O Visitante Inesperado
Escritora: May Mory
O funeral foi como Amanda havia previsto. Todos vinham cumprimentá – la devido à sua expressão de dor e tristeza que na realidade não sentia. Ninguém poderia saber que na realidade se via livre, de uma vez por todas.
Havia pãezinhos enrolados, champagne embora ela achasse um pouco inapropriado beberem uma bebida tão festiva mas na verdade seria para ela, quando todos fossem embora e então sua comemoração começaria.
Olhou em volta, logo não veria mais esse bando de sanguessugas. Era isso o que estas pessoas eram. Um bando de inúteis comedores de dinheiro, tendo a ousadia de se auto – convidarem todos os fins de semanas incontáveis que vinham passar na sua casa. Isso porque seu marido era um tonto. O problema não era que ele não sabia dizer não, era porque ele sentia uma dó infinita das pessoas, e elas, mesmo tendo certas posses, o suficiente para viverem bem, vinham pedir – lhe ajuda a todo momento. Pareciam um monte de deficientes só que morais. Ai, como ela odiava aquelas pessoas.
Mas estava livre agora! Completamente.
Seu marido, finalmente estava morto.
Joana, uma parente distante e que sempre mostrou gostar mais de Emersom (o falecido) do que de Amanda, agora aproximava-se com um olhar preocupado e orgulho ferido. Amanda sempre sonhara com esse dia quando ela poderia esmagar o orgulho de pessoas como Joana.
Eu sinto muito minha querida. – começou Joana.
Eu sei que sente. – Amanda sorriu.
Tem algo que eu possa fazer por você?
Claro que tem. – Amanda começou gentilmente. Saboreava aquele momento. – Você pode nunca mais por os pés nesta casa, Joana. Isso é o favor que você fará por mim.
Amanda, minha cara, você sabe como eu e Emersom, mesmo sendo primos tão distantes éramos muito apegados. Certamente que ele não irá querer que você se esqueça daqueles que ele amou em vida.
Pode cortar sua conversa fiada. Sua língua tem veneno. Eu sei como você sempre envenenou ele contra mim. Mas Emersom tinha um coração de ouro e era transparente como a água de um lago. – Amanda então lançou – lhe um olhar como se fosse um animal predador. – Ele sempre me contava tudo. Você é a primeira da minha lista, e engraçado, foi a primeira à vir tentar puxar o saco.
Joana deu um passo para trás, depois outro. Parecia horrorizada. Não imaginava que seu primo idiota contaria as coisas que conversavam. Certamente que Amanda a odiaria!
Mais e mais parentes e amigos vinham agora tratando Amanda como uma rainha, como se fossem velhos amigos. Mas Amanda jamais esqueceria como sempre parecera um vaso transparente no meio da sala quando eles vinham. Não adiantavam tentar.
Amanda não sorriu para ninguém, à não ser àqueles que realmente eram seus amigos, o que era uma minoria ali. Terminou o funeral o mais rápido que pode e estava quase empurrando os últimos estorvos comilões porta afora.
Quando a porta se fechou ela se jogou no divã. Suspirou como se tirasse um belo peso dos ombros.
Quinze anos de casamento! Com um homem que ela nem amara.
Mas cumprira sua parte. Fora fiel, amável e cuidara dele de todas as formas que sabia. Mas não o amara. Talvez, mas só no começo. E agora estava livre.
Por educação as garrafas de champagnes continuavam fechadas, ninguém ousara abri – las fazendo aquele barulhinho típico que se ouve em festas. Mas ela estava só. Foi difícil mas enfim conseguiu lançar a rolha da garrafa para longe. Encheu sua taça, derrubando um pouco da bebida sobre o tapete caro. Bebeu com prazer, fechando os olhos.
Achou ter ouvido um ruído mas nem se importou.
Tomou outro gole quando de repente viu um vulto. O susto a fez derrubar sua taça.
À seu lado estava um homem alto, vestido de preto e olhando-a divertido:
Parabéns Amanda.
Ela olhou-o com horror.
Como entrou aqui?
Eu estava entre os convidados. Pelo jeito você queria comemorar e esqueceu de verificar se tinha alguém. – riu ele.
Quem é você?
Você nunca saberia quem sou eu. O importante é, eu sei quem é você.
Amanda estava branca e seus lábios roxos, como ficam todos que estão para morrer de medo.
Não sei do que está falando.
Ora… Não estaria com essa cara se não soubesse. Sim, isto é divertido. Eu sei tudo sobre você.
Saia daqui agora. Ou eu chamarei a guarda.
Eu sei que você deu folga para todos hoje. Até mesmo a camareira. Você está sozinha aqui Amanda…Ou devo dizer Suzan?
Amanda começou à suar frio. Levantou – se trêmula lembrando – se de onde ficava sua arma, mas suas pernas não se moviam.
Vamos lá. Não fique com medo. Eu não farei mal algum.
O que você quer?
Acho que você sabe o que eu quero.
Ela tentou ir para o lado oposto, em busca do seu talão de cheques.
Não…-interrompeu ele. – Eu não vou sossegar aqui com alguns milhares, não é dinheiro que eu quero. Aliás, não é só dinheiro que eu quero.
Vai me chantagear até o fim da vida então? É isso não é?
Não Amanda…aliás, Suzan. Eu não ficarei retornando e recebendo uma mesada todo mês. Isso é coisa para covardes. Eu não gosto de chantagem. Eu vou é me casar com você!
O que?
Você se casa comigo e eu fico de boca fechada.
Mas isso é chantagem!
Não, não é.
É sim seu desgraçado. Isso é pior do que ter que me preocupar com sua vinda mês após mês.
Não é pior. Eu farei um trato com você. Dinheiro eu tenho, não sou como esse bando de sanguessugas. Eu me sustentarei sozinho mas você pode me dar presentes se quiser. Em três meses, se você não me amar, eu irei embora para sempre.
Você é louco? É isso?
Talvez…
Eu não terei um louco aqui em casa, quanto menos anunciar para todo mundo que estou casando logo depois da morte de Emersom.
Não precisa anunciar.
Mas você falou em se casar, seu idiotaaa! – Amanda chegou à chacoalhar a cabeça conforme gritava com um ódio sem tamanho.
Não minha querida. Eu só estou dizendo que a partir do momento em que você fechou aquela porta, não poderá mais sair.
Claro que posso.
Não, não pode.
Eu faço o que quiser. Ninguém nunca mandou em mim e você pode me matar se quiser, mas eu não o obedecerei.
Eu não vou me impor. Mas estou dizendo que não dá para sair mais. Eu dei um jeito nisso.
Neste instante Amanda ou Suzan tentou abrir a porta, destravou todas as fechaduras mas não conseguiu. Olhou desconfiada por cima dos ombros para ver se o estranho continuava parado onde estava e viu que sim.
Começou à tentar abrir janelas e em breve estava socando e chutando as entradas, muito irritada.
Você não era assim, – riu ele.
Você nem me conhece, aposto que é um plano para tirar meu dinheiro.
Não. Estou dizendo que você não era assim. Tão brava.
Ela desviou o olhar. Isso era verdade. Talvez tivesse ficado cada vez mais irritada depois de que se casou.
Quer que eu lhe faça um chá? – perguntou ele.
Não, nem pense que vamos começar à brincar de casinha. Assim que você virar as costas saiba que eu fugirei daqui ou chamarei a polícia.
Você vê alguma arma apontada na sua cabeça?
Não, mas mesmo assim eu sei que você me machucará se eu tentar algo.
Prometo…-ele mostrou os dedos da mão, – que não lhe farei mal algum.
Há, há. – ela forçou com desprezo.
Foi então diretamente para seu telefone mas não tinha linha. Ela olhou-o chocada. Usara o aparelho não fazia nem uma hora, como ele conseguira fazer tudo aquilo em tão pouco tempo?
Ela jogou-se no sofá pensativa. Saíra de uma prisão e agora caía no calabouço.
Qual seu nome?
Serão três meses sem nomes. Ao final deste período você saberá.
Ela ficou sentada ali olhando para ele durante um bom tempo. Procurava aquele rosto em sua memória mas não conseguia fazer uma ideia de quem ele era ou de onde ele a conhecia. Então entendeu:
Você é um serial killer!
O estranho jogou a cabeça para trás, rindo alto. Era até bem atraente ao sorrir. Aliás, agora que Amanda o observava com um pouco de menos reserva, viu que ele era muito, mas muito bonito.
Não Amanda – Suzan. Eu não sou um louco psicopata. Talvez louco, mas não vou lhe matar.
Isso eu duvido. Se por acaso me soltar na data estipulada você sabe que eu o caçaria vivo, não me deixaria viva para contar a história.
Eu só sei de uma coisa, se ao final desta data ainda me odiar, saiba que nunca conseguirá me encontrar.
Por que, você não é desse mundo?
Ele ficou quieto e por um breve instante ela analisou a ridícula ideia. Não, não era isso.
Novo silêncio se fez e os dois ficaram se olhando. Amanda achou que ele realmente a olhava como se a conhecesse. Havia algo indefinido em seu olhar, mas era algo bom, como carinho ou ternura. Nunca acreditaria no que estava passando se não estivesse vendo com os próprios olhos. Analisou por um momento a ideia de que talvez estivesse sonhando. Provavelmente estava!
De onde você é? – indagou ela.
Do mesmo lugar que você.
Ah, então você me conhece desde a infância.
Isso mesmo.
Estudamos juntos?
Sim, e não.
Como assim?
Bem, éramos da mesma escola mas tenho certeza que você nunca olhou para mim, ao mesmo tempo que não estudávamos na mesma classe.
Você continuou no colégio durante a adolescência?
Não.
Então porque esperar? Por que todos esses anos? O que você quer realmente?
Eu queria saber se você me amaria se me conhecesse.
Por que, você me ama?
Mais do que tudo. – ele disse olhando-a sonhador.
Desta o estranho a abalou. De uma forma boa. Ela nunca ouvira isso na vida. Ninguém nunca dissera que a amava. Como era bom ouvir isso!
Continuaram se olhando. O estranho com seu olhar divertido e Amanda estudando-o. Amanda resolveu dar um passo à frente:
Sente-se.
Obrigado.
Estavam bem mais próximos agora. Amanda não podia conter-se em admirar como ele era bonito.
Eu vou aceitar o chá. – disse derrotada.
Ele levantou-se alegremente e correu para a cozinha. Ela também correu mas para eu quarto. Trancou – o e teve de arrancar todas as gavetas de um armário para conseguir arrastá-lo até a porta. Ele logo veio e começou à bater a porta do outro lado.
Amanda pegou seu celular e viu que não havia sinal. Que estranho! Então jogou-se na cama sem realmente saber o que faria. Inutilmente levantou-se para verificar a janela, pareciam que todas tinham sido pregadas por fora. Mas isso ele não podia ter feito durante o funeral. Pode ter feito antes, ela nunca abria suas janelas.
Como ele conseguira? Era amigo dos criados? Ela pensou por um instante se ele era o motorista. Era o único empregado que parecia ter sempre o rosto escondido já que usava uma boina e óculos escuros constantemente, até à noite, o que a assustava na hora dele dirigir a limousine.
Eu sei quem você é! – ela gritou.
E quem sou?
Você é o motorista!
E isso resolve o que? Você sabe então o nome que eu dei à vocês.
Mas nós verificamos seus documentos quando o contratamos.
Tudo falsificado.
Amanda sentiu-se trêmula novamente. Tal motorista fora contratado à mais de 10 anos atrás. Era o mesmo.
Você é louco, sabia? Esperando todos esses anos…Credo!
Louco por você.
Ela sabia que ele poderia ser muito mais perigoso do que parecia ser, ainda mais por ser bonito, parece que há algo relacionado entre uma coisa e outra. Mas não conseguia evitar o impulso e retirou o armário que empurrava a porta.
Os dois estavam novamente frente à frente.
Está bem seu louco, vamos conversar.
Ele sorriu e ela pensou pela milésima vez sobre como ele era lindo. Roberto, o motorista, tinha uma bandeja com xícaras e um bule saindo fumaça. Ele indicou com a mão para ela ir na frente.
Enquanto descia a escadaria luxuosa, ela foi falando:
Está bem, até vou concordar porque não há mesmo o que eu possa fazer. Mas este não será um casamento, só conversaremos na sala, você ficará não só longe do quarto mas também do segundo andar. Não confiarei em ouvir você perto enquanto durmo, está bem?
Como você quiser.
Ela ficou um pouco surpresa com sua concordância, já que na verdade era ela quem estava à mercê dele. Desejou que ele estivesse dizendo a verdade.
Os dois chegaram novamente à sala e ele a serviu, depois encheu a própria xícara de chá fervente e se sentou, fazendo o possível para ficar bem longe dela. Amanda gostou disso.
Seu nome não é Roberto? – indagou ela assoprando seu chá.
Bem, o nome é sim Roberto. Mas não Gallardo.
Me fale seu nome então.
Daqui à noventa dias.
Para que isso? Você está dificultando as coisas.
Porque daqui à três meses, se quiser que eu vá embora de sua vida, eu irei, você estará livre e com a linha de telefone de volta. – ele sorriu da própria brincadeira. -Mas se me quiser aqui, aceitando-me terá tudo o que sou mas terá também que ser você mesma.
Você veio aqui pedindo emprego há o que? Doze, dez anos atrás? Para isso? Me perseguindo como um louco?
Treze. Durante dois anos fiquei remoendo que você se casou. Depois vi que não podia viver sem você e vim aqui para acompanhá-la.
Você quis ser motorista?
Não, eu posso muito mais, mas era a única forma de ficar perto de você.
Mas então porque esses três meses, o que te faz pensar que algo mudou?
Para minha…nossa sorte, ele morreu.
Eu não desejava que ele morresse.
Você não me engana como faz com todos Amanda – Suzan.
Não estou mentindo, eu não desejei que ele morresse.
Mas não o amava. Por isso fiquei.
E se eu o amasse?
Eu acho que eu teria ido embora. E agora que ele se foi, eu preciso saber.
Você vai se desapontar grandemente quando os três meses passarem.
Ou você.
A autoconfiança dele sobre si mesma a irritava. Ela terminou o chá e bateu com a xícara no pires, então subiu para seu quarto onde se trancou de vez.
Na manhã seguinte ela acordou com dor de cabeça mas ao mesmo tempo sentindo-se emocionalmente muito bem. Que sonho! Riu de si mesma, e então levantou.
Logo viu as gavetas que tirara na véspera todas jogadas à porta para caso se ele abrisse fizesse bastante barulho, além da trava. Não era um sonho, aliás, um pesadelo, era real.
Ela levantou-se mal-humorada. Era vaidosa, não espetacularmente bonita mas dali em diante deixaria o cabelo o mais feio possível e não usaria maquiagem por três meses.
Ao descer viu que ele já a esperava, o café da manhã pronto e bem suculento à primeira vista. Mas ela correu direto para porta de entrada, tentando abrir. Desistiu sentindo-se humilhada. Veio e se sentou à mesa.
Você está linda. – ele a observava.
Ela sorriu encantadoramente, ele parece ter ficado bobo com sua reação. Ela levantou-se lentamente e começou à diminuir a longa distância entre eles, caminhando até a ponta da longa mesa que os separara. Chegou bem perto dele e então soltou o ar de sua boca com vontade:
Também não escovei os dentes ainda. Então, estou linda mesmo?
Qualquer um acorda com esse bafo Amanda – Suzan. – disse ele sustentando o olhar. O que sinto por você é profundo.
Ela voltou à seu lugar e sentou-se derrotada.
À tarde Roberto fez macarronada, legumes, uma sopa bem requintada de abóboras e preparou uma rica salada. Amanda pensou se ele teria saído sem que ela tivesse visto e comprado tudo aquilo.
Os dois comeram em silêncio. Amanda sentia ser observada mas não se atreveu à olhar. Nem daria a primeira palavra para não sair perdendo. Ele mostrou saber ficar em silêncio e horas após o almoço ela já estava entediada. Não queria ser a primeira a falar mas ele estava tornando as coisas difíceis. Se lembrou de repente de seu notebook, que ficava no escritório do falecido, apesar de ser seu. Ele sempre fizera mais uso do que ela, mas o aparelho possuía algo que ela precisava agora: a internet.
Começou à subir a escadaria e viu que embora Roberto parecesse notar seus movimentos, nem olhou diretamente. Bom. Ela não precisaria dar uma desculpa. Chegou no escritório logo e se trancou.
O notebook parecia levar horas para ligar o que na verdade demorou dez segundos. Ela procurou como falar ao vivo com alguém e não sabia como. Então abriu o serviço de envio de e-mails e digitou a mensagem:
Estou sendo feita refém em minha própria casa.
Me ajudem por favor.
Enviou o e-mail para exatamente todos que estavam na lista. Uma caixinha foi aberta mostrando o andamento de envio. Iria demorar bastante. Ela achou melhor não abaixar a tela, não se lembrava se poderia desligar o computador então colocou-o aberto mesmo embaixo da mesa de seu falecido marido.
Quando abriu a porta quase caiu para trás. Roberto estava bem ali, como se soubesse de tudo, com ambas as mãos para trás. A mesma pose que usava perante ela em todos esses anos de serviço.
A internet não funciona. -disse ele.
Amanda queria chorar. Aquilo era demais.
Foi só ver as primeiras lágrimas caírem que Roberto a agarrou pelos ombros:
Está bem, chega. Me perdoe.
Ela demorou para entender o que ele dizia. Então se recompôs:
O quê?
Eu vou embora. É isso que você quer não é? Eu não consigo continuar meu plano se você sofrer.
Surpresa, Amanda olhou-o com menos reservas, desta vez:
Jura?
Claro. Quando vai acreditar no que eu sinto por você?
Bem, é difícil. Você nunca me disse nada todos esses anos.
O amor verdadeiro é discreto quando proibido.
Ela analisou-o. Havia verdade em seu olhar. Decidiu acreditar nele.
Amanda pensou na própria vida. Sua vaga e monótona vida. Nada remotamente parecido jamais lhe acontecera na vida. E provavelmente não aconteceria. Mal sabia ela que quando acreditamos em algo é exatamente assim que as coisas acontecerão. Ela então decidia agora ter tido uma vida sem graça e de que nada mudaria no futuro.
Talvez…-começou ela. – Eu fique mais um dia. Somente mais um.
Roberto sorriu como se tivesse ganhado um presente.
Incrivelmente o “somente um dia” se tornou mais outro, e outra noite.
Amanda descobriu ele sabia tudo sobre ela. Realmente era lisonjeiro ter um fã, pois era isso que ele parecia ser. Já ela mal sabia algo sobre ele e andava descobrindo, cada vez mais deslumbrada e intrigada com seu motorista.
Roberto fora um menino de sorte, com ótimos pais e um lar cheio de amor. Ia muio mal na escola mas se dava bem pela sua carisma, e era o preferido de muitos professores sendo que assim é que conseguia passar de ano no final.
Na adolescência ele percebeu seus sonhos, queria ser advogado, médico, juiz ou alguém que ele considerava bem sucedido. Isso é que seria importante.
Embora amasse seus pais ele sempre os achou humilde demais. Não possuíam ambição e por isso achava que muita gente os faziam de bobos. Ele desejava que sua vida fosse ser diferente. Durante todo aquele tempo seu pai era seu maior confidente. Ele sabia sobre Amanda. O pai sempre o encorajou mas ele sabia que aquela menina jamais olharia para ele.
Por que? – indagou ela.
Bem…eu me sentia pequeno, pela sua posição e tudo o mais.
Mas eu não era rica Roberto.
Bem, era mais do que eu e isso já era o bastante.
Amanda pensou por um longo tempo. Uau. Percebeu então como Roberto devia ser pobre pois ela era bem pobre, por isso acabara se casando por dinheiro. Se ele a olhava por baixo, então devia chegar ao ponto de passar fome!
Ela simpatizava com ele cada vez mais.
E sem perceber, se apaixonou.
Dez dias depois de estar presa em cativeiro, Amanda sentia que o amava. Ele continuava dormindo no sofá, mas agora que ela sentia algo por ele, tinha medo de perdê-lo. Sempre quisera o dinheiro e fugira do amor, então pelo jeito o amor decidira cair de pará-quedas em sua vida e fazê-la pagar.
Os dois conversavam muito e Amanda passou à cozinhar também.
Foi num momento em que ambos cortavam legumes, jogando as cascas um no outro que ela tropeçou, indo parar nos braços dele. Seus olhos se cruzaram e ela não resistiu quando ele a beijou.
Ninguém conseguia acreditar que Amanda se casara tão rápido. Um mês depois da morte do marido tão mais velho que ela, Amanda então casara-se com o motorista, alguns anos mais novo que ela. Toda a rica sociedade comentava maldosamente como Amanda o mantivera como amante todos esses anos, ninguém poderia imaginar nada diferente.
Ela mal se importou. Sabia o que deveriam estar dizendo aquele bando de gente desocupada, mas estava amando, era amada e se achava sortuda em ter alguém que a seguiu por toda sua vida. Ninguém a amaria mais do que isso. E ela sentia-se abençoada por viver a maior história de amor de que ela já ouvira falar. Nem em livros ela vira uma história assim! Para o inferno quem lhe criticava!
Viveu feliz e completa. Certamente fora uma boba, hoje em dia trocaria o dinheiro por amor de olhos fechados. Não era à toa que vivia tão brava depois do primeiro casamento.
O conto de fadas não durou muito tempo. Um tempo depois ela começou à sentir mal estar que aumentava devagar. Assustada com o que parecia ser alguma doença, ela decidiu ir ao médico depois de um mês. Descobriu que estava tudo bem.
Então ela se alegrou ao imaginar o que seria algo inesperado, que ela prometera que jamais faria na vida, mas que o destino pelo jeito trouxera para ela. Afinal tudo do que ela fugiu na vida estava vindo de encontro a ela, então talvez…a gravidez também.
Ela teve a ideia uma semana depois de ir ao médico e ao invés de consultar um especialista, resolveu falar com Roberto. Ele pulou de felicidade.
Assim nossa felicidade estará completa.
É mesmo, – ela concordou.
Nem quis saber os resultados, só a ideia de ter uma família com um homem que ela amava de verdade e que a amava de volta era fascinante. Começou à preparar o enxoval.
Foi na loja enquanto fazia as compras de roupinhas e acessórios amarelos, pois não iria querer saber o sexo do bebê até seu nascimento, que ela desmaiou.
Quando acordou Amanda estava deitada em sua cama, em casa. Roberto entrou pouco depois que ela despertou, trazendo seu delicioso chá, algo que ele jamais parou de fazer para ela desde que “se conheceram”.
Você está bem querida?
Não… – ela respondeu confusa. – O que aconteceu?
Você desmaiou durante as compras. Nosso motorista (contrataram um novo é claro) a trouxe e eu chamei seu médico particular. O Dr. Rubens disse que você está bem. Que não há nada com que se preocupar…
Mesmo após a declaração Roberto parecia triste. Ela o viu franzir a testa e tocou seu queixo com a ponta dos dedos, fazendo-o olhar para ela.
O que foi meu amor?
Querida…Não quero que fique preocupada… Ou triste…
Por que? Eu estou doente? É grave?
Não! -ele riu. – Não é nada disso. Mas o médico disse assim que você não está grávida… Eu sinto muito.
Ela tocou o próprio ventre, triste. Bem, não se tratava nem de um alarme falso. Ela é quem imaginara coisas.
Na manhã seguinte ela estava pior ainda, e à noite vomitava e desmaiava toda hora. Ela pediu que o marido chamasse seu médico mas ao voltar, ainda com o telefone na mão ele disse que o Dr. Rubens estava fora da cidade. Disse que chamaria algum outro médico.
Roberto desceu e não voltou mais. Amanda olhava para o relógio preocupada, meia hora… uma hora, e nada dele vir. Então indignada ela gritou pelo marido.
Ele chegou assustado. Trazia sopas e uns pãezinhos:
O que foi meu anjo? Estava preparando umas coisas para você,
Eu estou vendo. Mas e o médico? É disso que estou precisando, fiquei preocupada querendo saber onde você estava.
Ah sim, está tudo bem. Ele está vindo e já deveria ter chegado. Enquanto isso eu lhe fiz esta sopa.
Amanda mal conseguia se levantar e quando o fez com a ajuda de Roberto, cuspiu sangue. Ele a ajudou momentos depois ela conseguiu comer alguma coisa. Apenas duas colheradas de sopa e então não conseguia mais comer.
Roberto desceu para levar a bandeja e voltou com o novo médico. Este a examinou e viu que não havia nada demais. Disse apenas que precisava de repouso. Amanda sentiu um aperto no coração e não via a hora do estranho ir embora. Quando finalmente se foi ela disse à Roberto:
Querido, eu acho que sei o que está acontecendo.
Ele sentou-se na beirada da cama e tomou suas mãos nas suas.
Eu preciso de um pedaço de papel, algo bonito e caro, deve estar no escritório. Traz para mim?
Claro.
Uma vez com papel e caneta na mão ela começou a escrever sem parar. Pediu para que Roberto marcasse uma hora com o advogado de Amanda e que viesse na primeira hora que pudesse no dia seguinte.
Roberto obedeceu mas hesitou em sair do quarto, com os olhos presos no papel.
Amanhã você lerá e saberá do que se trata, – disse ela.
Você vai ficar bem amor. Não está doente.
Ele sabia o que ela estava fazendo. Isso apertou seu coração. Sempre tão compreensivo, dando-lhe tanto apoio, tão bom com ela… Agora que ela estava feliz…justo agora.
As dez da manhã do dia seguinte o advogado se foi. Roberto correu para o quarto e se sentou na cama. Amanda lhe deu o papel. Havia um carimbo oficial e ele entendeu porque viu duas criadas entrarem no quarto enquanto o advogado estivera ali.
Amanda redigira um testamento deixando todos seus bens, as casas, tanto as três na cidade como duas no campo e uma fazendo no estrangeiro em nome de Roberto. Ele quase amassou o papel, Amanda sentiu sua dor. Interrompeu-o antes:
Deixe-me falar primeiro. Se algo acontecer é isso que eu quero. Mas eu tenho esperanças, aliás estou certa que vou sair dessa. Embora todos os médicos venham me dizendo que estou bem mas ao mesmo tempo me sinto pior a cada dia. Jamais amei alguém como você Roberto, assim como você a mim e eu quero deixar meus bens desta forma. Apenas por precaução. Emersom estava cheio de parentes, tudo isso poderia cair em mãos erradas. Uma vez que alguém se torna milionário sente a necessidade de criar um testamento.
Ele sorriu e beijou-lhe a testa.
Então sem dizer nada, desceu.
Amanda sentiu-se inquieta e tudo ficou escuro.
Quando abriu os olhos viu Roberto entrando com nova bandeja. Ela sorriu e conseguiu recostar-se sozinha na cama.
Roberto havia preparado seu prato favorito, ao menos feito por ele: ela amava sua macarronada e salada, sempre tão rica.
Ele a observou comer e passou a mão em sua testa. Os dois trocaram um beijo e ela continuou comendo.
Como você se sente em relação à seu ex-marido?
Bem…-começou ela um pouco surpresa. Jamais conversavam sobre o passado, era embaraçoso para ela e da parte dele ela não queria ter ideia de quem eram suas ex-paixões.
Eu sei…você não o amava.
Havia alguma reprovação em sua voz? Talvez nem fosse isso, mas a consciência pesada de Amanda a acusava. Passou a se explicar:
Ora, mas eu cuidava dele como qualquer mulher cuida do marido, e sobre isso eu digo: muito bem. Mas quem aguenta passar a vida em segundo plano enquanto tudo o que ele faz é ajudar esse monte de sanguessugas e me deixar em segundo plano? Eu perdi meu amor por ele, se quer saber. Eram amigos, parentes, e até sua família que ele jamais me apresentou. Eles também o sugavam. Emersom tinha um irmão vagabundo em algum lugar, um pai que bebia e estava inválido. A mãe parece que morreu. Mas Emersom não tinha mais paciência para lidar com eles, mas eu sei como ele continuava enviando uma boa quantia em mesada.
Roberto sorriu. Consentiu com a cabeça várias vezes.
Tudo parecia escurecer e Amanda sentiu seu corpo rígido. Piscou várias vezes sem entender.
Do que está rindo? -indagou ela.
Bem…É estranho você lembrar disso agora.
Lembrar do que? Estou assim porque não estou me sentindo bem.
Eu sei que não. Tem ficado cada vez pior a cada dia que passa.
Eu vou melhorar.
Não vai não.
Amanda observou-o surpresa. Roberto parecia outra pessoa. Um olhar ansioso, fixo no dela.
Você pensou que poderia fazer todas as coisas que fez e jamais pagaria por isso.
Amanda abriu a boca e fechou. Estava petrificada.
Você era Suzan alguma coisa e se tornou Amanda, trocou de nome, tudo pelo que fez no passado.
Eu me casei com um homem rico pelo dinheiro, foi tudo o que eu fiz.
Não. Eu sei como não foi só isso.
Amanda sentiu o coração disparar. Então era isso!
Eu era jovem e ingênua.
Você matou alguém Amanda – Suzan.
Amanda entrou em pânico e queria sumir dali. Mas estava com o corpo bem dormente agora.
Eu não matei… Foi um acidente!
E mesmo assim você conseguiu esconder dele para o resto da vida.
Como sabe de tudo isso? – gritou ela.
Por que ela era minha mãe.
Foi tudo um acidente. À muitos anos atrás e novamente por um testamento, Amanda discutiu com uma mulher e acabou por jogá-la da escada. Ela morreu na hora. Emersom a ajudou mesmo que isso fosse um sacrifício da própria parte pois a dor era dele também.
Você é irmão do Emersom.
Roberto sorriu.
Você veio se vingar?
Não só isso. Você acabou com nossa família. Meu pai começou à beber porque sempre achou que minha mãe se jogou de propósito, que se matou. Emersom mal podia nos encarar mais nos olhos porque ele ficou ao seu lado, defendendo a própria assassina de sua mãe. E quanto a mim… Bem, eu era o favorito dela. Porque você acha que Emersom cresceu fazendo tudo pelos outros? Porque ele sempre mendigou a atenção de nossa mãe. Era inseguro, eu conseguia sem esforço.
Além do mais. Você não iria ficar com o dinheiro minha cara, eu vim buscar o que é meu.
Amanda estava completamente dura agora. Era com horror que ela via a última coisa.
Vejo que você tem curtido minhas refeições envenenadas. – Roberto observou-a com prazer.
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Bem que eu desconfiei desse chá. Gostei mesmo da estória. Muito boa.
Obrigada Thaina, que bom que gostou.
Beijos!
olá May, eu tava gostando muito da história, mas em dado não consegui mais ler pq a falta de pontuação (os travessões das falas, principalmente) estaca me deixando muito confusa.
Sugiro que reveja esse texto, verifique as incorreções gramaticais e de pontuação, e peça para o Guns substituir o texto, porque assim tá difícil de ler