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Feb
03
2011

Contemple o céu

Escritor: Ricardo Barantini

A cama desarrumada e ele esparramado por ela. Do seu lado um remédio para insônia. Calor de janeiro aquecendo seu velho quarto alugado em uma pousada antiga. Mobília velha, quarto velho, fachada do prédio velha, proprietária velha. Dona Ivette, uma francesa de 83 anos. E o calor fazia aquilo parecer uma sauna. Ardia. 36 graus numa madrugada estrelada. Ele olhou para o relógio que estava jogado ao seu lado, 03:47 da manhã.

Mais uma vez o remédio não concluí seu trabalho. Uma noite dormida pela metade. Agora o desafio é não enlouquecer até o sol raiar. Impaciente, ele se levanta da cama. Procura seu chinelo que está jogado em algum canto. Caminha até o banheiro e olha no espelho. Um olhar de desgosto. Fecha a porta do banheiro e vai em direção ao criado-mudo que fica no lado da cama. Pega seu maço de cigarro, leva um cigarro até a boca. Ele abriu a porta que dá acesso a sacada do prédio. Tinha uma sacada apenas para ele mesmo e isso o deixava confortado. Acendeu seu cigarro e ficou olhando para o céu. Céu negro e cheio de estrelas. Diferente do céu da manhã, azul e com nuvens brancas e lindas. Ele odiava isso. Agora sua unica companhia era a noite. Linda e perfumada noite. Uma verdadeira dama. Isso era tudo o que ele poderia ter. Seus pensamentos iam longe. Chegavam até um passado não muito distante, onde a vida dele era diferente. Era feliz. Com muito trabalho (leia-se álcool) ele aprendeu a conviver com a falta disso e as constantes lembranças. No início pensou em acabar com sua própria vida. Ele sempre foi péssimo até para isso. Medroso. Na verdade isso nunca foi um motivo válido que valha tirar uma vida, ainda mais a dele. Seu cigarro chega ao fim. Arremessa a bituca no meio da calçada. Rua deserta. Céu estrelado. Ele sempre amou o céu e a lua. Dizia que apenas pessoas loucas não amam a lua, mas teve que reformular esse pensamento, pois no mundo todos são loucos e praticamente todos a amam. Apenas os bastardos merecedores de uma morte violenta e lenta não amam a lua e por isso eles merecem tal coisa. Ele entra novamente em seu quarto e procura por uma garrafa de whisky que provavelmente está na metade. Após encontrá-la, apanha o maço de cigarro e caminha para a sacada mais uma vez. Encosta na parede e vai escorregando até o chão, logo está sentado. Abre a garrafa e leva até a boca. Acende um cigarro e olha para o céu. Whisky, cigarro, whisky, cigarro. O ciclo continuou por mais uma hora. Adormeceu.

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Ricardo Barantini – @03APR91


Written by 03APR91 in: Agenda,Contos,Ricardo Barantini |

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