Distrazio
Escritor: Rafael Cruz
Desliguei o telefone após uma conversa de uns 10 minutos com o meu sócio. Foi quase um monólogo. Não prestei muita atenção, afinal estava eu mais distraído do que o normal. Coloquei-me de pé, pois a balsa já atracara, e segui a multidão. Estava no automático. Meus pensamentos estavam em outra galáxia. Talvez alcançando Vulcano…
Sim, leitor, você deve imaginar o motivo da minha distração. Não era dívida, amigo chato, a partida que o Fluminense perdeu ou a que o Flamengo ganhou. O caso era mulher. Sempre elas. As mulheres são capazes de mexer em nossos mais profundos brios. Despertando emoções adormecidas e fazendo com que você atinja as mais intensas experiências. Agora que você já sabe, voltemos ao conto…
O continente onde acabara de colocar meus pés estava em ritmo de tráfego de bits. Alucinante. Muitas pessoas esbarando uma nas outras, carros por todos os lados, barulho e mais barulho. Em outras palavras: modernidade, companheiros. E lá estava eu, no meio da muvuca, em modo automático indo em direção ao Shopping. O que poderia me acontecer? Na verdade muitas coisas são até previsíveis. Mas não o que aconteceu. Não meus caros, esta é uma estória esquisita e que pode sofrer inúmeras interpretações. Preste atenção nos detalhes, pois só contarei uma vez:
Cinco minutos após sair da balsa, eu estava me aproximando da avenida principal para fazer a travessia. São 3 pistas, com 3 faixas de pedestres cada. É importante dizer que, neste local, os motoristas somente param o seu carro, para que o pedestre passe, quando o semáforo fica vermelho. E isso os mais educados.
Bem, a primeira pista estava com sinal fechado para os veículos e eu atravessei direto. Idem para a segunda pista. A distração era tamanha que eu apenas acompanhava a multidão. Se fosse uma multidão suicida, eu ia junto. Ai chegamos à terceira. Diferente das outras pistas, o semáforo estava aberto para os veículos. Uma multidão se aglomerava na calçada na expectativa para atravessar. Fui para frente da multidão e aguardei. Mas a distração era grande. Três pessoas próximas a mim saíram correndo para atravessar. Eu, em um reflexo retardado, decidi inconscientemente fazer o mesmo, só que em ritmo de quem está pensando na morte da bezerra.
Não seria nenhuma surpresa, dado o grande fluxo de carros que ali passavam, que eu tomasse uma senhora porrada e ficasse por ali mesmo, já para ser teletransportado para um outro plano espiritual. Mas não foi o que aconteceu. O que se sucedeu neste momento é até difícil de explicar. No entanto vamos ao fato. Em questão de segundos, eu estava com um pé na via, quando, de uma forma inexplicável, meu corpo tombou para o lado, me impedindo de atravessar a rua. Não carregava peso, não sofro de labirintite e não fui empurrado (não por seres de carne e osso). O fato é que de uma forma misteriosa, troquei umas pequenas feridas do tombo por um sério e, porque não, fatal atropelamento. Nasci de novo? Talvez, como posso saber? Mentalmente eu não estava ali. Não me assustei e não fiquei traumatizado. Não acordei do meu transe (pois continuei fazendo besteiras na rua) e muito menos o incidente esclareceu a causa dos meus desamores. Pelo menos serviu de enredo para este singelo conto.
Talvez o leitor queira saber o que aconteceu para que eu ficasse neste estado hipnótico. Bem, isso não posso revelar. Mas posso adoçar sua boca com o que aconteceu depois. Três dias após o fatídico pseudo-atropelamento, a causa das minhas distrações foi resolvida com uma simples atitude: cinema,, conversa sincera e um abraço amigo.
E você leitor, qual é a sua interpretação para o ocorrido?
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Agora eu não consigo imaginar nada pra isso tudo ter acontecido.
Há! Gostei da resposta!
Parceiro meu gostei da sua história.
Eu também tenho fatos parecidos que escrevo no meu blog
http://carlosmessiass.blogspot.com/
Espero e que leia e se divirta muito.