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Jan
19
2011

No Fundo Da Garrafa

Escritor: Caique A. Garcia

CAPÍTULO I – Message In A Bottle

Naquela manhã acordei e reparei que no dia anterior havia tomado a maior decisão da minha vida, e foi escolher a porcaria daquela garrafa estranha e barata rotulada como Pitú. PQP, é incrível como consegui me lembrar da noite anterior, – ainda não acredito que mijei na pia, pelo menos não mijei no Tomás que tava com a cabeça enfiada no vaso chamando o Hugo. – mais incrível foi a dor de cabeça que senti. Aí o celular toca, estúpida decisão de deixar o celular no volume máximo.
-  Cara corre aqui acho que o Augusto não tá nada bem, tem meia hora que ele tá no banheiro e não responde. – era o Tomás.- E acho que tinha algo naquela bebida ontem, tá tudo muito claro aqui. Tá tudo bem com você?
- Ta, já to indo.

A situação era ainda pior do que parecia, e só percebi quando cheguei lá. A porta parecia que dava para os céus, uma luz vinha por ela, como se o interior da casa estivesse mais claro que o dia estava. Quando ela se abriu, encontrei o Tomás iluminado, luz brotava da pele dele, e antes eu pensava que ele era branco, por causa da sua altura sempre tive que conversar com ele olhando para cima, isso um dia vai me dar torcicolo.

- Cacete, você parece um vampiro saído do crepúsculo – (Desculpem pela péssima referência, mas era o mais próximo do que ele parecia que eu conseguia fazer uma analogia)
- Que?
- Você tá brilhando, tem luz saindo de você.
- Para de zoar comigo eu sei que sou branco, mas não precisa ficar me zoando.
- Não, é sério!
Ele não conseguia ver, e nem eu, ele tava mais branco que uma folha de papel A4. Fomos então para a porta do banheiro.
- Augusto!
- Augusto, abre a porta você tá bem?
- Eu te disse, nenhuma resposta.
- Vamos arrombar essa porta. 1, 2 , 3 – Tomás chuta a porta. – Depois do 3 porra!
- Como é que eu ia saber?
- Todo mundo vai depois do três.
- Tá, 1, 2, 3, e Agora!
E o que encontramos lá dentro foi muito mais do que esperávamos, Augusto tava lá deitado com as calças arriadas, e mais da metade da roupa queimada, ele era o mais baixo do grupo, não que fosse anão mas perto do Tomás qualquer um parecia um, era magro, mas atlético.
- CARALHO! Tem algo muito errado acontecendo, e porque você tá brilhando tanto?
- Cacete, vocês combinaram né?
- Olha no espelho – falou enquanto levantava as calças.
- Parece que eu saí do crepúsculo.
- O iluminado – Eu disse.
- Paro com a brincadeira?
- É, tá bom. Que que houve com você aliás, porque você tá todo queimado?
- Não sei, eu tava aqui e de repente tava no meio de um vulcão, e depois voltei.
- E você tá falando isso na maior tranquilidade porque? Você acabou de sair do meio de uma porra de um vulcão pelo que tá dizendo.
- E eu tava, tava no meio de um vulcão com as calças arriadas, e de repente to aqui de volta, – Parou reparando a expressão de espanto nos nossos rostos. – to calmo porque eu acordei hoje e vi minha mulher e meus filhos dormindo aqui nessa casa comigo mais velho. Acho que sei muito bem o que tá acontecendo comigo, e com o Tomás, o que não sei é o que tá acontecendo contigo ou com o Ricardo.
- Você tá achando que todo mundo que bebeu aquela garrafa de Pitú ontem tem algum superpoder né? Ele brilha e você viaja no tempo?
- E que porra de superpoder é brilhar o caralho?
- Sei lá porra o poder é seu, descobre.
- Você tá quase certo, mas eu descreveria meu poder como deslocamento temporal aleatório, não tenho a mínima ideia de quando vou viaj… – E ele desapareceu do nada.
- Tá concordo com ele, Tomás.
- E então que “poder” você tem?
- Não sei, não descobri nada ainda, e nem sei se vou descobrir. A gente fica aqui esperando por ele ou o que?
- Acho bom a gente ligar para o Ricardo, e para o Guilherme.
- Porque, o Guilherme não bebeu com a gente, só tava lá.
- Pode ser alguma coisa não relacionada a Pitú.
- Tá, liga para eles.
Um momento depois augusto apareceu, e disse que tava no meio de uma floresta, e só ficou esperando até voltar. Ricardo foi o primeiro a aparecer, ele já estava a caminho quando ligamos, e logo depois o Guilherme, e contamos o que aconteceu, mas disseram que não aconteceu nada de diferente com eles.
- E agora, vamos viver nossas vidas normalmente?
- Você viaja no tempo aleatoriamente e o Tomás brilha, quer fazer o que? Virar super-heróis, o Super-Homem-Que-Com-Sorte-Vai-Estar-Na-Hora-Certa-Pra-Te-Salvar e o Homem-Holofote?
- Acho que vai ser difícil com ele aparecendo e desaparecendo do nada, viver normalmente sem ninguém descobrir. – Ricardo disse.
- Acho que consigo ir para um local escondido quando isso acontecer, sinto um pouco quando vai acontecer é um tipo de dor de cabeça parece que eu to bêbado, e então, – parou de falar por uns 5 segundos – Vai acontecer a-agora.
- Caralho quanto frequente é isso? – Disse Ricardo.
- É bem frequente. – Respondeu Tomás.
- Peraí! Como uma garrafa de Pitú altera seu DNA para ser capaz de alterar as leis da física?
- Ricardo, eu sei que você adoraria discutir esse assunto, eu também adoraria, mas acho que já deve ter visto filmes, assistido séries, e lido quadrinhos o suficiente para saber que nunca são os personagens de uma história que sabem o que tá acontecendo, e mais recentemente, nem os próprios escritores sabem o que tá acontecendo, somente uns raros fãs que criam teorias ao redor disso. – Eu disse.
- É melhor dessa maneira, fica mais interessante. – Concordou Tomás.
- Tá a questão é: Quais são nossos poderes? – Disse Ricardo.
- Alguma hora a gente – Augusto reapareceu do nada. – Onde você tava?
- Acho que no Japão medieval…
- Ah legal, é deslocamento físico-temporal… e eu aqui sem nada, e eu bebi tanto quanto você, espero não ter ficado com um poder tosco que nem o Tomás. – Eu disse.
- Cacete, eu bebi menos que ele! – Disse Ricardo.
- Pior eu que talvez não tenha poder nenhum porque não bebi. – Disse Guilherme.
- É se fudeu, ou não, imagina ficar brilhando a vida inteira? – Falei.
- Perai vou ficar brilhando a vida inteira.
- Acho que não o Augusto desliga e liga o tempo todo, na verdade volta e avança o tempo todo. Acho que você armazena energia e libera em forma de luz, é tipo um painel solar com transformador. – Expliquei, bem, tentei.
- Ah, brilhante…
- Não, brilhante é você, eu só sou esperto. – Eu disse.
- Tá e agora o que a gente faz? – Disse Augusto.
- Vive tranquilamente.
Foi a pior escolha de palavra que já fiz, porque o que iriamos fazer daqui para frente seria tudo menos tranquilo.
Continuação publicada no blog:  http://revolucaonda.blogspot.com

Written by CaiqueAGarcia in: Agenda,Caique A. Garcia,Contos | Tags: ,

2 Comments»

  • Thaina Gomes says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Fiquei um pouco perdida no texto, mas fiqei curiosa pra saber o que vai acontecer com esse povo.

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