Oculto
Escritor: Perpétuos
Ele estava deitado, olhando para o teto, não sabia ao certo há quanto tempo estava daquele jeito, talvez uma ou duas horas, era difícil dizer. Ele apenas não queria fechar os olhos, como se eles fossem um farol de esperança que não o deixaria avançar em direção ao abismo da insanidade, a loucura já há algum tempo espreitava-o, sempre esperando uma oportunidade.
O medo que o dominava não era com relação a seus sonhos ou pesadelos, por mais que eles tivessem se tornado perturbadores ultimamente, não eram reais, no fim ele sabia que apenas acordaria, seu medo era o medo original, aquele que sempre perseguiu os homens: o desconhecido.
Ele respirava devagar, tentava ficar atento a tudo, cada sombra parecia mais ameaçadora, e ele sentia outra presença, alguma coisa o dizia que ele não estava sozinho, por alguma razão também se sentia resignado, como se a única coisa que pudesse fazer era permanecer na cama e apenas esperar.
Começava a se perguntar se aquilo tudo tinha alguma relação com o “Lemegeton”, que ele começava a ler, aquela leitura o deixou totalmente fascinado, principalmente a parte sobre Ars Goetia, ele não conseguia entender a razão, mas ele sempre havia tido um grande interesse pelo oculto, pelas coisas que desafiam a razão, talvez por não gostar muito dessa realidade. Desde muito novo ele fazia estudos sobre demonologia e ocultismo em geral, mas hoje pela primeira vez ele havia dado um passo a mais, tentado ir mais longe do que jamais havia ido.
Dizem que quando se olha tempo demais para o abismo, ele também começa a olhar para dentro de você, ele havia brincado com coisas que não se deve, forças maiores do que ele, apesar dos avisos de que aquilo era perigoso e principalmente que não devia ser feito por um neófito, um erro por menor que fosse poderia ter conseqüências piores do que a morte, as ações necessárias para prevenir os espíritos de terem o controle, os preparativos que antecedem as invocações, ele tentava se lembrar se havia feito tudo da maneira correta.
Os preparativos mínimos para o ritual eram: a varinha, o círculo, o triângulo, o selo, o hexagrama e o pentagrama. Os mais importantes eram o círculo que tem a função de proteger o mago e o triângulo que tem a função de prender o espírito invocado, a idéia de não ter feito apropriadamente um dos dois agora atormentava sua mente.
Depois de três dias sem dormir ele não conseguia mais agüentar e caiu no sono, no fundo tinha a esperança que quando acordasse aquelas sensações teriam ido embora, mas não foram, nunca foram.
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Gostei do texto, a descrição do que ele estava sentindo me predeu. E essa parte em especial me agradou muito “Dizem que quando se olha tempo demais para o abismo, ele também começa a olhar para dentro de você”
Obrigado pelo elogio Thaina, sempre tentamos evoluir nossos textos com os comentários do pessoal.
Essa frase é de um pensador alemão chamado Nietzsche.