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Jan
13
2011

O Momento da Mudança

Escritor: Pandion Haliaetus

o-momento-da-mudanca

Esse conto contém uma trilha sonora localizada no fim do mesmo.

FIAX GRADIUS ESFLAM! Grita Pandion correndo com o rosto enfurecido apontando com uma das mãos e segurando sua espada Trevatum na outra. Em sua palma uma esfera de energia vermelha se forma e explode em uma rajada de fogo, a frente o colossal portão de madeira recebe um impacto violento se despedaçando e permitindo que Pandion e sua tropa avance. A magia usada faz com que sua tropa sinta medo e confiança em seu líder, pois jamais houve quem usasse as Arcanas de forma tão explícita e espontânea.

Sem abalar o trote Pandion continua a liderança percorrendo os amplos salões de mármore da Fortaleza do Esplendor. Seu objetivo é nada menos do que a destruição do tesouro do Rei Solidus, por ordem do Imperador Braum. Com isto em mente o honrado cavaleiro da Tríade lidera vorazmente sua tropa em prol de mais uma missão. Seu instinto está usando todos os sentidos e o poder de sua mente para encontrar algo que o leve até o tesouro. Eis que ao longe Pandion escuta o marchar acelerado das tropas de defesa. Parando repentinamente, assim também fazem todos que o seguem, Pandion volta-se para seus soldados e lhes impõe “Os inimigos estão a frente e se aproximam, lutarei junto a voz, não me desonrem, quero cada esforço, suor, dor e fúria voltados para quem nos afronta. Daqui haveremos de sair vencedores, e o único inimigo somos nós mesmos, o medo, e aqueles que derem vazão ao mesmo considerem-se mortos, se não pelas mãos inimigas, certamente pelas minhas. Lembrem-se, quando se luta pela vida todo o espaço do medo deve ser tomado pela honra. AVANTE HOMENS!”

Tomados pela determinação eles lutam como nunca, em meio a grande confusão o lendário guerreiro de marfim desequilibra o lado da batalha a seu favor, caso não tomasse o partido de avançar continuamente formar-se-ia uma clareira ao seu redor tamanho o temor que vai incitando no inimigo. Porém seus sentidos continuam voltados em direção ao objetivo. Em meio a toda a sanguinolência, explosões, poeira e gritos, Pandion vê ao longe em meio a multidão uma formação que levemente destoa do contexto, cinco guerreiros abrem caminho escoltando uma pessoa encapuzada. FORTIUM CRUENLER, recita Pandion enquanto toca no guerreiro a sua frente fazendo com a vida lhe seja sugada transformando-o em múmia, a qual cai ao chão sem vida. Subitamente a velocidade e força de Pandion aumentam assustadoramente e em um pulo que o faz voar como uma águia passando por cima dos guerreiros, ele empunha a espada como que pronto para trespassar o ser de capuz. Um salto perfeito, certeiro e mortal, eis que a malévola Trevarum se regozija ao ver-se atravessada a um coração.

Decepcionado, Pandion vê o ser de capuz sendo protegido pelos outros quatro cavaleiros enquanto o quinto está morto ao seus pés, este havia dado a vida em troca do ser encapuzado, Pandion logo nota que sua intuição lhe aponta o caminho para o fim da investida. Retirando a espada do peito do bravo guerreiro, Trevarum absorve rapidamente todo o sangue que a estava manchando e que por insólito que seja, as feridas de Pandion vão lenta porém perceptivelmente cicatrizando-se. Com um leve sorriso de deboche Pandion fala “Entreguem-me a garota, e poupo suas vidas”. Uma de suas mãos se estende, como quem pede gentilmente a mão de uma dama. Pandion é acima de tudo um cavalheiro com todas aquelas dignas de respeito. Um dos cavaleiros fala “Como descobristes a identidade da Princesa? Cão dos abismos, eu tomarei sua vida aqui e agora!”. Pandion despreocupadamente retruca “Hunf! Não subestime meus poderes, posso ver e compreender muito mais do que jamais sonhará. Venha, você e mais cem! Neste momento selaste teu destino! Em guarda!”.

Correndo desesperada, chorando e angustiada, a Princesa Meriane lamenta por deixado seus fiéis cavaleiros abandonados a morte, mas proteger o tesouro é a prioridade. A porta que leva a tumba de seus ancestrais esta logo ao fim do corredor, Meriane percorre o último lance de corredores e avista a porta com um grande sol pintado. Eis que a dez passos de distância entre ela a porta surge Pandion, empunhando sua espada mágica e com as vestes ensanguentadas. O pavor é tão grande em Meriane que ela apenas para e fica em silêncio enquanto as lágrimas escorrem. Quebrando o silêncio mortal Pandion profere “Me perdoe princesa, estou indo na frente.” – “Estas foram as palavras finais de um deles.”. Agora com mais raiva do que medo, ela olha diretamente para os olhos lilás de Pandion, como quem tenta compreender a alma de alguém. Segurando o choro, ela questiona “Por que fazes isto? Por que tentas destruir o que temos de melhor, aquilo que liberta as mentes e emancipa os corações. Não acredito que haja neste mundo um ser que não queira verdadeiramente ser livre. Até hoje não houve artefato mais capaz disto do que este que guardamos. Diga-me, por que tentas acabar com a luz do mundo? Ao menos já tentastes conhecer o que o Imperador teme? “. Um pouco confuso, Pandion move os olhos rapidamente buscando em suas memórias as palavras do Imperador. “Conhecer? Luz do mundo? Não brinque comigo. Meu dever é destruir o seu tesouro para que o equilíbrio seja mantido, e por isso tomarei sua vida assim como tomei a dos seus entes queridos. Não contendo mais seu desespero ela grita “SEU MISERÁVEL, EU O AMALDI…”. E antes que ela termine a frase, Pandion já a está abraçando com a espada trespassada no delicado estômago da princesa. “Não preciso de mais uma maldição.”. Quando o corpo cai inerte, junto a ele cai e rola pelo chão um pequenino baú ornamentado com metais e pedras preciosas. Dentro dele Pandion encontra uma chave ricamente trabalhada em ouro. Ao tocar a chave e se concentrar, Pandion vê todos os que a tiveram em mão, tão bem como o que foi feito e dito enquanto a empunhavam, logo compreende que o tesouro está na biblioteca, guardado em uma câmara secreta.

Em meio a batalha quase terminada, Pandion caminha apressadamente, usando seu manto, o que indica o fim da batalha, impacientemente ele grita a todos “Estamos saindo, a missão está feita, o tesouro foi destruído, RETIRADA!”.

Em meio a todos um soldado observa, e por um breve momento ele pode ver, por debaixo do manto, preso por um cordão, um pesado livro de capa de couro e bordas prateadas. E pensa “Por que o Mestre Pandion está levando algo?”.


Written by Pandion in: Contos,Pandion Haliaetus |

23 Comments»

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Primeiro conto com trilha sonora no ONE! :D

    Coisa do André.. ops, digo, Pandion!

    Antes que alguém pergunte. Sim, pode trilha sonora, afinal esta ai em cima. MAS a trilha tem que ser aberta. Ou seja, sem direitos autorias. Afinal, não quero ser processado por uso indevido de midia! :D

    Como o Pandion fez isso? Bem, ele passou o link da musica no post. :)

    Bom, escutem e leiam!

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Mas antes que o André se ache o inovador.. não é. Isso de colocar trilha sonora já foi sugerido years ago! :P

      :D
      mas ficou legal.. curti a musiquinha.

      • Franz Lima says:

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        Brother, não tem nada na Terra que me deixe mais estressado que o tal do firewall. Até para ouvir uma simples canção há bloqueio.
        Vou buscar uma trilha alternativa e curtir o texto…

      • Pandion says:

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        Chegou a ler mesmo ? Encontrou semelhança com algo?

  • Vitor Vitali says:

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    Vou dizer que não imaginava que o efeito fosse tão legal. Gostei, ficou meio Final Fantasy na minha cabeça, mas ficou legal.

  • Pandion says:

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    Depois do meu longo recesso, volto a publicar no ONE.

    Vitor, trata-se de um conto de fantasia, natural que os leitores encontrem semelhança com algum outro gênero de fantasia que tenham tido contato. :]

    Mas e ai, o que acharam dos personagens? Da dinâmica do conto? Da estrutura? Da narração?

    Aguardo ansioso os comentários

  • Franz Lima says:

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    Pandion, estou lendo seu trabalho e, em breve, estarei postando o comentário. Parabéns por voltar a publicar…

  • Franz Lima says:

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    Pandion, gostei do tema abordado, independente do tema ser muito usado ou não. Digo isto em função de alguns posts com temas similares terem recebido tal observação. Não é o tema que diz se um texto é bom ou não. O que determina sua qualidade é a cota criativa aplicada a ele e, sobretudo, a pesquisa e vontade de bem escrever do autor.
    Seu texto ficou bom, sem dúvidas, mas alerto sobre a necessidade de uma revisão gramatical, incluindo a pontuação. Também seria interessante, caso seja possível, preencher algumas lacunas na trama, tais como: o que deu tais poderes a Pandion, o que levou o soldado a atentar para o livro e qual a fonte do poder da espada.
    Mas, no geral, o conto ficou bom. Espero que tenha continuidade e, nela, você possa preenche-lo com as explicações ao que ficou inexplicado.

    • Pandion says:

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      Valeu Franz, você falou da pontuação e gramática, e olha que revisei o texto algumas vezes. O trabalho de revisão sem sombra de dúvidas me parece o que mais toma tempo em uma obra.

      Quanto as explicações, eu vejo o conto como um momento de uma história. Em outro conto pode vir uma parte passada ou futura. Também gosto muito de personagens prontos.

      Na verdade, eu estou escrevendo uma historia completa, e isso é algo que demora muito, e também é arriscada, pois o cara só sabe a reação do publico no final, então decidi ir soltando algumas partes e colher uns feedbacks como o seu :]

      • Franz Lima says:

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        De qualquer forma, parabéns pela iniciativa de colocar o conto para avaliação e comentários. É difícil escrever e agradar a todos, mas é mais difícil não escrever e guardar a dúvida de nosso trabalho conosco.
        Sucesso…

  • Lord Jessé says:

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    Bacana.
    -
    Então… Pretendes continuar??

    • Pandion says:

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      Pretendo publicar partes soltas da histórias, como esta e Os Filhos Do Gelo.

      Além de outros contos que servem apenas de ensaio pra outras formas de expressão.

      Gosto de experimentar vários tipos diferentes de escrita, meus contos estão ai pra mostrar isso :]

  • Luis says:

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    Tah ficando muito legal, Pandion ! gostei !

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Pô André, curti o conto. Ele é intenso do início ao fim. :-)

    Tem uma coisa que você tem que cuidar, você repete o nome “Pandion” muitas vezes.

    O estilo lembra Robert E. Howard.

    E o livro que ele carrega ao final do conto… deve ser um dos 3 tomos perdidos. Que não devem ser pronunciados aqui neste comentário. :-o

    • Pandion says:

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      Hehe pode crer, dos estilos de escrita que experimentei até agora, o do Howard foi o que mais curti.

      Tem um outro agora que vou testar em um conto de ficção científica.

  • Pandion says:

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    Que surpresa, entrei pra ver se outro conto meu estava na agenda, e acho este na página principal.

    Big Nice.

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Tem bastante conto para entrar na Agenda. Mas só a partir da semana que vem. :-o

      • Pandion says:

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        Cara, eu sempre me enrolo, nunca sei quando ele ta valendo pra ir pra agenda. *.*

        Tira a duvida de um n00b. Se eu editar meu conto agora, a data dele muda e vai pro final da lista pra ir pra agenda?

        • Thumb up 0 Thumb down 0

          Um post tem dois status principais, draft e pending. Quando está em draft, ele não vai para a agenda, pois nesse status penso que ele ainda está em desenvolvimento. Já em pending, ou seja, ele está pendente para revisão. Aí ele já está pronto pra ir para a agenda.

          Seu conto está pronto para ir pra agenda.. só falta parar lá. :-o

          Aumentou bastante a fila por causa do fim do ano. E eu ainda não tirei nenhum de lá, mas a partir da semana que vem eles comecam a aparecer por aqui.

  • Pandion says:

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    Meu novo conto na agenda. Muito bom jovem padawan.

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