Águia – Parte 2
Escritora: Samila

Tudo começou com uma admiração ímpar da parte dela, e um desejo doentio da parte dele.
Beatrice era seu nome, mas Voz-das-Fadas era como todos a chamavam. Nasceu na Irlanda, sob a lua-quase-cheia, filha de uma bela descendente Celta, e um magnífico lobo cinzento. Diziam que até o choro do seu nascimento parecia os sinos dos lírios-do-vale sendo balançados pelas delicadas e pequenas mãos das fadas.
Abençoada desde então pelo espírito da canção que se formava pela passagem do vento por entre as folhas das arvores, detentora então de toda a beleza expressa nos floridos leitos dos lagos que se formavam por entre os vales das montanhas.
Primorosa, graciosa.
De rosto delicado, andar elegante, gestos suaves, cabelos perfumados e curvas perfeitas. Sangue real, a majestade do povo mágico que habitava os sonhos. Provavelmente o espírito perdido de uma Sidhe, que por um acaso acabou adentrando o corpo de uma Garou sem saber que seu lugar na verdade era Arcádia.
Com tantas qualidades, que não era de se estranhar que lhe caíssem de amores os homens e as bestas. E como não haveria se cair de amores também o ser que se encontrava na perfeita harmonia da existência entre essas duas criaturas?
Tempestade-de-Raios era um dos maiores guerreiros que se tinha notícias. Sangue-puro, príncipe dos nobres Presas de Prata; nascido sob o esplendor da meia-lua, detinha a sabedoria esperada de um Philodox, aliada à força, coragem e honradez de um digno guerreiro disposto a dar sua vida enquanto lutava por Gaia.
Sendo o alfa da matilha cuja Voz-das-Fadas fazia parte, teve o privilégio de conhecê-la, observá-la e conviver com a doçura de suas ações. E quanto mais ele a olhava e a ouvia, mais ele a queria, e mais ele a seduzia.
Para alguém na posição de Tempestade-de-Raios, eram inadmissíveis suas ações. Para alguém que tinha como obrigação perante a Mãe e a Irmã conhecer as tradições e esforçar-se para que os outros as mantivessem; para alguém que sabia recitar de cor a Sagrada Litania Detentora de Todas as Verdades.
Como poderia logo Tempestade-de-Raios quebrar justamente o primeiro mandamento?
E como poderia tê-lo feito com a pobre Voz-das-Fadas?
Beatrice, obviamente, tentou lutar contra aquela paixão. Sabia que além de proibido, era errado. Mas como lutar contra o amor, um sentimento tão denso e indomável? Como fazê-lo, quando tinha contra si os fortes braços de um legítimo príncipe, tão doce e gentil?
Entregou-se, então, mesmo repleta de receios e fantasias em sua mente, sempre povoada por incríveis histórias de amores impossíveis e desgraças sem fim. Quando se deu conta, haviam-se passado três Luas, e nada de seu sangue descer.
O pânico se instalou em seu coração aflito, e a vergonha abalou toda a honra conquistada em dezenas de batalhas regadas a morte. Mas, mesmo assim, ela não conseguiu se sentir culpada. Como seria culpada, se tinha em seu ventre apenas o puro fruto de um genuíno amor? Encheu-se então de coragem, e com sua bela voz e o mais encantador dos sorrisos nos lábios, deu a grande notícia a Tempestade-de-Raios.
Era noite, e a Lua quase cheia observava o casal, um tanto apiedada, um tanto delirante. A resposta ao contentamento e resignação de Beatrice foi simples e objetiva: uma pata repleta de afiadas garras jogada com violência contra o rosto de fada, e em seguida um ameaçador rosnado, para que procurasse a Theurge da matilha e pedisse por alguma erva abortiva. E que ninguém soubesse que ele estava envolvido, é claro.
Afinal, ele estava certo em não querer sua linhagem maculada pelo nascimento de um impuro.
Mas a Lua, louca e furiosa, não haveria de deixar aquele gesto de apatia e deslealdade impunes – e com seus prateados raios permitiu que sua própria revolta se externasse através do corpo de Beatrice, e pela primeira vez em toda a história, a voz da Voz-das-Fadas não soou tão doce quanto costumava.
Em um grunhido bestial, a bela descendente das fadas transformou-se em monstro e se jogou contra seu ex-amante – e com a ira mortal que apenas uma mãe poderia ter, enfiou as poderosas presas no pescoço daquele que renegara a seu amor e a seu filho.
Se não o matou, foi apenas porque os outros membros da matilha, aflitos ao sentirem o forte cheiro do sangue fétido que lhe escapava pela boca, intervieram para salvar o Alfa.
Sabendo que seria considerada a errada, e sabendo que os outros também insistiriam para que ela se livrasse do pecado guardado em seu ventre, olhou para a Lua e ouviu a canção do vento. Fechou os olhos, e como se fosse cega, seguiu o invisível.
E então fugiu, o mais rápido que pode, para o mais longe que pode.
Sozinha, sozinhos…
Voz-das-Fadas e seu filhote amaldiçoado.
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É, cara… Braba a história do Águia. Desprezado antes mesmo de nascer, destino muito triste…
-
Mas por falar na história desse carinha aí, onde está a segunda parte de Carlo, dona Samila? Se você postou no Nyah! eu não vi ainda… -,-’
Quero saber como o Carlo virou vampiro, caramba! Aliás, quero o capítulo 17 de Purest, porque a situação em que você deixou o Carlo e o Águia… foi tensa. o.O’
Ahahaha, bem… o carlo falta escrever, e o Purest… er…
esse eu nem comento ainda, pq a coisa tá tensa mesmo, principalmente para a escritora XD
Finalmente,não via a hora de ler a continuação.muito bom.Você nunca deixa a desejar.
Obrigada, Thiná fofa *-*
Samila_senpai
Continuação perfeitaaaaaaaaaaa xD
opa! continuação já sendo escrita, meu bem! =D
Muito bom! Nem vou dizer que sou fã da Samila…
Esta estoria me agrada bastante, Parabens Sami.
Opa! opbrigada, Vini.
que bom que estás gostando da história! eu pelo menos tenho gostado de escrevê-la, explorar essa sociedade estranha que é a dos garou ^^
Garous as criaturas de coração furioso,cheios de paixão,algumas vezes os mais jovens ficam confusos com sua missão ,vivendo um drama que os afasta de tudo que é racional , capazes de qualquer ato selvagem e ao mesmo tempo protetor.
Saudades de quando eu jogava xD
HUahauha
sim, esperimento essa mesma saudade, em peso ainda maior, pois o águia era o personagem com o qual eu jogava XD
Significado de Samila
PODEROSA E SUBLIME.
Combina com a senpai xD
UHAHuahaa! que chique!
Embora estivesse curioso por essa continuação, devo dizer que pra mim esse capitulo foi um tanto neutro.
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Gostei dos primeiros paragrafos ( sabe Deus pq. Talvez tenha sido a forma como usou as palavras)
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Mas mesmo assim, estou loco pra saber o que acontece.
Ele foi realmentte neutro, afinal, é apenas um relato do passado do passado – tanto que o nome de Águia nem é tocado.
o próximo sera neutro também, embora um pouco menos, e a seguir eles passam a trat do passado do Águia propriamente dito.
Bacana… continuidade ao prologo… onde está realmente a história?
A história de fato está em ‘a mais pura forma de amor’ =D
Zueira, mals, mas vai continuar nesse climinha de passado por mais um cap. minha maior intenção com Águia é deixar mais claro o ambiente e o pq do Águia ser como é.
Não espere muita ação dessa história, mas sim drama.
Bem legal. Fui atrás da primeira parte e voltei pra ler essa.
Gostei do estilo de escrita.
Opa! que bom =D
esse estilo sou eu tentando resgatar o tempo que eu jogava RPG XD
Lindo,amei!
quer dizer que águia não teve o melhor dos pais.
Espero uma continuação,viu dona Samila! Õ_o
o pai dele era literalmente um cachorro u_u
e bem, a continuação… errr….