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Jan
25
2011

Revolta Imperial – Parte I

Escritor: Matheus A. Francisco

A taberna era grande e estava cheia. Orque adora feriados, eles trazem muitos clientes. O único problema é que nessas ocasiões sempre aparece algum louco que bebe demais e acaba fazendo besteira. Hoje havia três pessoas que Orque não conhecia, mas apenas um era suspeito. Ele trajava roupas de couro marrom por baixo de um sobretudo azul com um grande capuz.

- Mais uma, Orque! – pediu o sujeito estranho que estava sentado numa das cadeiras do balcão.

Orque nunca o tinha visto antes, mas o sujeito lhe chamava pelo nome como se o conhecesse. Ele já estava bem bêbado. Orque pegou uma garrafa de hidromel, colocou um pouco num copo cheio de água até a metade e mexeu bem. Não gostava de fazer isso, porém precisava zelar por seu estabelecimento. Se o homem ficasse bêbado demais poderia criar confusão.

- Já estou tão bêbado que quase não sinto o gosto dessa coisa – disse o sujeito estranho.

Na opinião de Orque ele devia ser um soldado, por causa da boa forma física, e ter uns trinta e cinco anos. Por baixo do capuz se insinuava uma mecha de cabelo branco quase transparente.

- Mais uma! – pediu novamente.

- Você devia parar de beber – recomendou Orque.

- Só quando o rei desse país vagabundo devolver o que é meu! – disse ele.

Orque entendeu que o homem devia ser apenas um idiota delirante, então resolveu gozar ele.

- O que o rei precisa devolver para você? Seu emprego de escravo?

- Não! – O sujeito ficou nervoso. – A coroa!

Orque segurou o riso. Os músicos que se encontravam do outro lado da taberna, num pequeno palco de madeira, começaram a tocar uma música alegre de ritmo agitado. O sujeito colocou as mãos em concha a frente da boca:

- Não toca essa música! – gritou, porém os músicos não lhe deram atenção. – Se continuarem eu corto minha orelha! – ameaçou, mas a melodia continuou.

Orque se retirou para o fundo da taberna para poder rir do homem louco. Depois voltou trazendo um refrigerante que tinha gosto de Sidra, uma bebida preparada com sumo fermentado de maçã.

- Mais uma! – disse o sujeito enquanto limpava a boca com o tecido azul do sobretudo que o recobria.

Orque serviu o refrigerante.

- Isso não é hidromel! – reclamou.

- Hidromel acabou – explicou Orque. – Isso é Sidra.

O sujeito fez uma careta.

- Está muito fraco para ser Sidra.

Orque pensou num modo de evitar que o sujeito venha a descobrir que aquilo era refrigerante.

- Pode acreditar que isso é Sidra, o senhor que está bêbado e não consegue senti-la direito.

- Pode ser isso – concordou o sujeito.

Os clientes festejam e cantavam junto com os músicos quando um homem alto e robusto, trajando as mesas roupas que o homem estranho que está importunando Orque, porém com o sobretudo vermelho, entrou silenciosamente no local e sentou-se numa mesa distante.

- Não quero mais Sidra – disse o sujeito da capa azul, – agora quero vinho.

- Primeiro pague o que você bebeu até agora e depois eu trago mais – disse Orque.

- Por quê? Acha que sou caloteiro? Acha que não tenho como pagar?!

- Não acho nada, só quero que você pague o que já consumiu.

O homem resmungou, tirou dois talentos de prata do bolso do sobretudo e os colocou em cima do balcão.

- Agora traga o vinho.

Enquanto Orque procurava o seu pior vinho tinto um jovem se sentou ao lado do sujeito no balcão.

- Não senta aí ou eu arranco meu nariz! – ameaçou.

O jovem se levantou e foi para o outro lado, mas o lugar agora vago foi novamente ocupado.

- Não senta aí ou eu… Você?!

- Sim, eu – disse o individuo robusto de sobretudo vermelho.

- Você veio me matar, Nicajo?

- Sim, general.

O homem de sobretudo azul saltou para o outro lado do balcão e tirou um pequeno bastão amarelo do bolso. Nicajo puxou uma corrente do seu e atacou o general, que pulou para o lado.

A corrente destruiu uma parte do balcão e os clientes começaram a correr para fora da taberna. Orque pegou sua espada e veio ver o que estava acontecendo. Nicajo, o sujeito de vermelho, tinha uma corrente incandescente nas mãos e tentava atacar o homem de azul, que desviava com agilidade dos golpes mesmo estando muito bêbado.

- Parem com isso! – Orque brandiu a espada.

O general apertou com força o pequeno bastão, ele ficou dez vezes maior. Os adornos feitos no bastão dourado lembravam o Cetro Imperial. Orque se assustou e correu para os fundos da taberna, se trancando na despensa.

O general golpeou Nicajo com força, fazendo com que ele fosse atirado para o outro lado do estabelecimento.

- Seu rei não permanecerá no poder por muito tempo – disse o general. – Eu vou reaver meu trono e não sobrará mais nenhum Saxão infiltrado nessa nação.

Os clientes haviam chamado o delegado da cidade, que já estava no local da ocorrência.

- Que bagunça é essa aqui? – perguntou com raiva e batendo o cassetete de madeira na parede. – Vejo que são dois arruaceiros, não?

Ele ordenou para que seus soldados rendessem os dois meliantes. O general saltou pela janela e fugiu na floresta. Nicajo levantou e matou todos, inclusive o delegado, com sua corrente.

- Eu ainda te pego! – falou Nicajo para si mesmo


Written by Matheus A. Francisco in: Agenda,Contos,Matheus A. Francisco | Tags: , , , , , , ,

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