O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Contos

Contos

Lista de contos publicados no ONE.

Poesias

Poesias

Lista de poesias publicadas no ONE.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Notícias

Notícias

Veja o que está rolando no mundo literário nerd.

Promoções

Promoções

Aqui você pode ganhar livros e outros prêmios em sua casa.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Anuncie Aqui!

Papo na Estante

Papo na Estante

O nosso podcast de literatura.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Nerdoteca

Nerdoteca

Os livros que todo nerd deveria ler.

A Batalha do Apocalipse
Autógrafos

Autógrafos

Em breve! :)

Anuncie Aqui!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Dec
15
2010

Maria Sangrenta

Escritor: Batuta Ribeiro

Luizinho entrou em casa carregando o espelho que comprou em uma loja de antiguidades. Sua esposa Beatriz, esbravejou ao saber que ele tinha desembolsado trinta reais pelo artefato.
- Você tem o miolo mole? – falou enquanto batia o dedo indicador na testa dele – Pra que um espelho se já temos três?
- Calma benzinho, sente só a moldura – Luizinho passou os dedos na moldura dourada – o dono da loja me disse que é do século dezoito, uma raridade.
- Pode ser do século que o parta seu desgraçado, minha casa não é museu, pode tratar de devolver.

- De jeito nenhum, eu comprei com o meu dinheiro – demonstrou firmeza, mesmo sabendo que poderia levar um tapa no pé do ouvido. A esposa respirou fundo e contou até dez.
- Tudo bem Luiz, se vai ficar com este espelho, ótimo, só que pode me esquecer – foi para a cozinha pisando duro. Luizinho pensou em ir atrás dela e fazer a sua vontade, só que refletiu “eu sou homem, o rei do castelo, faço o que quiser”, e levou seu espelho para o porão.

No dia seguinte, Luizinho estava na academia de musculação. Apesar de ter pouca massa cinzenta, gostava de trabalhar os bíceps. Enquanto erguia um peso de oitenta quilos, seu amigo Paulo aproximou-se, usava uma camisetinha regata que deixava a mostra seu peito depilado e seus braços cheios de nervos suados.
- Quais as novidades?
- Ontem comprei um espelho do século dezoito, acredita?
- Nossa! – exultou o amigo com a grande notícia, só que depois de processar a informação, estranhou:
- O que é século dezoito?
- Sei lá Paulo, só sei que o espelho é raro.
- Raro?
- Raro é uma coisa difícil de encontrar.
- Legal.
- Também achei, só que Beatriz não gostou muito, queria que eu devolvesse.
- E o que você fez?
- Na minha casa quem manda é Luizinho, o fera! – se rejubilou.
- Falando em espelho, você conhece a Maria Sangrenta?
- Não, onde ela mora?
- É uma lenda urbana – Paulo baixou a voz e com seriedade completou – Se você disser Maria Sangrenta três vezes diante do espelho… Ela aparece.
Luizinho ouviu com atenção, olhou para o amigo esperando que ele completasse a frase, com a quietude dele, perguntou pausadamente:
- Se eu falar Maria Sangrenta três vezes, quem vai aparecer?
- A Maria Sangrenta.
- Mas quem é essa tal Maria?
- É uma mulher que aparece no espelho e lhe arranca os olhos.
- Porque ela faria isso?
- É uma lenda cacete! Como eu vou saber? – irritou-se Paulo.
Após um breve silêncio de constrangimento, o outro ainda pergunta:
- E se o cara for cego?

A noite, Luizinho deitou-se ao lado de Beatriz fazendo chamego pra molhar o biscoito, porém ela o afastou com o braço.
- Só depois que você devolver o espelho – intimou.
- Por causa de uma porcaria de espelho?
- Se é porcaria porque comprou?
- Porque eu quis – respondeu ríspido.
- Então vai curar a coceira com o seu espelho.
- Talvez eu vá.
- Vai.
- Eu vou.
Beatriz ficou de costas para Luizinho. Mesmo que o sexo fosse importante, ele não poderia abrir mão de sua masculinidade submetendo-se as ordens da esposa. Tinha que ser firme. Mostrar pulso.

E assim sucedeu-se, depois de uma semana, Luizinho procurava pretextos para devolver o espelho, poderia argumentar que ele não era do século dezoito ou que não fazia o seu tipo. Seria um grande tapa em sua dignidade, mas um homem não pode viver só de masturbação.
- Não! Não vou dar este gosto a Beatriz! – falou para seu reflexo no espelho – tenho que demonstrar viri… vili… viliri… viridade… droga – esmurrou a coluna não sabendo pronunciar “virilidade” mesmo que não soubesse o significado, mas era uma palavra muito usada nas revistas de musculação para descrever homens fortes.
Algo surpreendentemente inesperado aconteceu naquele instante. Luizinho teve uma idéia. “Se não tem cachorro, caço com gato”.
Mirou-se no espelho e falou:
- Maria Sangrenta! Maria Sangrenta! Maria Sangrenta!
Vasculhou o espelho em busca de uma mulher.
- Deve estar quebrado – deu uns tapas na moldura. Sentiu uma presença atrás de si e virou-se em um pulo. Quando ficou de costas, Maria apareceu no espelho. Os seus olhos eram buracos negros e por sua face escorriam lágrimas de sangue.
Ao virar-se de volta e ver aquela estranha figura, Luizinho disse:
- Ainda bem que você apareceu, preciso de você.
- Não sabe quem eu sou? – perguntou ela mostrando os dentes podres e amarelados. Luizinho afastou-se de nojo.
- Meu Deus, você não conhece escova de dentes?
- Eu quero os seus olhos.
- Se quiser os meus olhos, vai ter que levar o pacote completo.
Luizinho tirou a camiseta exibindo os seus peitos trabalhados arduamente com cento e cinqüenta flexões diárias e detalhe para a barriga tanquinho.
- O que você pensa que está fazendo?
- Eu to na seca mulher!
Como se tivesse olhos, ela o examinou dos pés a cabeça e comentou:
- Quer saber, fui.
A mulher desapareceu.
- Qual é!? Só quero uma trepadinha! – reclamou Luizinho.
Ele observou o seu rosto no espelho, inflou os músculo e cheirou o sobaco. Depois deu de ombros
- Pelo menos fiquei com os olhos.


Categorias: Agenda,Contos | Tags: , ,

5 Comments»

  • Thainá Gomes says:

    Thumb up 0 Thumb down 2

    Eu ri, só que achei esse Luizinho e o amigo dele bem burros mesmo.

  • Peregrina says:

    Thumb up 1 Thumb down 0

    Eu ri muito.Fiquei até com pena da Maria.

  • Samila says:

    Thumb up 0 Thumb down 1

    UAHHAUAHUAHA
    adorei!
    só não gostei muito dos estereótipos do protagonista e seu amigo

  • Flavio Silva says:

    Thumb up 0 Thumb down 1

    Parabéns

    texto bem divertido.

    Valeu-se de personagens estereotipados mesmo, como apontou a Samila, mas dentro da proposta do humor fácil,se saiu muito bem.

    Acho ainda que isso dá uma série, hein.
    Apesar de não gostar do nome Luisinho e achar que nenhum marombado gosta de nomes no diminutivo. Este cara poderia voltar em outros “enfrentamentos sobrenaturais”. Ia ser da hora o cabra querendo dar uns tapas no saci que fica trocando os pesos de seus alteres, ou o corpo-seco, a loira do banheiro, a mulher de algodão ou até a mula sem cabeça!

    hahaha!

    Acho que to viajando.

    Parabéns, continue a mandar contos engraçados assim, pois voc~e faz bem isso.

  • Asami says:

    Thumb up 1 Thumb down 0

    Hahahahahahahahahahahahahahahahahahaaaa… muito divertido mesmo! Faço minhas as palavras do Flávio. Isso dá uma série e uma das boas. Muito criativo e cômico, adorei :D

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Publicado por Batuta Ribeiro

– que publicou 3 textos no ONE.

Nascido em Jacutinga/MG.

>> Confira outros textos de Batuta Ribeiro

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui... >> Fale com ONE <<

Powered by WordPress. © 2009-2013 J. G. Valério