Tempo Sobre Tempo
Escritor: Fabricius Zatti
Mãos em concha, água escorrendo por entre os dedos lentamente. Sinto o frio sobre minha pele, um fluxo contínuo seguindo seu próprio ritmo. No espelho, um rosto cansado e de linhas marcadas, nas mãos agora apenas restos de um objetivo não alcançado. Não lavei o rosto.
Sinto-me como minhas mãos. Curvas, enrugadas e com profundas linhas. Minha vida é como o momento que passou. Encantado pela rotina, apenas vejo imóvel o tempo passar por entre meus dedos, como a água que escorre enquanto o objetivo de se viver permanece esquecido.
Água como tempo, tempo como água. Se acumula, viaja e se molda, tudo sem nunca parar seu fluxo com um rio. Rio que nasce estreito, cresce por seu trajeto. Ganha forças se tornando instável e violento. Avança sem medo, como o tempo.
Eu aqui continuo imóvel, observando a água. Água sobre água, tempo sobre tempo. Peso sobre os olhos, branco nos cabelos. Penso sobre as mãos, penso sobre o tempo. Perdi o meu momento…
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Gostei do “água sobre água. tempo sobre tempo.” Achei o texto calmo, me fez pensar no momento da velhice. quando a maioria dos nossos sonhos foram realizados.
Me pareceu uma poesia formatada em prosa.
Até mesmo porque Reiteração não fica legal em prosas.
Concordo com o Flavio, não gosto muito desse jeito meio poético de redigir o conto.
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Mas entendi bem a questão do tempo, e no caso da qualidade da escrita, que julgo ser o mais importante, o texto está muito bom.
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Abraços.
Bem legal, ótimas analogias.