Lo Humarada Capítulo 2
Escritor: Diego Alves Vergilio
Eu nasci no ano de 1530 na Espanha, nasci em uma família pobre que lutava para sobreviver em meio à enorme desigualdade que existia naquela época, era o ano também em que as palavras de Lutero ganhavam notoriedade e muitos seguidores. Todos queriam sair da repressão da Igreja, e ele pregava isso. O aprendizado da bíblia sagrada para todos e a construção de uma nova igreja, uma nova constituição.
Eu como recém nascido nem fazia idéia de como o mundo estava mudando, creio que tive sorte de certa forma por nascer num período de muitas mudanças. Um período de mentes abertas.
Foi assim que passei minha infância, sendo ensinado a não aceitar o clérigo da Igreja Católica e que eu poderia mudar minha condição de vida, pois eu cria no único e verdadeiro Deus.
Como éramos ignorantes, nós os primeiros protestantes.
E em conseqüência da grande briga que havia entre católicos e protestantes perdi meu pai aos dezesseis anos. Como ele era o provedor da casa, nossa situação financeira que já não era boa passou a piorar, a fome passou a ficar cada vez mais freqüente.
E um dia ao ver minha mãe chorando em um canto da casa, eu me enchi de ódio e tristeza… É eu ainda possuía bondade naquele tempo. Foi quando resolvi roubar para poder ajudá-la.
E como era de se esperar minha primeira tentativa foi um desastre, apanhei até ficar sem fôlego e eu fiquei caído por horas em meio a uma foca de estrume, pois os hematomas e a dor impediam meus movimentos. Impediam que eu me levantasse.
Mas como acreditava que aquele era o único jeito de ajudar minha mãe não desisti, e acabei com o tempo aprendendo como roubar como fugir.
Lembro-me das palavras da minha mãe eu quando havia conseguido dinheiro pela primeira vez através do furto.
– Que bom que arrumou um trabalho meu filho, Deus está nos abençoando, pois nunca o abandonamos. – disse ela sem saber da origem do dinheiro que segurava em suas mãos.
A bíblia diz “não roubarás”, então se Deus dizia que eu não deveria roubar por que então eu o fazia? Mas após ver a felicidade de minha mãe em poder comprar algo para mim e meus irmãos pensei que Deus poderia perdoar esse pecado. Se eu roubava era por uma boa causa, e assim deveria continuar.
Mas eu havia me esquecido de que a bíblia também diz que Deus é vingativo com aqueles que o desobedecem.
E a ira Daquele Acima caiu sobre mim dolorosamente, pois tive minha mãe e meus irmãos mortos por empregados de um nobre da região, alguém que eu havia roubado.
Ele havia descoberto quem eu era e resolveu me ensinar uma lição, passei toda uma noite ao lado dos corpos da minha família. Por toda noite não deixei de verter lagrimas. Então, ao amanhecer, as lágrimas haviam cessado junto com minha vontade de viver. O que restara em meu coração era um ódio desenfreado.
Com minhas roupas cobertas pelo sangue da minha família fui até onde morava esse nobre, conhecido como Alejandro.
– Mate-me como fez com minha família, nobre imundo! Ou serei eu que o matarei para saciar meu coração! – foi o que gritei ao adentrar as portas de seu castelo.
– Não, seu castigo vai ser viver o resto da sua vida relembrando a morte da sua família, pois nem eu ou meus homens o mataremos não lhe daremos esse presente. Pois ás vezes viver é mais doloroso que morrer.
Irado avancei contra ele, mas fui detido por seus empregados, que me espancaram e me abandonaram num prado distante dali. Foi quando, num ato de rebeldia, rejeitei a Deus, rejeitei os ensinamentos de meus pais falecidos.
– Esse é seu castigo para comigo? É com toda essa crueldade que dá vossas lições? Se for assim que procedes, então te renego, não há uma única diferença entre o Senhor e os tiranos que habitam essa terra. Não espere mais as minhas orações para contigo, minha obediência para com suas palavras. E se um dia alguém me perguntar se acredito em vossa existência, direi que sim, mas também direi que não existe diferença entre ti e o cão que habita nas profundezas! – me levantei e voltei para casa para enterrar minha família.
Eu tinha a idade de dezenove anos quando aconteceram esses fatos. E foi dessa forma que vivi até meus vinte e dois anos, roubando extorquindo e rejeitando a palavra de Deus.
Mas Sua ira ainda não tinha se cessado sobre mim, o pior castigo ainda estava por vir.
Creio que como eu queria viver longe de Sua luz, então Ele me trouxe as trevas absolutas. Eu tinha a idade de vinte e dois anos quando o conheci, Allende dela Ratta.
Eu havia sido preso depois de eu ser o mais procurado da Espanha, os policiais me conheciam como Lo Humarada, pois eu era impossível de se pegar como a fumaça.
Mas aquele nome não me era mais jus, Lo Humarada havia sido capturado e condenado à forca.
Esse Allende dela Ratta ia toda noite para o presídio acompanhado pelos carcereiros, olhava um por um dos presos e depois levava um deles, após levados nenhum retornava.
Um dia ele e o carcereiro pararam em frente à minha cela.
– Acho que levarei este. – disse ele apontando para mim.
– Mas senhor, esse é Lo Humarada e vai ser enforcado em praça publica, é o apelo popular.
Foi quando percebi quão poderoso era aquele homem, por fazer o carcereiro praticamente chorar em sua frente. Mas Allende não disse uma palavra a mais, apenas apontava para mim.
Então o carcereiro abriu a cela e entrou para me levar. Eu o agarrei pelo pescoço e comecei a gritar:
– Só saio daqui dentro de um caixão seus imprestáveis!
E apertava cada vez mais forte aquele pescoço. Allende entrou na cela e com uma força impressionante retirou o carcereiro de meus braços e me empurrou contra a parede. Sua investida havia me levantado um metro do chão.
Ele se aproximou de mim.
– Gostei de você rapaz, qual o seu nome?
Calei-me, e ele prosseguiu com suas palavras.
– Posso lhe oferecer a liberdade desse lugar imundo, lhe dar uma boa moradia. – e estendeu sua mão.
– Não sou nenhum ingênuo para acreditar em bondade nesse mundo! Ninguém pegaria e ofereceria a liberdade assim de graça para um preso.
– Não é caridade, é um investimento. Quero você como um de meus empregados. O quero como zelador de minha casa para ser mais exato.
Eu me senti tentado a aceitar, pois me pareceu um bom acordo ser um empregado ao ser um corpo pendurado por uma corda. E quando tivesse oportunidade, eu apenas fugiria da casa daquele homem. E voltaria aos meus crimes, voltaria a ser Lo Humarada. Então aceitei.
“Durma o sono profundo da morte e acorde tendo a desafiado”
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Até que gostei, vai postar mais capítulos?
Também estou gostando e aguardo mais capítulos, acho que com alguma prática, você tem futuro.
Quando falo de prática, refiro-me a algum trabalho de pesquisa, visto que na Época em que você situou a sua narrativa não existiam “Empregados”, penso que eram designados de Serviçais, Servidores ou algo parecido.
De resto, acho que está muito bom, a história é fluída.
Era essa mesmo a palavra que tava procurando srsrsr, valeu =)
E em breve o terceiro capítulo
Aguardo ansiosamente, é que estou mesmo a gostar desse enredo
e os meus livros estão a acabar
Auhuahuahu, então leia um livro meu! ops, esqueci, meu primeiro livro sai só em outubro =)