com o Batman e com o meu Coringa! Mas depois que li eu vi que passei a amar ainda mais o meu super-herói e meu super-vilão favoritos. Eu juro que achei que ia surtar lendo um yaoi do Batmanzinho e Coringa, mas não. Eu amei, amei e amei! Ficou muito phod@! Samila, você é divina! Você é, com certeza, minha musa! *-*
    -
    E… cara, acho que depois do Raven o Guns desistiu de tentar barrar o yaoi no ONE mesmo… VITÓRIA!!! :D

  • Andrey Ximenez says:

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    No melhor estilo Hermes & Renato:
    -
    “Put* que pari*, Batman!”

  • Thainá Gomes says:

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    Legal, eu nunca mesmo imaginaria algo assim.Samila você é mesmo brilhante!Adoro seus textos.eu tava estranhando no inicio pq eu nunca tinha visto um texto seu sobre morte.Mas lá pro meio começei a entender.Parabéns.

  • Ana Bourg says:

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    O melhor foi o Batman ficar SÓ de máscara.
    lol

    • Samila says:

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      AUAHUAHA
      fetichezasso, não XD

      • Lord Jessé says:

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        confesso que isso foi legal.
        -
        ri muito pq, até nessa hora ele ainda tá de mascara.
        -
        To achando que vou aproveitar a onda yaoi da Sammy, vou escrever com temas hentay :D

        -
        Lord Ero sennin

        • Samila says:

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          uaahauaha
          isto fica feliz em ser útil XD
          e sim, até na hora do vamo vê ele fica de máscara XD

  • Peregrina says:

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    Batman e coringa?é a primeira vez que vejo.
    Deu até peninha do Coringa.
    Amei seu Dark-conto Sami!

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Ow… dear.

    .. eu parei no “gora envolto pelos gemidos do sexo bruto e sádico.”

    Hehe.. estava excelente até ali Samila. A maneira como a cena foi crescendo em descricão e ganhando vida. Muito bom. :-)

  • Gabriel Monteiro says:

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    O texto, como sempre, tá muito bem escrito e o crescimento da tensão ao longo da narrativa também foi legal,mas… Pô Samila!! Precisava fazer isso com o Batman!

    • Samila says:

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      mas claro que precisava fazer isso com o Batman XD
      hahahaha *ri que nem o coringa*
      obrigada por ler! que bom que a heresia estava boa XD

  • Ana Bourg says:

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    Não leiam o artigo da Desciclopédia sobre o Batman. :B

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    haaaaaaaaaaahahahahahahahahA! Li isso logo depois da noticia da revelação do Batman! Nunca ri tanto. Imagina a putaria se expalhando pelo mundo inteiro! kkkkkk…

    Muito bom Samila! Não gosto do tema, mas não deixo de reconhecer a qualidade do conto!

  • Vitor Vitali says:

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    HF WTFWT LMAO.
    -
    Essa deve ser uma das coisas mais escrotos que eu já li em muito tempo. Não gostei das descrições nem dá personalidade das personagens e ainda sim ficou fantástico. Ah!, como eu gosto de ler algo novo. É tão aliviante sair daquela mesma lenga-lenga de sempre, sempre a mesma coisa, sempre o mesmo texto, sempre as mesmas histórias e sempre do mesmo jeito. Adorei, muito bom. :)

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Agora, até eu tenho medo da Samila… Não que eu não esperasse algo assim, vindo da mente perversamente criativa, da garota do Norte, mas ela gosta de arrasar com os mitos… Achei a história sádica, o tema não me surpreendeu, mas é impossível não gostar da forma com que foi escrita. Provoca controvérsias na cabeça da gente, por mexer com heróis e bandidos, que eu admiro, por eles serem loucos…mas nunca tão loucos quanto a escritora aqui. Mais um ponto para a Samila, que já ganhou uma posição mais elevada no meu quadro de escritores favoritos.

    • Samila says:

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      HUHUAHUAAUHAUHA
      Medoo? XD
      que bom que gostou, Elcio… Sabe o quanto sua opinião é importante para mim, não sabe?
      e bem, ser chamada de mais louca que o Coringa é um put@ elogio! *-*
      Muito obrigada, Elcio!

  • Alex Tzimisce says:

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    Não tenho o que dizer né? Samila é incrivelmente fantástica! Que mente!
    O livro dela está em minha estante e mostro a todos que vão a minha casa não é à toa.
    Gosto muito de como escreve, e esse aqui me surpreendeu novamente!
    Parabéns!
    Que tensão voluptuosa…
    Ótimo!

    • Samila says:

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      Muito obrigada, meu querido, você não sae o quão feliz eu fiquei agora lendo seu comentário! E ‘tensão voluptuosa’ me pareceu uma ótima definição…. hahahah XD
      Beijos!

  • j.p.furtado says:

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    fiquei meio chocado kkkkkkkkkkkkkk

  • mindhazard says:

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    Não sou/era um leitor fiel do ONE,mas tenho um amigo que é e me convida muito pra vir dar uma olhada nos textos. Ele indicou muito os textos da Samila e…

    Tenho medo ._.

    Passarei mais vezes por aqui e procurarei seus outros textos, apesar do gênero, curti o jeito como escreve.

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