O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Contos

Contos

Lista de contos publicados no ONE.

Poesias

Poesias

Lista de poesias publicadas no ONE.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Notícias

Notícias

Veja o que está rolando no mundo literário nerd.

Promoções

Promoções

Aqui você pode ganhar livros e outros prêmios em sua casa.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Anuncie Aqui!

Papo na Estante

Papo na Estante

O nosso podcast de literatura.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Nerdoteca

Nerdoteca

Os livros que todo nerd deveria ler.

A Batalha do Apocalipse
Autógrafos

Autógrafos

Em breve! :)

Anuncie Aqui!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

: 252 sem na lista do NY Times.Não escondo minha alegria.Nunca nenhum livro brasileiro/estrangeiro conseguiu isso http://t.c…
Feb
20
2011
Conto em Série

Flor de Lis (Parte 2) – A Foice e a Lança

Escritor: Flávio Silva

Certa vez houve um jardim de margaridas que não sabia acolher as diferenças. Neste jardim existiam alguns exemplares de flores únicas: Uma flor roxa, uma flor-de-lis, um cravo amarelo e um cacto. As relações se estreitaram, ficaram estranhas, intensas. A flor roxa virou uma árvore forçando o jardim a circundá-la, o cravo amarelo emaranhou-se em suas raízes e ali ficou, o cacto alheio ao mundo morreu e a flor-de-lis voou com os ventos para longe dali. Uma lança disparada pelo acaso no seio de novas terras. E é justamente desta flor-de-lis que trata esta historia.

Foram precisos muitos dias para encontrar um bom lugar para se firmar, mas a flor de pétalas vermelhas não desistiu. Era uma flor especial, era mais que uma flor: era uma ninfa. Ninfas são espíritos da natureza que ora se parecem com mulheres, ora com plantas de variados tamanhos quando não raras as vezes que se parecem com uma mistura de ambas as formas: mulheres brotando de árvores!

Flor era seu nome e não se tratava de uma ninfa qualquer,pois sua forma de mulher mais parecia uma espécie de fada, pois apesar de sua forma humana, tinha o tamanho não superior a uma espiga de milho!

Ela andou por vales e campos até encontrar um lugar que a agradasse: um bonito bosque ao pé de um morro arredondado. Ali tornou-se a flor-de-lis e plantou suas finas raízes ao lado de uma árvore alta, sem flores, apenas frutos vermelhos e animais silvestres e insetos. Tinha enfim encontrado um lugar para si.

Aos poucos foi fazendo novas amizades entre as plantas e os animais do bosque, entretanto por mais que não quisesse admitir sentia falta da vida em um jardim, onde todos ficam muito juntinhos uns dos outros. Decidiu portanto plantar ali um jardim. Preparou o solo e conversou com os insetos e os pássaros polinizadores para ajudarem-na na busca por novas moradoras e em algumas semanas ali tinha um lindo jardim multicolorido com flores e plantas de várias espécies trazidas de lugares bem diferentes.

As ervas daninhas não tardaram a aparecer como era comum em qualquer outro jardim, mas este problema era rapidamente resolvido com a ajuda da foice de Flor.

Era inegável que todos ali eram muito felizes e amigos.

Certo dia um pássaro trouxe de longe uma semente que demorou bastante para brotar. Flor tinha um mal pressentimento crescendo em seu coração, mas era logo levada deixar isto de lado e curtir a sua nova vida, mas assim que as primeiras pétalas se mostraram, o sorriso de Flor se fechou: era uma pétala roxa. Mas não como as demais flores roxas que moravam ali no jardim, era uma pétala de formato conhecido, na verdade um botão roxinho.

A preocupação tomou conta de seus dias e a vigilância se intensificou ao confirmar a espécie da flor roxa. Era a mesma espécie de Digna, uma lembrança ruim que precisava ser ceifada desde já.

– Ela é tão linda – diziam as demais flores – Não a corte, logo se vê que não é uma erva daninha.

– É sim, meninas, é sim – respondeu ríspida – E da pior espécie.

– Mas gostaríamos de ter alguém bonita assim no meio de nós.

– Vocês não precisam disso. São todas muito bonitas aqui, logo se vê.

E as reclamações persistiram até que ela cedeu:

– Tudo bem, não vou ceifá-la como faço com as ervas daninhas, vou plantá-la separada de nós para evitar os estragos futuros quando seu ego inflar.

Apesar dos protestos dispersos, a maioria das flores concordou com tal condição. Flor, então tornou-se a pequena ninfa e afastou-se do jardim a fim de trabalhar outro pedaço de terra para plantar a flor roxa. Ela passou a noite toda preparando o solo, pois sabia que deveria preparar o espaço para acolher uma árvore inteira e não apenas uma única flor.

Enquanto trabalhava, a flor roxa se abria e quando pela manhã voltou para seu jardim, lá estava novamente aquele rosto, o mesmo rosto de Digna lhe encarando. Ela se aproximou do jardim carregando uma foice e uma pá, baixou as duas e começou a se alongar predizendo que ia começar uma trabalheira de cansar.

– Oi – disse a flor roxa.

– Oi – respondeu flor sem interromper seu alongamento.

– Eu me chamo Agrado e você?

– Eu sou Flor.

– O que está fazendo?

– Estou me preparando para tirar você deste jardim e plantar ali do outro lado.

– Mas por quê?

– Por que você não cabe aqui. Eu conheço o seu tipo. Você vai crescer e diminuir nosso espaço.

– Não pode me julgar assim sem nem me conhecer.

– Mas eu conheço você, Digna.

– Meu nome é Agrado, já disse.

– Não é não! – gritou flor interrompendo finalmente o exercício – Acha que não reconheceria aquela a quem chamei de melhor amiga?

A flor roxa nada respondeu.

– Eu sei que um dos pássaros a trouxe para cá desavisado. Vou corrigir esta falha.

– Mas você continua a mesma tonta de sempre não é mesmo?

Disse a flor roxa assumindo ser quem era: Digna.

– Este é o mal das flores das árvores: são todas cópias da flor original, enquanto as flores do chão nascem cada uma com sua raiz e sua própria identidade.

– Você ficou bem espertinha depois de desaparecer de casa, não é mesmo?

– Todo mundo amadurece. Eu fui uma burra antes e acho que ainda sou um pouco, mas não serei enganada mais uma vez.

– Isso não é verdade e você sabe bem.

Flor pegou a foice e se aproximou de Digna.

– Você não teria coragem de me machucar. Você não é assim!

Flor levantou a foice, sorriu e respondeu:

– Precisamos plantar coisas boas todos os dias e nunca ter medo de ceifar coisas ruins, ervas daninhas ou plantas mortas de nossa vida. Burra talvez, covarde nunca!

A foice desceu. Dinga tombou. Flor a colocou nos ombros e levou para o espaço preparado.

– É preferível começar do zero a corrigir os erros que não são meus – disse Flor.

– É preferível corrigir os próprios erros a começar do zero sua tonta!

– É verdade, pode até ser, mas não ofusque a minha luz nem traia minha confiança novamente ou tiro você daqui, mesmo que já tenha se tornado árvore novamente!

Digna apenas gritou enquanto era replantada no espaço preparado. Entretanto assim que sentiu-se firme novamente recomeçou a atacar.

– Por que você não cresce?

– Pra não ficar chata como você – foi a resposta de Flor voltando para seu jardim.

– Por que você não cala a boca?

– Porque ainda tenho muito a dizer.

– Por que fala mal de você mesma?

– Para que aqueles que querem fazer isto apenas repitam o que eu já falei ao invés de me machucar com defeitos novos. Além do mais eu me perdoo com mais facilidade do que perdoaria outra pessoa.

Flor voltou a ser a flor-de-lis e se fincou na terra entre as demais.

– Por que está fazendo isso? Perguntou uma violeta.

– Fiz isso por que algumas ervas daninhas se disfarçam de amigas às vezes… estas são as mais difíceis de ceifar.

Dois dias depois apareceu ali uma menina humana. Não mais do que dez anos. Carregava uma cesta cheia de flores coloridas e frutas frescas. Parou entre o jardim e a flor isolada. Pensou por três segundos e arrancou Digna da terra, colocou em seu cesto e saiu dali muito contente por ter encontrado a mais linda das flores. E nunca mais voltou.


Categorias: Agenda,Contos,Flor de Liz |

3 Comments»

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Publicado por Flavio Silva

– que publicou 15 textos no ONE.

>> Confira outros textos de Flavio Silva

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui... >> Fale com ONE <<

Powered by WordPress. © 2009-2013 J. G. Valério