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Dec
22
2010

A Janela para Nárnia – Parte IV

Escritor: André de Lima

Uma criança esgueirou-se entre a multidão fervorosa. Algo estava acontecendo na praça da cidade. Algo que há muito tempo não acontecia. Três garotos teriam que provar seu valor enfrentando o maior desafio que qualquer ser vivo poderia enfrentar e ela precisava ver o que aconteceria aos garotos. Precisava descobrir se toda a esperança que estava percorrendo a vila tinha fundamento.

Diziam que os três mosqueteiros haviam regressado para salvá-los. Precisava ser verdade. A criança conseguiu finalmente passar pelo último homem gordo e agora estava de frente a praça. Então ela viu e soube que as suas esperanças e também as dos cidadãos tinham fundamento. Três garotos estavam em pé, imponentes, com armaduras postas, prontos para enfrentar qualquer desafio que lhes fosse passado.

- EU NÃO QUERO MORRER! – Daniel gritava choramingando debaixo daquela armadura pesada e fedorenta.

- CALA A BOCA!               – Paulo gritou já irritado com tudo aquilo.

- Calma, gente. – Miguel falou tentando amansar os nervos dos seus amigos. – Precisamos descobrir como vamos escapar.

Os três garotos não tiveram tempo de pensar. Um  urro selvagem assustou eles e também as pessoas que os observavam.

UUUUUURRRAAA!!!

- O que foi isso? – Daniel perguntou apavorado encolhendo-se entre Paulo e Miguel.

- Não quero nem pensar no que possa ser. – Paulo respondeu puxando uma lança que estava guardada na parte de trás da sua armadura.

E eles não precisaram esperar pela resposta. Uma pessoa foi jogada para longe. Os três olharam e depararam com uma besta de quase três metros de altura. Cabeça peluda com dois chifres exageradamente salientes. Os olhos pequenos e negros estavam fixos nos três garotos vestindo armadura. O urro da besta fez até o esqueleto da pessoa mais corajosa tremer.

- Que merda é esse? – Paulo observava atônito aquele monstro crescer diante dos seus olhos. A besta bufou nervosa. O corpo musculoso aproximava-se lentamente dos três. Eles queriam correr, mas estavam paralisados diante da visão de uma morte pouco gloriosa e extremamente sofrida.

Um barulho de metal se batendo chamou a atenção de Paulo e Miguel. Eles olharam para trás, Daniel estava tremendo como um boneco de pano num vendaval.

- Que faremos? – Miguel perguntou num sussurro abafado pelo medo.

Paulo não respondeu e Miguel entendeu que dali eles não escapariam. A besta urrou e até o chão abaixo dos seus pés tremeram.

- CORRE! – Paulo conseguiu gritar e os dois viraram-se o mais rápido que aquela armadura pesada possibilitava. Eles puxaram Daniel pelo braço e correram fugindo. A besta urrou novamente e partiu para a perseguição.

- Esses três garotos são notáveis. – falou um dos homens ao lado do ancião. – Já descobriram o ponto fraco do Minotauro.

1 Comment»

  • Lucas M. de Freitas says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Cara, gostei do estilo direto e debochado, lembra muito meus contos. Ótimo título, e final bem legal(na minha opinião o que faz um texto valer a pena).
    Parabéns.

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Publicado por André de Lima

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