Agonia
Escritor: L. M. Morone
Seus olhos, nos meus olhos, próximos. Sua face junto a minha, coladas, os olhos dela nos meus. Eu podia ver além deles, sentir o que ela sentia, e ela fazia o mesmo, trocávamos nossos sentimentos de dor, esperança, mútuos, um só, rezando. Mal podia dizer nada, ela, e talvez nem mesmo eu, ainda assim precisava ser forte. Minha força precisava estar nos meus olhos, e torná-la mais forte, e juntos seguir em frente. Mas talvez aquele não fosse mais o nosso tempo, juntos, de vivermos para sempre. Ela ainda me olhava, nos meus olhos. Sem dizer nada, eu lia em seu olhar os gritos de dor e agonia, já estavam se tornando desesperadores, insuportáveis. Eu apenas mantinha minha força, nada mais podia fazer.
Sentia uma mão sobre meu ombro, era a mão da saudade, pedindo que me afastasse, eu me recusava. Então em meu outro a ombro a mão do destino, e eu recusava. Até que então pararam de me puxar, e eu pude ver as mãos da morte, sobre os ombros dela. Ela lentamente, com lágrimas em seu rosto, fechou seus olhos, logo antes de me dizer – Eu te amo. Tive tempo apenas de por as palmas de minhas mãos sob sua cabeça e gentilmente deitá-la no chão. No chão onde ela permaneceu, do lado da morte, inabalável. Tudo que me cabia era voltar e encarar a saudade e o destino. E então andar com eles até o dia em que a morte voltasse, desta vez, para me levar consigo.
*** Fín ***
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Lukeeeeeeeeeeee
Eu sempre soube que ela tava morrendo, embora não seja todo o drama a qual eu sou habituada, é poeticamente envolvente e triste.
Agora para de reclamar que o povo não comenta
Bem triste, perder quem ama.
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Ótimo texto. Tentar escrevê-lo como um poesia podia dar certo. Não entendi esse negócio do “Fín”, mas tudo bem.