Arnez
Escritor: Adalba
Como havia prometido a Sofia, depois de um mês, Seu Antero (respeitado luthier) entregou o violão restaurado.
Ela nem se importou com o preço do serviço: R$725,00.
Herança de família, a antiga caixa de ressonância finalmente tinha encontrado um lar para ser respeitada e descansar dos anos de poeira.
Encantada com o cheiro das demãos de verniz, que rejuvenesceram o pinho em 60 anos, Sofia – com todo o respeito que a solenidade exigia naquele momento sedutor – colocou-o no colo e começou a afrouxar as tarraxas. Com cuidado, tirou as cordas, silenciando o amigo para sempre.
Os bordões usou como parte de um móbile de fotos antigas, que descia pela lâmpada central da sala de estar. As primas emendou com nós de arnez, criando uma única linha de nylon.
Prendeu no fio transparente várias bandeirinhas de festa junina, e comemorou o centenário de nascimento do tio Alfredo.
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Putz, que triste…
Achei que ela tocaria uma melodia fodástica pra alguém, que daria de presente para um filho…
Tenho um amigo que diz que “não há no mundo nada mais triste que um violão se mcordas”.
Não vou tçao longe, mas concordo com ele no fato disto ser triste como um pássaro mudo.
obrigado por ter lido os textos e, também, pelos comentários!!!
abraços