O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Contos

Contos

Lista de contos publicados no ONE.

Poesias

Poesias

Lista de poesias publicadas no ONE.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Notícias

Notícias

Veja o que está rolando no mundo literário nerd.

Promoções

Promoções

Aqui você pode ganhar livros e outros prêmios em sua casa.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Anuncie Aqui!

Papo na Estante

Papo na Estante

O nosso podcast de literatura.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Nerdoteca

Nerdoteca

Os livros que todo nerd deveria ler.

A Batalha do Apocalipse
Autógrafos

Autógrafos

Em breve! :)

Anuncie Aqui!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Jan
22
2011

30 de Fevereiro

Escritor: Rafael Padovan

Já estava cansado. Trabalhou o dia todo. Não tinha ar-condicionado e estava de terno. 32º C. Estava de terno. Voltando para casa de trem e, como todos os outros dias, pensava que este poderia ser o último dia que fosse trabalhar.

- Isso não é verdade, isso não aconteceu. O trem, o trabalho e a temperatura, não foi assim.

- Tá bem, não foi assim. Estava 34ºC. Você estava no meio da rua, de terno, era um daqueles dias que não bate um ventinho, pelo menos, para refrescar, não tinha dinheiro para comprar água, carregando uma pasta que não sabia o que tinha dentro para um lugar que não sabia onde era.

- Como você é mentiroso, eu sabia para onde estava levando a pasta.

De repente, uma dessas mulheres que você só vê uma vez na vida, linda, parou e perguntou para ele – “você tem fogo?”. Ele não fuma. Ele não tem.

- Ei, você não sabe contar histórias! Você inventa as coisas! Essa mulher nunca apareceu.

- Não apareceu mas, poderia ter aparecido, é uma possibilidade.

De repente, uma dessas mulheres que você só vê uma vez na vida, linda, parou e perguntou para ele – “você tem fogo?”. Ele não fuma. Ele não tem. Ele fala que não tem. Ela diz obrigado. Vai embora.

Ele continuou caminhando, suado, parecia derreter debaixo do terno. Devido ao sol e cansaço não olhou para atravessar a rua. Vinha um carro. Ele não chegou ao outro lado da rua. Na verdade, chegou mas, não da forma que tinha planejado.

Formou-se um congestionamento rapidamente. A ambulância buzinava várias vezes para que os outros motoristas lhe dessem passagem. Enfim, chegou ao local onde foi chamada.

- O que houve aqui ?

- Eu não sei, o farol estava aberto para mim e ele apareceu na frente do carro de repente.

Os médicos da ambulância o socorreram. Levaram-no para o hospital mais próximo. Quando acordou, descobriu que tinha quebrado uma perna e que tinha um enorme galo na cabeça. Ele estava numa enfermaria, tinha várias outras pessoas, alguns pior e outros melhor que ele. A enfermeira veio vê-lo, perguntou se lembrava o que tinha acontecido. Ele disse que não. Então, ele descobriu que não tinha quebrado uma perna, tinha perdido uma perna, estava com diversos machucados pelo corpo e um galo enorme na cabeça.

Em choque, começou a chorar desesperadamente. A enfermeira, de certa forma já acostumada com isso, tentou consola-lo da melhor forma mas, vendo que ela nada podia fazer, decidiu deixa-lo sozinho.

Ele continuava chorando demais, de repente sua vida mudara totalmente. De repente, não tinha uma das pernas. Como seria agora? O que faria agora? Como iria trabalhar? Usaria uma prótese no lugar da perna? E agora?

- Ainda bem que isso não aconteceu.

- Exato! Mas, é uma possibilidade.

- Possibilidades.

Estava 34ºC. Ele estava no meio da rua, de terno, era um daqueles dias que não bate um ventinho, pelo menos, para refrescar. Não tinha dinheiro para comprar água. Levava uma pasta pesada e cheia de documentos da empresa. Caminhava devagar pois, já estava muito cansado. A empresa estava a cerca de 800 metros e ele pensava “cada passo é um passo a menos”. Por mais que as condições lhe parecessem desfavoráveis, sempre mantinha o otimismo, mesmo quando o salário no final do mês não veio certo e o chefe lhe disse que a empresa não tinha dinheiro para lhe pagar. Mesmo quando descobriu que tomou uma multa por estacionamento em local proibido, mesmo sendo o lugar que estaciona há anos e nunca aconteceu nada. Mesmo quando seu último cigarro caiu no chão e não tinha dinheiro para comprar mais pois, a empresa não pagou o salário inteiro. Mesmo assim, sempre via as coisas pelo lado positivo, “a empresa vai me pagar com juros”; “poderiam ter roubado meu carro, só fui multado e, ainda, eu estava errado”; “é um sinal para parar de fumar”.

Agora só faltavam uns 500 metros. O celular começou a tocar. Era o chefe perguntando se ele iria demorar. Ele disse que estava perto.

Todos ouviram freadas de carro e quando ele virou para ver o que estava acontecendo, não viu. O carro já tinha o atingido.

Formou-se um congestionamento rapidamente, a ambulância buzinava várias vezes para que os outros motoristas lhe dessem passagem. Enfim, chegou ao local onde foi chamada.

- O que houve aqui ?

- Eu não sei, de repente eu perdi o controle do carro.

Os médicos da ambulância o socorreram. Levaram-no para o hospital mais próximo. Quando acordou, descobriu que tinha quebrado uma perna e que tinha um enorme galo na cabeça. Ele estava numa enfermaria, tinha várias outras pessoas, alguns pior e outros melhor que ele. A enfermeira veio vê-lo, perguntou se lembrava o que tinha acontecido. Ele disse que não. Então, ele descobriu que não tinha quebrado uma perna, tinha perdido uma perna, estava com diversos machucados pelo corpo e um galo enorme na cabeça.

Em choque, começou a chorar desesperadamente. A enfermeira, de certa forma já acostumada com isso, tentou consola-lo da melhor forma mas, vendo que ela nada podia fazer, decidiu deixa-lo sozinho.

Ele continuava chorando demais, de repente sua vida mudara totalmente. De repente, não tinha uma das pernas. Como seria agora? O que faria agora? Como iria trabalhar? Usaria uma prótese no lugar da perna? E agora? Nem seu otimismo resistiu a isso.

- Mais uma história, mais uma mentira.

- Todas as histórias são mentiras.

- Deixa que eu conto a história dessa vez.

Eu estava na rua. Estava calor, muito calor. Não sei ao certo qual era a temperatura aquele dia mas, me sentia no deserto. Carregava uma pasta pesada, cheia de documentos da empresa. Não estava muito longe da empresa mas, decidi ir comprar uma Coca. Parei em uma doceria, comprei a minha Coca e quando…

- E eu que sou o mentiroso. Você nem bebe Coca.

- Mas é uma possibilidade, eu poderia ter comprado uma Coca.

Não estava muito longe mas, eu estava cansado, estava muito calor e eu, para completar, estava de terno.

A pasta era pesada, verdadeiramente pesada, machucava minhas mãos mas, esse era meu emprego, eu precisava do dinheiro.

Continuei andando, devagar, decidi parar um pouco para descansar. Quando estamos cansados, qualquer lugar parece longe. Estava perto de uma escadaria, escolhi um lugar na sombra e me sentei. Sentia todo aquele calor da rua sair do chão e vir até mim. Quando um ônibus passava e fazia ventar era o único momento refrescante, mas, logo depois, voltava um calor imenso. Todo aquele concreto, aquele asfalto, muitas pessoas passando de lá para cá, nenhuma árvore à vista, cada minuto que passava parecia ser maior o calor, maior o desconforto, maior o cansaço.

Fiquei ali, sentado, uns cinco minutos, até que tomei coragem e continuei o caminho para a empresa. De repente, ouvi um estrondo, barulho de carros derrapando e quando olhei para trás para vinha um carro. Não tive tempo para reagir, foi tudo tão rápido.

Quando acordei pela primeira vez, não sentia nada. Vi apenas muitas pessoas ao meu redor e alguém gritando: “ele acordou”. Decidi voltar a dormir.

- Você não acordou em nenhum momento.

- Claro que acordei, me lembro das pessoas.

- Não queira iludir quem está ouvindo sua história.

- Como você pode saber que não abri os olhos?

- Da mesma forma que você sabe que você não abriu.

Quando acordei, estava no hospital, numa enfermaria. Eu nunca tinha visto tantos doentes juntos. Quando você está em um hospital, numa enfermaria, você começa a se sentir pior do que realmente está. Na realidade, não sentia nenhuma dor. Estava coberto por um lençol até o peito e meus braços e mãos também estavam embaixo do lençol. Foi quando a enfermeira chegou.

- Não precisa contar o resto.

- Eu sei, você já contou por mim.

- É… Nada disso nunca aconteceu né?

- Não.

- Nós continuamos na nossa cama, deitados, olhando o teto do hospital, como sempre né?

- Como sempre, meu caro amigo.

A enfermeira nunca entendeu por que ele perguntava e respondia suas próprias perguntas.

Na verdade, ela nunca escutou nenhuma das perguntas e nenhuma das respostas.

Na verdade, nunca houve enfermeira, como nunca houve hospital, como nunca houve ele, como nunca houve essa história.

-  Ouviu? Ele disse que não existimos.

-  Quem não existe é ele.


Categorias: Agenda,Contos |

3 Comments»

  • Thaina Gomes says:

    Thumb up 1 Thumb down 0

    A idéia do texto tá muito bacana, só achei um poco confuso no começo, porque não sabia o que estava acontecendo.
    E tem uam parte qeu você usou muito o “mas” ficou um pouca cansativo. Está bem legal ^^.

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    haha, Achei legal e bem louco! As repetições da história cansam um pouco, mas só um pouco. Parabéns! muito engraçado.

  • Alice says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Massa mais n intendi muito não vc repetiu muito mais meus parabems

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Publicado por rp.padovan

– que publicou 2 textos no ONE.

>> Confira outros textos de rp.padovan

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui... >> Fale com ONE <<

Powered by WordPress. © 2009-2013 J. G. Valério