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Jan
25
2011

O Chá

Escritor: Amanda

Todos as manhãs o caos das idéias que surgem no nascimento de um novo dia lhe inundavam a mente. Como sempre estava confusa. Entretanto Flávia sabia que novamente devia silenciar sua mente. Uma mente calada não sofre. Sua  rotina estava pronta: Acordar, comer, estudar, trabalhar ver o Paulo e voltar pra casa. O único ponto de alívio era o Scott uma vira-lata que tinha adotado mês passado.

Faltavam seis meses para que sua vida acabasse e começasse uma nova vida, afinal a vida é um conjuntos de vidas, ou semi-vidas como queiram.

Estar viva já era uma dor avassaladora, mas que ela só sentia ao despertar. Ontem depois que viu Paulo e no caminho para casa desejou inutilmente ser outra pessoa. Talvés amanhã ao invés de tomar café tomasse chá, isso seria o começo. Paulo estudava medicina e eles namoravam há 2 anos, mas silenciosamente Flávia sabia que estavam juntos apenas porque quem eles queriam não os quiseram e a dor os uniu, afinal sofrimento partilhado é sempre mais leve.
O chá estava um pouco amargo. A sua boca amargava, ela detestava essa situação. Correu para o banheiro. Iria se atrasar como todos os dias. Em frente ao espelho não se reconheceu, o espelho sempre a maltratava. Eu não sou essa pessoa com olhos de peixe morto. Quem sou eu? Decidiu que no fim do dia iria ligar para a mãe e pedir um novo espelho aquele estava com defeito.
Enfim pegou a  bolsa e saiu apressada, ao se lembrar de Tomás , lembrou-se também de passar batom. Eles estavam envolvidos num flerte. Tomás estudava Administração assim como Flávia, eles tinham namorados, mas só se lembravam deles depois do trabalho. A Rotina era sempre igual.
No intervalo risos, conversas inúteis. Vocês já viram o novo clipe da Lady Gaga? Ela sim sabe tratar os homens. Todos riem novamente. Quem sou eu? – A pergunta ecoa na cabeça de Flávia e lhe causa um leve enjôou. Pensar nela adoecia. Ela era doente.
Saiu um pouco e foi sentar-se num banco , respirar próximo aos outros era tão difícil. As vezes achava que os olhos dos desconhecidos lhe acusavam de roubar o oxigênio, ela era culpada por tentar existir, que ousadia! Um Rapaz passou. O Rapaz que sempre olhava para ela quando sentava naquele banco. Eles nunca conversaram, talvés falta de assunto. Ela não sabia ao certo. Eles tinham medo de se aproximar e passaram dias naquela dança frenética, parecendo dois animais vadios, que se atraiam e causavam repulsa ao mesmo tempo.
Tudo isso não passava do intervalo. Porque ele me olha tanto? O olhar é diferente, um olhar desarmado. Ela também tem medo. Porque não  chega perto? Porque eu não chego perto?
E O Chá? O Chá era amargo, mas estava decidida a mudar apesar das amarguras. As vezes é necessário beber chá. Sentiu de leve o amargor do chá na boca e o enjôou da existência cessou. O Chá tinha lhe mudado, deu-lhe força de alguma forma que lhe permitisse apenas ser. Flávia levantou-se e caminhou em direção ao rapaz, os olhos dele estavam inquietos . Ele não entendia. Ela sim. Aproximou-se, respirou fundo e perguntou:
_ Quem é você?
E Ele respondeu apenas com um sorriso.

Written by Amanda in: Agenda,Amanda,Contos |

2 Comments»

  • Flavio Silva says:

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    às vezes é necessário apenas uma pequena mudança para o mundar por inteiro ante nossos olhos…

    Entendo bem isso.

    O texto ficou bom embora o tenha achado evasivo. Não sei se não entendi bem: Flávia tem um namorado, flerta com um cara e foi falar com um terceiro no final ou o cara do final é o tal do flerte?

    Outra coisa:
    “A pergunta ecoa na cabeça de Flávia e lhe causa um leve enjôou.”

    A palavra correta é “enjoo”.

  • Andrey Ximenez says:

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    Sinto cheiro de auto-ajuda no ar.
    -
    A estrutura segue bem. Mas sinceramente, ficou massivo. Não há nenhum desenlance, nada que realmente cative o leitor.
    Poderia elaborar melhor a idéia. Acrescentar algum drama, mostrar o convivio dela com o namorado, deixando subentendido na sua descrição a tristeza e morosidade do relacionamento.
    -
    Enfim, de 0 a 10 te dou 5.5, uma estrelinha e bilhetinho escrito “se esforce mais que vai melhorar, certamente”

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