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Dec
22
2010

Whatever Happened

Escritor: Lucas Carvalho

Eu nunca pude entender, mas um olhar rápido e de canto de olho poderia sublimar qualquer resquício de dureza que pudesse haver no mundo. Sob meus passos cambaleantes, comprovadamente ébrios, eu estava completamente são da situação: Avenida Paulista, 3 da manhã e eu estava sozinho como se estivesse numa cidade pequena, tão sozinho quando nunca estive, exceto por única garota, tão sozinha quanto eu.

Ela estava andando há 5 ou 6 metros atras de mim com passos bem mais firmes que, entretanto, soavam medrosos e apreensivos a cada batida seca do salto baixo na calçada. Ela estava assustada. Diminuí o ritmo dos meus passos para que eu pudesse estar mais proximo, e eu também não entendo porque fiz isso. Logo estávamos no mesmo meridiano. Eu acho que estava com tanto medo quanto ela. Então ela olhou. E então meu ombro foi puxado por algo que eu não sei o que é, é sério, ele era realmente puxado. Magnetizado. Eu estava mais proximo dela agora e ela, ao contrário do que seria óbvio presumir, não se afastou. Tampouco pareceu dar atenção. E então aproximamos os ombros, os braços e demos as mãos. Caminhamos lentamente por mais de um quilômetro, o metrô estava fechado, bem como os meus sentidos. Não sei a respeito dos dela: não trocamos uma só palavra, um só sorriso. Nos comunicamos atraves de um olhar inicial e pelo calor das mãos, e mais nada. E então ela me soltou, virou na Brigadeiro Luís Antônio. O que ela pensou, o que ela sentiu e o que nos motivou são dúvidas que permaneceram em mim por muito tempo. O brilho dela era como o do vidro, angular e subjetivo – quanto mais eu procurava algo, mais eu via o outro lado. Mais eu via mais. Do mesmo que eu viria sem ela.

Lucas Carvalho


Written by Lucas Carvalho in: Agenda,Contos,Lucas Carvalho |

7 Comments»

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    Me desculpa Lucas, mas há uma série de erros primários neste conto.

    1º Se você escreve em português, porque o titulo em inglês???

    2° Parágrafos??? Um parágrafo é uma ideia, pensamento ou ponto principal. Entretanto no último parágrafo há umas 15 idéias.

    É uma boa história, poderia ser mais desenvolvida e ter os parágrafos devidamente separados, mas continua sendo uma história intrigante.

  • Lucas Carvalho says:

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    Obrigado pelos comentários, Rainier.

    Sobre o título em inglês, foi o primeiro que apareceu na minha cabeça pra representar o que eu queria: algo como “o que quer que tenha acontecido, foi intrigante” ou “o que quer que tenha acontecido, merece ser contado”. Como eu leio muito em inglês, a expressão whatever happened foi a primeira que veio na minha cabeça e eu resolvi não negar o ímpeto de usá-la só por estar em outra língua. Além do que, nenhuma expressão em português com o mesmo significado ficaria tão sonora.

    Sobre o parágrafo, mea culpa, não atentei pra isso. Na verdade, é um conto feito “por demanda” (leia-se redação) e com limite de linhas – além disso, eu não vi mais o que desenvolver. Além de ser de gaveta (tem bem mais de 1 ano). Eu me incomodo mais com a mania de períodos curtos, pode ver, as frases são todas pequenas e o parágrafo é lotado de pontos finais. E essa é uma coisa que sempre faço e tenho que ficar atento para não repetir.

    Leio o ONE faz um tempo, mas sempre tive preguiça e vergonha de publicar. Já coloquei dois contos mais, espero que apareçam na agenda em breve. Ambos também tem títulos em inglês (hehe), mas estão devidamente justificados no topo. E são maiores e melhores (eu acho) também, embora tão antigos quanto.

    Mais uma vez, agradeço a atenção. Há braços!

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Sei como é esta vergonha, tbm levei quase um ano para enviar algum material. Diga-se de passagem, meu primeiro conto ainda está na agenda! (Fazendo, em breve, aniversário.)

      Não tenha vergonha, o começo sempre é difícil. Mas depois você vai pegando o jeito da coisa. :)

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