Asfixia
Escritor: Chico Anes

Começou aos poucos, quase sem ser notado. As crianças foram as primeiras a sentir os efeitos, parando no meio das brincadeiras de pega-pega, esquecendo o futebol pela metade, preferindo montar quebra-cabeças à correria. Depois o boato tomou as conversas em bares, as janelas leva-e-traz das faladeiras, os programas de entrevistas, até virar notícia oficial, grave em seu chamado de cadeia nacional, transmitida a cada povo do planeta por seu próprio governante.
Não se sabia a origem do fenômeno. Nos botecos, diziam que a Terra atravessava uma região do espaço ocupada por elementos de anti-matéria que sugavam a atmosfera. As tevês culpavam os raios solares, a camada de ozônio, o El Niño. Saltando de janela em janela, entre fofocas e ladainhas, um versículo do Apocalipse ecoava: “e o sétimo anjo derramou sua taça pelos ares”. Não havia consenso, mas o fato é que a Terra, como um balão cheio de minúsculos furos, vazava gases para o cosmos.
O mundo estava perdendo ar.
Há menos de um mês, João se divertia com as piadas de narigudos fungando porções extras de oxigênio, ou dava opiniões em rodas animadas sobre qual era a quantidade mínima do gás precioso para que o homem pudesse sobreviver fazendo sexo todo dia. Havia sim as piadas, mas João reconhecia, modulado nos timbres das vozes, escondido permeando risos, o inconfundível tom do medo.
A cada dia o ar se tornava mais rarefeito, e não se descobria a causa.
Com o corpo afundado numa cadeira na varanda de seu chalé à beira-mar, comprado com os anos de salário como mergulhador, João refletia: havia trabalhado em plataformas de petróleo, consertando tubos e juntas a grandes profundidades. Aposentara-se imaginando uma velhice tranquila, apesar de solitária, já que as longas estadas em alto-mar não conciliavam com uma esposa fiel. Revivia pelas imagens em sua memória as centenas de mergulhos realizados na juventude. Relembrava os rostos que vira atrás das máscaras quando, mal calculado, o oxigênio nos cilindros subitamente chegava ao fim ainda nas profundezas. Vira olhos arregalados, primeiro de espanto, depois de terror. Vira as mãos cegas, desesperadas, procurando ar onde não havia, tentando agarrar o companheiro e arrancar de sua boca o regulador, para então se cravarem na própria garganta e aceitarem o destino. Vira-os flutuarem sem vida, asfixiados. Ele mesmo já estivera em situação semelhante, os pulmões colados, a cabeça explodindo, o coração desorientado. Só se salvara por estar mais perto da superfície, onde outro mergulhador pôde compartilhar seu gás; lá embaixo a reserva seria insuficiente, e tentar salvar um amigo seria condenar dois à morte.
João notou que as crianças haviam desaparecido e, com elas, as brincadeiras. Ninguém se apressava mais; não havia fôlego. A rua, antes alegre e barulhenta, agora estava deserta. Não era apenas a falta da gritaria da molecada que deixava a rua quieta. Cachorros já não latiam nem corriam atrás de gatos, estes também desaparecidos. Aves não voavam. O vento, como se precisasse de oxigênio para soprar, tampouco zunia. Os carros e tudo que pudesse poluir a atmosfera vaporosa foram proibidos mundialmente, e o descumprimento desses e outros decretos, sob aplicação marcial, eram punidos com execução sumária. João estava com medo. Não gostava daquele silêncio; fazia-o se lembrar da mudez dos abismos oceânicos.
Levantou-se lentamente, à maneira dos anciãos, e foi à cozinha. Preparou um copo de leite frio e bolachas. Há dois dias o governo também proibira o fogo. Qualquer atividade que se servia da combustão estava suspensa. Os alimentos eram consumidos crus. João não via problemas nisso; preocupava-o mais o momento em que, ou por falta de energia nas máquinas ou pela insuficiência da energia humana, a comida começasse a escassear.
Voltou à varanda, apoiando-se nas paredes, fatigado e zonzo. Impossibilitado de manter-se em pé, jogou-se na cadeira e ligou o rádio, observando o peito subir e descer apenas levemente, como se respirasse pela metade. As transmissões eram raras. Somente os informes do governo cumpriam com a pontualidade, impondo novas sanções ou trazendo notícias da asfixia global. João tinha esperanças de ouvir que o fenômeno era passageiro, que fora descoberta a causa do flagelo, o motivo de a Terra estar se esvaziando de oxigênio. Mas nada; somente notas sombrias: mortes, suicídios, mais um mercado saqueado, famílias presas em grandes edifícios sem ter para onde ir, um pai desesperado por alimentar os filhos, errante após o toque de recolher, fuzilado pela Guarda Nacional. Ao menos ali, no interior, tinham um pouco de comida para dividir; mas o ar – o precioso ar – faltava a todos.
João foi dormir mais cedo. Sonhou que nadava no fundo do mar, sem equipamentos, mas respirava normalmente e se movia ligeiro como os golfinhos. Apesar da escuridão, podia ver os peixes, os corais, abismos e… Luzes! Não as podia identificar, apenas que se aproximavam. Luzes. Aproximando-se. O medo espetou-o como farpa sob as unhas: aquelas luzes eram seus companheiros mergulhadores, mortos e perdidos na imensidão oceânica, as cavidades oculares brilhando como faróis. Cercaram-no e o agarraram pelo pescoço, as mãos mortas se fechando e o estrangulando. João sentiu os olhos arregalarem como um afogado e o ar sumiu de seus pulmões. Acordou com o susto, no breu do quarto, arfando, ainda sem fôlego. Custou a perceber que o sonho se fora, pois também se fora o ar, e ali em sua cama parecia que nadava em apnéia.
Levantou-se para um copo de água. Da janela da cozinha, ouviu alguém chorar. Alegrou-se com aquele som. Mesmo sendo um lamento, era produzido por alguém! Não estava só, afinal! Vinha da casa ao lado. O choro era fraco, de criança. Ouviu gritos de uma mulher; provavelmente a mãe. Pedia socorro, parava, arqueava, pedia de novo. Ninguém respondia.
João vestiu uma camisa, cambaleou pelo quintal e bateu à porta. Lá dentro a mãe se desesperava em ver a criança no berço, rosto azulado, tomada por convulsões. A pobre criatura nascera asmática e o ar lhe fazia mais falta. O pai implorava por ajuda.
O ex-mergulhador possuía um cilindro de oxigênio em casa. Pegou-o e o levou para a criança. Ensinou o uso e, quando disse que ia embora, viu nos olhos da mãe a mesma agonia dos asfixiados; aquela mulher seria capaz de matar pelo cilindro. Mas João não pensava em levar equipamento de volta. Apenas aconselhou parcimônia, pois não havia outros iguais àquele. Voltou se arrastando, seguido por pensamentos desoladores. Em breve, todos estariam da cor do bebê, afogados em plena terra firme.
Os dias amanheciam cada vez mais abafados. Os poucos que se aventuravam na rua não mais andavam, arrastavam-se de quatro. João, de sua cadeira, ria da ironia da vida. A raça humana, que se destacara na evolução por andar sobre duas pernas, inclinava-se e devolvia as mãos ao solo. Movia-se como bichos.
A dor nos pulmões era cruciante, a cabeça girava. Não era como no fundo do mar, que o ar faltava de uma só vez. Ali a coisa ia aos poucos. A morte demorava, como se precisasse de oxigênio para sua manejar sua foice, mas ele sabia que cedo ou tarde ela chegaria. Vez ou outra se ouvia um estampido. Alguém, no mais profundo desespero, antecipava o fim. Pior quando ouvia quatro, cinco tiros: uma família inteira se fora!
João não tinha uma arma.
As transmissões haviam cessado completamente. Nenhuma voz, nenhuma notícia, nada de esperança. O bebê do vizinho estava morto, assim como a mãe. Ninguém mais enterrava seus defuntos. O pai saíra rastejando pela rua e não voltara mais. Os homens agora se moviam sobre o ventre, como répteis. Despediam-se da vida com o rosto ao chão.
João caiu da cadeira, arrastou-se pela rua passando por cima de aves mortas. Rolou o barranco, tossindo, vomitando com esforço, quase desfalecendo. Fincou os dedos na areia da praia, puxando o corpo. Sorriu quando a primeira onda molhou seu rosto. Olhou para os lados e viu cadáveres; o caminho até o mar interrompido pela asfixia. A humanidade, como amante traída pelos ares que a sequestrara das águas, tateava o retorno ao berço Paleozóico.
Continuou a se arrastar até que as ondas lhe submergissem a cabeça.
João engoliu o primeiro gole, o segundo, o terceiro, enquanto procurava pelos olhos brilhantes dos afogados e pelas mãos que fechariam de vez sua garganta.
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Que texto agoniante! Ficou muito bom mesmo, diferente de todos os tipos de textos que eu já li sobre, como a humanidade terminaria. Esse jeito foi cruél, ficar sem ar durantes minutos é deseperador, eu fiquei imaginando ir perdendo o ar aos poucos. Amei, mesmo.
Quando eu estava pensando em idéias para participar de uma antologia de contos sobre o fim do mundo (2012 e a profecia Maia chegando…), tentei extamente isso: qual uma das piores maneiras de se morrer? E, ao menos para mim, a resposta foi: lentamente. E qual uma das maneiras mais lentas de se morrer? Aí veio a idéia de o mundo ir perdendo ar as poucos…
Que bom que gostou Thaina! Valeu!
Há! Esse eu já tinha lido!
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Copio o comentário que lhe fiz por email!
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Amei a história. Não tem como ler um texto teu e não lembrar do Arthur C. Clarke. Você possui a mesma forma de escrita dele, sempre colocando uma pessoa para sentir os efeitos de uma catástrofe global.
–
Amei Chico. Fico feliz que haja autores bons de scifi no Brasil. Infelizmente até hoje só vi os internacionais, na sua grande maioria, norte-americanos.
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Espero que em um breve futuro, nas livrarias, haja um espaço um espaço mais destacado para ficções cientificas, e que nela esteja um dos teus livros! =D
–
Sucesso!
Valeu Rainier!
Também compartilho com seu desejo de se abrirem espaços para mais e mais escritores brasileiros. Nós escrevemos tão bem quanto qualquer povo deste planeta, e os contos que eu tenho lido neste blog, e em outros com propostas tão boas quanto o ONE, provam isso.
Acredito que a Internet será o grande meio para essa mudança (que já vem acontecendo). Aqui conseguimos trocar idéias, textos, imagens, tudo sem o crivo de uma indústria. E onde há uma terra de pensamentos livres, há sempre mudanças e evolução.
E Rainier, ser comparado ao grande Arthur C. Clarke, foi o maior elogio que eu já recebi até hoje, e fez valer as horas asfixiantes da madrugada que passei escrevendo esse conto.
Obrigado!!!!!!!!!
Pois é…
–
Não sei se você já leu o Fim da Infancia. Este conto me lembra muito o ultimo capitulo do livro.
–
Não vou falar muito pois senão solto um spoiler, mas o sentimento foi muito similar.
–
E realmente, o mercado brasileiro tem mudado muito nos ultimos dois anos, abrindo espaço para a fantasia brasileira. Espero que aconteça o mesmo com a Ficção Científica. Vamos torcer e fazer isso acontecer.
–
Ah! Até segunda acho que concluo o meu conto de Scifi que lhe falei por email. Depois vou lhe passar ele para vc dar uma olhada!
Rainer, vou aguardar seu conto! Será um prazer trocar impressões literárias com você. Também vou lhe passar umas poesias que de vez em quando eu arrisco escrever… Só que aí é a sua praia… Ainda estou longe de postar algumas aqui.
Mas que bela alegoria! e executada de maneira formidável! Quem já quase morrei afogada, como eu, deve conhecer essa agonia desesperadora transmitida pela sua narrativa, Chico!
Uma honra ter aqui pelo One um autor que certamente marcará seu nome na história da literatura brasileira!
—-
E olha que não gosto de SF!
MEODEOS! Sério Sami San?
sério o que? que eu quase morri, ou que não gosto de SF? XD
ú.ú
–
Que vc não gosta de SF claro!
Lol, eu já disse isso aqui pelo one umas tantas vezes. Tanto que não tenho nenheum conto do gênero, notou?
Sou do tipo que prefere olhar para o passado e recontá-lo a especular sobre o futuro.
Ú.Ú
Samila,
Eu também já passei um puta aperto tentando atravessar uma baía a nado… Ali pude experiementar um pouco da agonia dos asfixiados (que até hoje me faz arrepiar só de lembrar).
No entanto, suas palavras agora provocam em mim um efeito extamente contrário. Enchem-me de oxigênio, gás puro, nobre. Não há motivação maior para que gosta de contar histórias que ouvir que sua narrativa provocou “alguma coisa” nos ouvintes; mesmo que seja agonia
Sua última frase… sem comentários. Vou vir aqui todo dia para relê-la e encher meus pulmões de ar puro.
Valeu!!!
Ah! E em retribuição, vou postar um conto que não é de SF. Chama-se “A Queda”, e é uma rápida visão sobre a solidão que a busca pelo sucesso faz crescer na alma de muitos aqui em Sampa…
No meu caso foi ‘desafiando’ mar. “Sei nadar, tô nem aí se a maré está enchendo rápido e a correnteza é forte e essa praia não tem salva-vidas”
e eba! estou doida para ler esse seu conto, Chico! Mas que fique claro: encaro os seus SF com gosto tb, pois confio no escritor já!
Eu tentei atravessar um área do lago Paranoá em Brasilia, quando no meio do caminho me deu uma cãibra. Não me afoguei, ou coisa parecida, mas o sentimento de que você vai morrer afogado é a pior coisa que existe no mundo.
–
Fiquei quase meia hora no nado cachorrinho, coisa linda de se ver!
–
Quanto a Sami San e o Chico, seriam duas grandes perdas!
Cara, eu nadei por quase uma hora e meia… Fui tentar ver umas tartarugas marinhas e quase viro comida para peixe. A piada é que enquanto eu tentava voltar para a praia, uns caras do projeto Tamar estavam pesando, medindo, etc, etc, uma tartaruga enorme na areia. Só vi as fotos depois.
Fiquei até sem ar lendo esse conto! (sem brincadeira)
Diante da intimidade com que o texto é apresentado, o leitor acaba sendo levado a esse universo e se sente presente nele. Até mesmo o narrador se entrega a asfixia: quanto mais rarefeito o ar, menores são os parágrafos, até levar ao fim de tudo.
Realmente muito bom. ^^
SARA MEU AMADO, MEU BEM, MEU QUERIDO! FLOR DO MEU CORAÇÃO, COMO VOCÊ OUSOU SUMIR POR TANTO TEMPO, SEU DESGRAÇADO MALDITO DE UMA FIGA SEM CONSIDERAÇÃO!
*respira fundo*
Senti saudades, seu malvado! fiquei preocupada! você não respondia meus e-mails repletos de dor e pesar, você… Você… VOCÊ ME ABANDONOU!!!
———–
Desculpa esse desabafo aqui no conto, Chico, mas eu estava realmente com saudades desse rapaz!
Samila, num conto sobre asfixia, nada mais natural e saudável que um belo e longo desabafo!!
Somos duas Sami!
Sara, você percebeu muito bem a questão da diminuição dos parágrafos e frases. Foi um “efeito” que tentei mas não sabia se ia funcionar legar. Algo como uma respiração entrecortada, alguém tentando falar depois de uma corrida.
Valeu para palavras, e quem está sem ar agora lendo esses comentários sou eu!!!
E o melhor de tudo é que o Chico é meu amigo!!! É um dos TRES ESCRITEIROS… Chicatos, Feliportos e Ragamis!!!
Isso que nenhum de vocês leu o livro dele ainda não publicado “O Veneno de Eva”!!!
Chico, manda a sinopse para eles verem!
Abrazzo Ragazzo
Opa, grande Ragas!
Isso que dá ficar tomando chope com você na paulista e discutindo assuntos insólitos para temas de livros: coisas como sonhos lúcidos e assassinos seriais bem pouco convencionais. Vou preparar uma sinopse no padrão ONE e posto aqui. Valeu Cumpadi!!!
Para aqueles que acham que este é o conto de estréia do Chicatos, tem o Roleta Russa na Agenda. Outro conto muito bom!
Bem Chico, tenho de admitir que fiquei completamente surpreendido. O título não me chamou muito à atenção – a quantidade de contos de terror neste blog tem dessas coisas, os títulos puxam muito para o conteúdo – mas depois vi o Rainier, a Samila, o Sara a comentarem, e tive de ir ver o que era. E não podia ter feito melhor!
Eu pessoalmente gosto quase unicamente de ficção distopiana, dentro do FC, mas apesar de esta não ter propriamente o enredo intríseco e político desse género (apesar do personagem ter trabalhado para uma petrolífera, possivelmente um toque de ironia), consigo admitir como está tão delicadamente escrito este conto!
—
Em termos de conteúdo, é irrepreensível. A evolução natural em que a perda do ar se acentua mais, e mais, acontece ao mesmo tempo que as pessoas perdem mais a perda da sua humanidade (lei marcial, proibição do fogo, proibição de energia…), se bem que por momentos pareceu que ias fazer algo um pouco mais chocante, do género, o bebé a ser devorado pelos pais, ou algo que rondasse isso, dado que se trata de uma situação limite. Mas a maneira como geriste o próprio fim do mundo está extremamente interessante, tomando o 3rd person limited POV como um veículo para ver a própria queda do mundo.
—
Quanto à estrutura, como o Sara disse ali em cima, ficou interessante a maneira como os parágrafos e frases começaram a tornar-se mais entrecortados, como se ele de facto estivesse a morrer!
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Em suma, adorei o conto!
Fico à espera de mais contos teus!
Suas observações abarcaram todo o processo que passei para a construção do conto. Avançar a narrativa tornando a asfixia cada vez mais presente, a falta de ar mudando o comportamento das pessoas (como o ar rarefeito das altitudes altera percepções e raciocínios dos montanhistas), até que o homem passa a rastejar e volta para a água; essa foi exatamente minha preocupação com o texto.
Agradeço suas palavras. O valor que cada uma delas trás será revertido em motivação para as próximas madrugadas em frente à folha em branco.
VALEU E.U Atmard!!!
Muito bom. Fiquei curioso pela movimentacão no conto e realmente texto bem penetrante com uma insercão de SciFi bem legal.
Obrigado THE GUNSLINGER!
Trocas como essa só são possíveis graças a iniciativas como a sua.
GRANDE!!!!!!
Excelente!
me lembrou muito José Saramago.
Muito bom!
O texto se apresenta de forma natural, eu me senti muito agoniado, num bom sentido. só achei ruim porque ele não explica exataente como o ar acabou na terra, por muitas vezes eu ja parei apra refletir como isso seria possivel, e a unica explicação plausivel seria se a poluição fosse tanta que superasse em muito a capacidade de renovação de oxigenio dos vegetais fotossintetizantes. mas não sei.
enfim, achei interessantissimoe aguardo por mais!
=)
Verdade! era isso que eu estava querendo lembra! Ensaio sobre a Cegueira! É a mesma situação de desespero!
Texto realmente agoniante.
O leitor se coloca na frustração apresentada de não conseguir respirar naturalmente.
Expôr dramas isolados sempre auxiliam na conquista do leitor ávido por identificação com o que se lê. Mesclar uma problemática global com histórias individuais é de uma riqueza imquestionável.
Parabéns Chico.
Eu pude sentir a agonia do personagem enquanto eu lia seu conto aqui. É muito impressionante o jeito que você descreveu tudo, como o ar foi faltando aos poucos, como a morte certa foi sendo inserida na vida da Terra.
Muito bom, cara!
Pô, que incrivel! ótimo texto, Chico =D.
Ótimo conto!
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Já peguei de escrever uma proposta parecida, o ar faltando no mundo, e sei como é difícil. Como vc disse num dos comentários, o negócio de gente que morre por asfixia é que a morte é _lenta_ — daí a dificuldade de imprimir ritmo à narrativa, mas vc conseguiu fazer isso muito bem, usando frases como esta:
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“somente notas sombrias: mortes, suicídios, mais um mercado saqueado, famílias presas em grandes edifícios sem ter para onde ir, um pai desesperado por alimentar os filhos, errante após o toque de recolher, fuzilado pela Guarda Nacional”
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Se a narrativa é distópica a gente já espera as primeiras coisas, que passam batidas. Mas aí chega o “fuzilado pela Guarda Nacional” e BANG! estou prestando atenção e imaginando de novo.
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Só mais uma coisa: quando eu explorei esse tema de mundo sem ar, não escolhi a falta de energia ou comida pra ser o centro. Sei, vc também não. Mas já pensou que interessante seria se, pela falta de oxigênio, o excesso de CO2 no sangue acarretasse pequenas lesões cerebrais? Não que todos se tornassem zumbis. Mas que, aos poucos, todos fossem perdendo a capacidade de raciocinar para entender o que estava acontecendo?
Gostei, pessoal elogiou mesmo este conto.
Agoniante. Se o mundo acabasse desse jeito ia ser sinistro.
A descrição lenta do caminhar da humanidade ao fim foi um ótimo elemento da narrativa.
Conheci o ONE agora, e graças a contos como esses vi que há vários escritores nacionais ótimos. Se puder, até eu irei mandar um conto.
Gostei do aviso. Hoje em dia o ar já anda meio rarefeito mesmo.