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Feb
20
2011
Conto em Série

Catchup & Imaginação – A Mulher de Algodão

Escritor: Flávio Silva

Acredito que em todos os estados brasileiros deva ter uma lenda urbana referente a esse trema, quando não cada cidade!

O caso é que na minha cidade tem e vou contar para vocês:

Quando criança estudei numa escola chamada: ESCOLA DE Iº GRAU MARIETA ESCOBAR.

A única referência a esse nome que os alunos tinham era um retrato em preto e branco de uma mulher na sala dos professores. Ela era professora e seu retrato tinha olhos envolventes e penetrantes. Diziam que se olhasse fixo nos olhos dela, eles piscariam de volta.

(Nunca foi tão bom enxergar tanto quanto um apagador, pois nunca vi isso).

Os garotos mais velhos (veteranos da 4ª série) disseram que a mulher do retrato já estava morta há muito tempo (isso eu já sabia) e que ela tinha sido assassinada (aí comecei a tremer) por seus próprios alunos!

Nesse momento já fiquei um tanto quanto… Desesperado!

Com tantas escolas pela cidade e minha mãe resolve me colocar justamente em uma em que os alunos matam gente!

O resto de minha turma (menos ingênua do que eu) não acreditou. Logo fomos agraciados com o (maldito) conhecimento de toda a (maldita) história:

Marieta era professora do primário (3ª e 4ª série), mas era muito má: mandona e falava alto com todo mundo (eu me perguntei por que homenagearam alguém assim). Ela sempre castigava seus alunos com reguadas nas mãos e longas broncas.

Um dia ela quebrou a régua na mão de uma menina que não havia feito nada de mais. Os alunos se revoltaram, se organizaram e no dia seguinte quando ela entrou na sala eles trancaram todas as saídas. E a atacaram com giletes de estiletes e tesourinhas escolares (sem ponta!), daí a levaram para o banheiro feminino e depois dela morrer tiraram tudo de dentro dela (pra quê?) e jogaram fora nos vasos sanitários (Putz! Como? Por quê?) e encheram o corpo dela de algodão para ninguém notar (!).

Como todo mundo era menor de idade ninguém foi preso (Ainda bem né?) e a imprensa disse que a professora morreu do coração (é verdade, ser atacado por assassinos de 1,5m é algo que faz o coração não resistir mesmo…).

Na semana seguinte as aulas estavam normalizadas, mas a escola não era a mesma, pois as luzes estavam mais fracas (até as novas ficavam assim) e algumas quebraram sozinhas! Mas isso nem se compara ao fato que ocorreu um mês depois: uma menina saiu durante a aula para ir ao banheiro e a escola inteira ouviu seu grito!

Ela estava desesperada e só se soube o que aconteceu depois dela acordar de um desmaio.

Disse que quando entrou no banheiro viu uma mulher de pé, no canto, usando uma roupa branca com a pele toda ferida e cheia de algodão saindo dela…

A menina estava em seu primeiro dia de aula, mas reconheceu a mulher do banheiro de um certo retrato na sala dos professores…

Desde então ninguém mais vai ao banheiro sozinho ou passa em frente a ele sem fazer o sinal da cruz para evitar ver a Mulher de Algodão, como a chamaram daí para a frente.

Mesmo não acreditando nessa história a administração da escola pintou esse corredor de branco para aumentar a iluminação e colocaram uma imagem de Nossa Senhora da Penha para elevar o moral das crianças.

… Ledo engano…

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Publicado por Flavio Silva

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