Oceano
Escritor: Aldo Fernando

Talvez seja fácil transportar-se para outro lugar. Fugir de si mesmo e dos problemas.
E talvez seja fácil começar uma história com um talvez, pois assim fugimos do esforço de procurar pela certeza. E continuamos no talvez.
A minha frente se estende um oceano infinito. Infinito de seres e possibilidades que não posso abraçar. Tenho medo de mergulhar e ser levado pelas ondas para ser despedaçado. E o mar se revolta cada vez mais ante a minha indecisão.
Estou na beira dos rochedos. As ondas do mar quebram violentamente. O céu é um quadro cinza pintado com a ira de quem comanda a natureza. Os raios mostram a fúria que eu devia ter. Pois não tenho a vontade, a mínima vontade, de me arriscar mais.
Aqui já não posso pensar mais. É mergulhar no infinito oceano. É tentar. (não, tentar não. Conseguir) É conseguir alcançar as profundezas. É lutar por cada segundo de vida. É nadar contra as correntezas, e destruir as incertezas. É alcançar a superfície e reclamar o ar que me é de direito, de que necessitam meus pulmões.
A cada braçada eu me sinto mais confiante. A cada respiração me sinto mais vivo. O “talvez” foi embora. Fica aqui a certeza. Eu posso. Eu enfrento. Eu acredito.
Este oceano sou eu, e eu não sabia o quanto eu era grande. Por quanto tempo me desconheci? Por quanto tempo acreditei que aquela pequena ilha rochosa onde eu estava era tudo? Tudo isso me faz querer nadar ainda mais. Porque eu quero conhecer. Quero pelo menos uma vez na vida saber que eu vivi. Quero saber que por um momento, um breve momento, eu mergulhei em meu próprio oceano e tornei-me senhor de meus próprios mares.
(…)
Esta é a sina do homem. O oceano muda suas correntes o tempo todo. O vento sopra pra todos os lados. Não existem portos seguros. E você está sozinho. E sem barco. Sem bússola. Só resta a coragem de ir em frente sem saber se aquele é o caminho correto. E ás vezes você nem sabe se está indo pra frente. E nem sabe se está saindo do lugar. E nem sabe…
(…)
Fúria do monstro azul que não tem rosto. Monstro que açoitado pelos ventos ataca os rochedos com toda a sua força. Potência natural, interna, faróis da consciência feitos de crenças, que lançam suas luesz sobre as águas, procurando por alguém, e talvez por ninguém. Sou eu procurando por mim mesmo, tentando me decifrar todos os dias em frente ao espelho d’água.
(…)
… e amanhã volto aos rochedos, e volto a mergulhar no oceano.
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Muito Bom!
Tocante ao estremo, me lembrou uma musica do Dance of Days, se chama Horizontes de Outono.
Parabens.
Como é essa música? Tem link ou algo assim? [pode passar por aqui?=]
hum, me lembrou o ‘eu pescador de mim’… não gosto do estilo, mas devo dizer que está mesmo muito bonito
obrigado pelo elogio. Mas esse ‘eu pescador de mim’ é um conto deste blog? Faz pouco tempo que estou por aqui, então não sei.
não, é um livrinho. é um romance com poesias.
Hum… então vou ver se acho esse livro vendendo. Deve ser interessante. (não por que você o comparou com o meu conto, hhehehehehe)
na verdade, eu não gosto muito do livro não… seu conto é melhor =D
Mt profundo, curti mesmo.
Opa, obrigado. Se bem que um Oceano tinha de ser profundo mesmo, heheh #piadafail
Opa!
Eu gosto desse conto, Aldo, gosto mesmo <3 Primeiro você escreve bem, todo conto que você faz já se torna no mínimo bom apenas por ter sido feito por você. E segundo pelo conto em si, porque ele me passa uma sensação legal – e é reflexivo sem ser maçante, o que é muito difícil de conseguir num texto reflexivo. E parabéns pelo conto ter sido publicado! =D
Que bom que você gostou tanto Luli. O que vc disse no começo do seu post eu digo o mesmo de vc e seus contos tbm, heh ^^.
Seria bom vc postar um por aqui. heh
bonito.Gostei mesmo.
Que bom que você gostou.
Vendo agora esse conto, eu percebo que trabalho melhor no improviso. Acho que é sempre mais agradável escrever sem saber o que vai acontecer no próximo parágrafo. Principalmente após a meia-noite, que foi a hora em que escrevi este conto.
Acho que a maioria dos escritores sempre escreve nesse horário. xD
Obrigado pelos elogios pessoal. De fato, esse não é o tipo de conto que escrevo sempre. Na verdade eu escrevo mais fanfics ou coisas afins. Contos e histórias originais não são o meu habitual. Mas gostei de fazer algo nessa linha.
Eu tive a idéia pra esse conto ao ler uma frase, em algum lugar, do escritor português José Saramago: “Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa somos nós.”
Então pensei em descrever tal coisa como um oceano. Um oceano infinito de seres e possibilidades…
Olha, ta bem escrito, ta bonito, ta profundo. Mas sei lá, não gostei. Achei sem graça. Me soa como um trecho de livro de auto ajuda, que muita escreve de diz e discorre pra não dizer nada no fim. Não sei, não me cativou.
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Uma coisa é certa, tu é um bom escritor, escreve bem, tem controle das palavras, mas não me agradou esse conto.
Obrigado pelas críticas, Tomás. Elas são sempre muito importantes.
E… quanto a eu ter controle das palavras, bem… acho que aí já é meio caminho andado. Porque justo elas ás vezes saem por aí e perdemos o controle, e aí a coisa desanda.
Concordo com o Tomás.
As descrições estão belíssimas e há maestria na composição do texto. Entretanto ele me pareceu vago a partir das reticências.
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De qualquer forma está muito bom. Quero ver mais contos teus por aqui.
Very, very, very, very FODA!
Vlw filósofo. E aliás, esse é um nick bemincomum, não? Ou tem a ver com o fato de que filosofar é “aprender a morrer?”
Ok, agora eu viajei. rs
Nossa, cada vez mais você surpreende Nando. Meus parabéns, ficou excelente!
Gostei.
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Realmente, como foi mencionado, há algumas partes que parecem auto-ajuda, no entanto gostei de como você escreve.
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Quero ver mais contos seus(mas com outra tematica).
Obrigado pelos últimos elogios. Eu não escrevi com intuito de auto-ajuda, e nem achei que esteja parecido com isso, mas é minha opinião. Um texto sempre muda a cada vez que é lido, pois cabeças diferentes o lêem. E isso é muito bacana de se ver, heh xD
Tenho outro conto pra postar aqui, com uma temática beeeem diferente deste, chamado “A Saga das Flores”. Vejamos o que o pessoal vai achar dele. Heh
Todo pessoal aí gostou. Tabmém gostei. Bem escrito, boa estrutura.
Também concordo. E ler textos que se passam no litoral tem um sabor a mais porque vivi muito tempo da minha longa vida (23 anos) no litoral apenas algumas quadras do mar…
que saudade do mar…agora o único mar que eu vejo é o mar de concreto e fumaça….
Achei filosófico de mais, não é o tipo de texto que me agrada. ):