Contra
Escritor: L. M. Morone
– Não entendo.
– O que você não entende?
– Tudo.
– Não há nada para entender. As coisas são porque são.
– Eu me sento aqui todo dia, vejo estas crianças correndo, brincando, e eu não entendo.
– Mas não há nada para entender. Elas ainda passam por aqui porque a vida é única de cada um. Não há o que entender. Basta viver.
– Eu as vejo, me faz lembrar aqueles do passado, os de muito tempo, que já se foram. Você tem idéia de como me fazem falta?
– Não o cabe julgar o destino. Nem a mim mesmo cabe tal tarefa.
– Você tem idéia de como me sinto, esperando todo dia que ele passe correndo na minha frente, indo lá brincar com os amigos dele? Você pode ver que até eles sentem falta!
– Nem todos têm a dádiva de viver uma vida longa. Um dia todos se vão. Basta apenas seguir o que o destino tem escrito para você. Nem todos também desempenham a mesma função aqui.
– Mas por que ele!
– Poderia ter sido qualquer um…
– Mas foi ele! Nenhum pai deveria nunca enterrar seu próprio filho…
– Eu aposto que ele está em um lugar melhor agora, não se preocupe…
– Como você pôde?
– Eu? Não comece a me dizer estas coisas, pois você sabe bem que não é por você, nem por mim, nem por nenhum de nós que o destino é traçado. Nós apenas cumprimos nossas obrigações e obedecemos ao que é escrito.
– Foram eles, aqueles dos seus…
– Eles apenas cumprem seus papéis, não os culpe.
– Eu não aceito.
– Uma hora será a minha vez de cumprir meu papel.
– Não me lembre disso.
– Não fique dessa forma, você ainda tem muito escrito na sua vida.
– Como sabe disso? Achei que apenas cumprisse ordens.
– Sim, mas apenas sabemos. Nada mais. E confie em mim quando digo que eles todos estão em um lugar melhor.
– Eu digo isso a mim mesmo todos os dias.
– Eu sei disso. É para mim que você diz isso. Só quero que saiba que você sempre terá a mim, sempre que precisar.
– Eu sei. Só me prometa uma coisa.
– O que?
– Nunca me leve contigo.
– Uma hora terei que levá-lo, ninguém vive para sempre.
– Eu só queria vê-los novamente, só isso, é tudo que lhe peço.
– Mas é claro que os verá novamente! Todos por lá sentem sua falta.
– Como sabe? Eu me sinto tão sozinho aqui…
– Seu filho me contou. Ele sente sua falta.
– Diga… diga a ele que eu o amo também!
– Paciência, um dia você mesmo poderá dizer isso, e viverão por toda eternidade juntos novamente.
– Promete que nunca me abandonará? A vida sem esperança é algo que eu não suportaria.
– Eu te prometo.
*** Fín ***
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No meio do texto eu pensei que ele estivesse falando com a morte.
eu gostei do texto, pq realmente quando perdemos algupem que gostamos muito, custamos a aceitar. E tentamos nos agarrar à esperança.
Bom texto, parabéns! =D
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Se bem que um pouco difícil de compreender. Ainda não tenho certeza de quem é esse ser com quem ele conversa.