Contos na Gaveta – As Ciências de Um Beco
Escritor: Andrey Ximenez

Tem certas coisas que a ciência, de qualquer espécie, não explica.
Era noite, a lua cheia preenchia o céu de Kyoto com sua luz límpida e brilhante. O ano era 1851, marca de uma nova era no Japão. Uma era sangrenta e revolucionária, apontaria, com toda certeza, algum especialista de história. Mas de ciência, obviamente, não precisamos aqui.
Era tarde quando o homem decidira sair da hospedaria onde bebia. O sake não apresentava um gosto bom em sua boca já fazia algum tempo, e isso dizia que o problema era com ele. Foi com esse tipo de pensamento que seguiu pelas ruas de Kyoto, a passos lentos, observando o espaço vazio, carente de pessoas àquela hora, sendo iluminado pela luz celestial.
Por sua vez, outro homem saía da casa de um amigo próximo dali. Era tarde, e amanhã seria um dia longo e cansativo. Foi com tal sorte de idéia que cruzava os caminhos da cidade, decidindo-se, por fim, tomar um atalho, que no fim das contas lhe daria mais meia-hora de sono.
Enveredou num beco, para cruzar mais facilmente os bairros. Nas laterais do caminho estreito algumas lâmpadas de papel iluminavam parcamente as paredes das casas ali presentes. Foi essa luz que permitiu aos dois homens reconhecerem-se mesmo distantes um do outro.
O primeiro apoiava a mão direita displicentemente sobre a empunhadura de sua espada presa à cintura. Possuía cabelos negros como o kimono que vestia, presos sob o nó forte de um coque. Já o segundo trajava vestes de um tom escarlate brilhante, apresentando um corte de cabelo tradicional aos samurais de sua casta elevada.
Analisaram-se durante alguns segundos. O primeiro reconheceu então o segundo. Era o tipo de pessoa que dispensava apresentações sendo um dos altos comandantes do exército, tratava-se de um homem visado por sua organização.
Já o segundo pode reparar que, na mão que estava pousada sobre a katana, faltava o dedo mindinho. Não poderia estar enganado. Um espadachim, canhoto, e sem um dedo não era comum por ali. Só poderia ser o assassino revolucionário que exterminara tanto dos seus. Homem de técnica invejável e espada pesada como os poucos que viram e sobreviveram ousaram contar.
Do resultado desse encontro, o que um homem de ciência poderia dizer?
Diria por certo que houve um embate. Embate este que terminara em empate, uma vez que ambos estejam mortos, lado a lado. Talvez um olhar um pouco mais atento dissesse que o combate tenha apresentado poucos golpes, uma vez que sangue encontrava-se espirrado somente em uma das paredes e diagonalmente no chão, um pouco atrás do samurai.
Ainda poderíamos contar com um perito espadachim, que diria que a espada do assassino retalhador ficou trincada, efeito esse causado por um golpe efetuado pelo segundo homem, que não causara seu máximo impacto pela desconcentração causada pelo sake que bebera demasiadamente.
Um médico ainda apontaria o fato de que o homem que não possuía um dedo tenha recebido o corte fatal na linha do abdômen, sendo assim, demorara alguns instantes para morrer, fato que não acontecera com o da roupa escarlate, que recebera o golpe no pescoço, tendo a lamina descido até boa parte de seu tórax, causando-lhe uma morte quase que instantânea.
Porém, contudo, entretanto, todavia: Não sou um homem de ciência.
O que eu posso dizer sobre esse encontro baseia-se em um curto diálogo.
- É chegada minha hora, então? – perguntou o homem de roupas tradicionais.
- Esse encontro não fora marcado pelos meus superiores. – respondera, calmamente, o de vestes negras.
- Mera casualidade… – deixou pendendo as palavras no ar, enquanto esboçava um sorriso leve para seu inimigo político.
- Sim, mera casualidade – respondeu o interlocutor, devolvendo o sorriso do oponente.
- Bem, sabemos que não deixará essa oportunidade passar, não é mesmo? – disse o samurai, soltando a bainha da cintura num gesto tranqüilo e lento.
- Exato. Será um prazer cruzar armas com alguém de notaria habilidade – respondeu o assassino, sacando com a mão esquerda sua espada.
- Devolvo suas palavras – disse, sacando sua espada para acompanhar a do adversário.
Analisaram-se ainda durante algum tempo, até que o segundo homem cortou o silêncio.
- Meu nome é Matsuo Ikeda. – preparando-se então para o inicio do combate. Porém a voz do homem de cabelos negros soou em resposta.
- Meu nome é Hiroshiro Iba. – empregando, por fim, um sorriso acompanhado de uma leve reverência.
O samurai surpreendeu-se com aquela conduta, respondendo em seguida – É um prazer conhecê-lo, Iba-san.
O resto que fique pra ciência. Por que nada, nada explica aquilo que não tem haver com os resultados e somas de uma equação.
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Poizeh…
-
Embora eu goste do tema( serio, curto pra caramba), devo dizer que, seus textos já me agradaram mais Andrey.
Poizeh Jessé. Tem textos meus q eu tb não gosto. Esse é um deles. Lembra-te q qnd eu criticava o texto dos outros reclamavam de mim pq eu só escrevia coisa boa. Pode esperar, a série “Contos na Gaveta” só terá coisa ruim

Prometo!
Tô acreditando em você. Hein?Não me decepcione. É eu tbm não gostei muito desse não.
nossa, você escrevia de maneira pomposa o.o
mas respeito da história, meu comentário é:
“hã?”
muito sem sentido, Andrey. Bem escrito até, mas… Hã?
Esse seu “hã?” caiu como uma luva.
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E bom… Tenho que descordar de vc Andrey. A serie “Contos de Gaveta” já apresentou contos qe eu gostei. Portanto não terá apenas coisas ruins. (Mas o ponto de vista varia de leitor para leitor)
Poizeh… esse conto foi um teste quando eu ainda estava definindo minha técnica de escrita. como a samila mesmo reparou, trata-se de algo mais pomposo, mt diferente da minha escrita atual que é direta e crua.
-
qnt a história, é simples. falas sobre pontos de vista, como as vezes as opiniões, estudos e demais ciências não dizem absolutamente nada sobre alguém. E q a gentiliza mora mesmo nos lugares mais estranhos. Mas ainda assim, é o tipo de texto q eu releio e vejo q tem um problema. Não sei dizer qual, mas tem. Por isso veio pra ca.
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Pode ser q aki, nos contos da gaveta, apareçam textos bons… mas serão sempre incompletos, de um jeito ou de outro.
Com certeza é algo bem diferente do que estamos acostumados a ler do andrey.
Mas, para mim, isso não torna confuso esse texto. Tá pomposo? tá!
Eu acho que esse texto é muito mais sutil que os que vocês estão acostumados a ler. Não só do Andrey, mas de outros escritores. Não que sejam superficiais, mas com temas que jogam a intenção muito na cara, muito explicito.
Mas veja bem, eu não estou defendendo esse texto, falando que é bom. Só que é algo diferente. (nem to dizendo que é ruim…tirem vcs suas conclusões)
verdade isso que o Vinicius falou, está bem sutil mesmo… sutil demais, eu achei.
Pois é Samila, ficou algo bem despretensioso! xD
Eu vim pra responder um comentário da Asami, cade ele???
Ei!!! Eu comentei!!! Acho que deu a louca no ONE… mimimimimi…
O que eu disse, basicamente, foi que ficou realmente diferente dos seus contos atuais, mas eu entendi bem a mensagem que você queria passar e achei legal. Mas por que meu comment não chegou??? POR QUE? Ç_ç
Agora chegou dona Asami!
-
O segredo será revelado só bem mais pra frente.
-
Mas fico feliz que esteja gostando.
-
=]
Heheheheh
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comentário no lugar errado.
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Esse conto é o tipo de texto que nem sei… q nem diria minha excelentissíma, acho que tomei um “drink exótico” quando fui escrever esse ai.
-
xD
Ei ei, pessoal. É que alguns comentários que foram postados na segunda, terca e quarta, se perderam, por causa do problema do banco de dados.
–
Foi mal se eles sumiram, mas pelo menos o site voltou sem grandes cicatrizes.
–
Não tem bloqueei não Asami!
Bem… li isso meio atrasada, mas tá valendo
Nem pensei na hipótese de ser bloqueada. Achei que meu pc tivesse pifado, ou que um monstro devorador de comments estava solto aqui, cheguei até a achar que eu mesma tivesse postado o comentário no lugar errado :O
-
Tomara que o ONE já esteja todo curadinho, se não, desejo melhoras =D
Gostei do conto. Gosto de samurais, acho que foi por isso.
–
Bem, não sei se já perguntei isso, ou se já foi explicado, mas a série Contos na Gaveta tem qual propósito? São contos a muito escritos e que estão guardados? Explique!
E ai tche… qnt tempo que não apareço por aqui!
-
Feliz 2011 para todos \o/
-
Minha ausência aqui se deve ao fato de eu só entrar na net na faculdade, então ai vcs já viram neh, férias…
-
Quanto à série Contos na Gaveta, Guns, é simples. São contos a muito escritos, e que mostram o meu inicio como escritor, onde nem meu estilo nem minha técnica estavam definidos.
O propósito é até mostrar uma pequena evolução de lá pra cá e, como já disse, todos esses contos tem alguma particularidade que eu reprovo, mas q não sei como consertar. Ainda assim gosto deles.
=]
Abraço!
(Não sei qnd volto >.<)
Espero que volte logo.
yay, samurai versus ninja! Coisa de nerd.
De fato, a primeira coisa que me atraiu foi o título e já estava para ler desde que surgiu na agenda, mas só fui parar para ler agora. “ciências de um beco” soa bem demais.
A transição do Japão feudal para um mundo vitorano e industrializado sem dúvidas deve ter causado um impacto brutal nas vidas e concepções das pessoas da época. Como historiadora quase formada, lamento não ter feito a matéria de história da Ásia e aprendido mais sobre esse período, além dos pontos mais gerais vistos em história contemporânea e um pouco quando estudei as intervenções norte-americanas no pacífico.
A sensação que esse conto me passa, pela linguagem e clima, é de observador ocidental imerso na época (o tom do texto É vitoriano – pelo menos você me convenceu disso) e interessado nas particularidades do Japão do período.
O embate dos dois homens não é só da análise posterior ao final deixado para os investigadores, realmente representa dado período da história japonesa.
Gostei bastante.
Valeu Aninha.
-
Realmente a visão é vitoriana quanto ao ocorrido. Esse texto é fruto de muito estudo sobre a sociedade japonesa feudal, inspirado também em Samurai X, clássico, onde se retrata o momento em que revolucionários se utilizam de espadachins de castas baixas, não samurais, para realizarem assassinatos com o objetivo de minar o xogunato.
Enfim, nesse texto me permiti urilizar uma prosa poética para retratar o momento histórico onde a honra e o respeito japoneses estavam lentamente se perdendo com a chegada dos estrangeiros. De fato, não sou um historiador, por isso fico feliz em ter agradado uma