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Jan
25
2011

Conto de um amor marcante

Escritor: Ricardo Barantini

Ele acorda e olha para seu rádio relógio. A ressaca o acompanha em mais um nascer do sol. Levanta-se daquele velho sofá e caminha até a cozinha. Sua cabeça dói como nunca. Prepara um rápido e forte café. Procura sua xícara em meio a pilhas de copos sujos aleatóriamente dispostos em uma pia exageradamente suja. Encostado na parede com sua xícara em mãos. Um olhar fixo em um ponto da cozinha. Apenas pensa na vida. Seu celular toca e após um breve susto ele se rende. Caminha até ele o aparelho que está ao lado do sofá. Estático ele observa. No visor ele reconhece o número. Aquele número. Seu coração começa a bater mais forte, um breve suor começa a escorrer em seu rosto. As mãos tremem. Sem reação. Com um movimento único e brusco pega o celular.
“Alô?!” – Atendeu com uma voz trêmula.

Ao fundo só se ouvia um choro. O coração dele batia mais forte e não sabia o que estava acontecendo.
“Alô?!” – Insistiu.
“Me desculpe” – Ela disse entre soluços – “Eu preciso de você, preciso de você de volta. Eu fui idiota quando não aceitei a reconciliação. Me desculpe” – o choro continuava.
Ele não sabia o que dizer. Coração batia forte, a mão tremia como uma bandeira no topo de um mastro numa noite de vendaval. Ela ainda tentava dizer mais alguma coisa.
“Por favor” – mais soluços.
“Você não sabe o quanto eu sofri quando tudo terminou, eu insisti e só desisti quando não me restava mais nenhuma esperança. Esperança que você mesmo tirou de mim. Continuei a sofrer e você simplesmente me ignorou, e por que eu voltaria com você agora? Me diga um único motivo.” – ele disse com uma voz totalmente desnorteada.
“Você tem motivos suficientes para não me aceitar novamente, eu entendo, mas como aquilo acabou de uma forma tão inesperada, eu resolvi te ligar só pra dizer o que eu sentia, dizer o que eu não disse naquele dia. Eu te amo.” – pelo ruído na ligação, ela estaria desabando em lágrimas.
“Eu não consigo pensar em nada agora, posso te ligar mais tarde?” – Ele perguntou.
“Tudo bem, estarei esperando.” – um silêncio – “Eu te…”
Desligou o celular. Caminhou até a cozinha e procurou uma garrafa de vinho. Não achou. Foi até o banheiro em passos largos. Abriu a torneira da pia. A água escorria. Se apoiou e ficou se olhando no espelho. A água escorria mais ainda. Lavou seu rosto e voltou a se olhar. Um sorriso apareceu em seu rosto. Se sentiu como se a felicidade havia voltado e tudo estava colorido novamente. Voltou até a sala e procurou o celular que ele havia jogado em algum canto. Olhos fixos no visor. Discou o número. Tocou. Tocou. Tocou.
“Alô?!” – ela disse com uma voz mais calma.
“Tudo bem. Também está difícil sem você e sei como essas lágrimas realmente doem. Ter um novo começo será melhor, depois de tantos erros isso é a melhor coisa que podemos fazer.” – ele disse com uma voz melosa, prestes a chorar.
Ela riu mas continuou a chorar. Estava se acalmando aos poucos.
“Eu te amo.” – em sua voz dava para perceber que estava melhor.
Riram juntos. Minutos atrás ele era o mesmo infeliz que vivia se embriagando para esquecer isso e agora ele voltou a ser o cara feliz que amava uma pessoa.
Ele acordou naquele velho sofá. Uma respiração ofegante e cara de assustado. Seu corpo inteiro estava molhado de suor. Percebeu que foi um sonho. Olhou ao redor. Identificou uma garrafa de vinho vazia ao lado do sofá. Seu celular estava desligado à dias. Sentiu seu coração se partindo mais uma vez. Maldito sonho. Levou as mãos ao rosto. Chorou. Chorou como uma criança.
Comentem! Qualquer Feedback é bem-vindo.
Ricardo Barantini – @03APR91

Written by 03APR91 in: Agenda,Contos,Ricardo Barantini | Tags: , , ,

6 Comments»

  • Thaina Gomes says:

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    Acho que faltou algo, a explicação do motivo pelo que eles brigaram, pra dar pra sentir um pouco mais o drama da estória.

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    Não gosto de escrever mais detalhes sobre, o legal é você imaginar o possível início de toda a briga e dor.

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    Pois então, ta faltando uma revisãozinha na escrita… nada sério.
    -
    Olha Ricardo, está certo, tu deixaste a questão da briga no ar, mas eu acredito que tu atacaste um lugar mt comum.
    -
    Achei a história simplista, semelhante à muitas que já li, ouvi e vivi.
    Enfim.
    Escreve bem, mas acho que precisa de um tema melhor.

    Abraço

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    Eu mesmo me cansei de escrever coisas curtas e que só fazem sentido para mim mesmo. Estou trabalhando em algo “maior”. Obrigado pelos comentários. :)

  • Sanchez says:

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    Podia nao ter o ultimo paragrafo né?! hahahahahaha Gostei. Sempre acho love stroys válidas, se tiverem finais felizes entao, melhor ainda! :D

  • marie henry says:

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    curti, nao precisa de explicação alguma e deixou um ar triste pairando ao vento, (isso é para soar positivamente)
    me lembrou meu ultimo romance, mas respirei e voltei a realidade.
    abraço.

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