Os Outros
Escritor: L. M. Morone
Dia 3 de Maio, num futuro próximo. São 7 horas da manhã, ouço o despertador tocar. Estou acordando um pouco antes do usual. Por algum motivo, meu celular, que estava num móvel próximo da minha cama, tocou hoje sem eu nem mesmo ter configurado ele para despertar. Eu estou cansado. Me levando da mesma forma pois agora já estava acordado. Eu prossigo em fazer o que faço todas as manhãs, escovo meus dentes, tomo meu café da manhã. No entanto, nesta manhã, algo estava diferente. Já com o Sol da manhã iluminando meu apartamento, eu vou até a sala, o cachorro está deitado no sofá. Apesar de minha mãe estar ali, sentada em um cadeira da sala, ela nada havia feito para tirar o cachorro de cima do sofá. Eu mesmo o faço, e o tiro. Vejo que ela tinha em suas mãos um livro, um dos livros que tínhamos guardado num cômodo próximo da área de serviço, próximo da cozinha. Guardávamos vários livros nesse cômodo, que tem uma grande janela com uma visão pouco privilegiada. Eu chego perto dela para ver o que ela estava lendo, afinal, nunca ninguém pegava mais livro algum para ler. Eu vejo que aquele livro que ela tinha em mãos, tinha algumas páginas faltando, rasgadas, arrancadas. – O cachorro comeu as folhas? – É, não sei… . De fato, aquele, assim como muitos outros livros, permanesciam em uma prateleira alta, naquele mesmo cômodo onde meu cachorro muitas vezes durmia. Apesar disso, o cachorro não é grande, não havia maneira que o cachorro possa ter pego os livros com a própria boca. – Encontrei esse livro no chão da cozinha, várias páginas arrancadas. – O cachorro deve ter pego durante a noite. Disse isso sem nem ao menos acreditar no que dizia. – Essas folhas foram cortadas a mão. O cachorro nunca poderia ter pego este livro. Você já foi até a sala dos livros? Eu ainda não havia ido até lá, então fui para constatar o que ela queria me dizer. Ao chegar na sala me deparei com vários livros jogados no chão, rasgados, amassados, acabados. Eu não entendi o que eu vi ali. Voltei para sala. – Mas o que é isso? Quem fez isso com os livros? – Aconteceu a noite. Não fui eu, não foi sua irmã, não deve ter sido você. – Mas então…. – Foram eles. Nessa hora eu me desesperei. – Eles? Você tem certeza? – Sim, aquele é o primeiro lugar que eles viriam, cheio de livros. Eles estavam apenas explorando. Eu fiquei com medo e saí correndo por todos os cômodos, fechando qualquer janela que eu podia encontrar. Fechei as janelas dos quartos, dos banheiros, de todos os cômodos. Logo pela manhã já estávamos em clima de tensão. Eu particularmente não acreditava que tudo que ouvíamos na TV um dia chegaria tão próximos de nós. E aquela experiência toda era muito nova para mim, e era aterrorizante. Nós permanescemos em casa esse dia, com as luzes acessas, todos alertas. Já era quase hora do almoço e nós ainda estávamos meio receosos de andar pela nossa própria casa. Estávamos nos comportando como se esperássemos por alguma coisa acontecer. Enfim, já havia passado o começo da tarde, e eu ainda estava cansado de ter acordado tão cedo naquele dia horrível. Eu me deitei no sofá da minha sala e dormi. Dormi por algumas horas.
Podia ouvir o cachorro latir. Já tinham se passado cerca de 5 horas, já era fim de tarde. E o cachorro não parava de latir. – Alguém faz esse cachorro parar de latir! E nada. O cachorro continuava a latir. Estava acordado mas ainda estava deitado no sofá, com preguiça de me levantar. Em um momento aquele latido já estava se tornando insuportável, então levantei. A luz do Sol já era mais pálida, podia sentir um clima chuvoso no céu. E o cachorro continuava a latir. Eu fui até os quartos, procurando as outras duas que ficariam em casa durante aquele dia, mas não as encontrei. Eu estava ainda meio sonolento mas tinha certeza que não havia as encontrado no resto da casa. Quando passei novamente pela sala, reparei que a TV ainda estava ligada, da mesma forma de quando eu me deitei no sofá. Desta vez porém, ela estava fora de sinal. E o cachorro continuava latindo. Eu tentei consertar o que acontecia ali com a TV mas nenhum botão do controle remoto funcionava. E aqueles latidos não paravam. Eu esqueci a TV e decidir ir logo até o cachorro para ver o que acontecia, porque ninguém o calava. E eu fui me aproximando. Os latidos pareciam vir da cozinha. E eu continuei me aproximando da cozinha. Cheguei de frente a porta e vi o cachorro lá dentro, virado para área de serviço, imóvel, latindo. Eu entrei na cozinha. Vi então minha mãe de pé, imóvel, virada para mim, no meio da cozinha. – Mãe? E um som começou a crescer no fundo. O cachorro latia. E era um som estranho o qual nunca tinha ouvido antes. E o cachorro latia. Aquele som parecia um som de máquinas, que foi ficando mais forte, e mais forte, e aquele som não era como nada que eu já havia escutado antes. E eu sem entender nada, vi minha mãe ali na minha frente virar seus olhos para mim, e ela então estendeu seu braço. Estendeu em direção à um relógio na parede que havia atrás de mim, e o relógio parou. O cachorro não parava de latir. Eram eles denovo? Eram eles denovo. E minha mãe foi ao chão, desacordada, e o som continuava, e vinha de fora. Uma luz de repente brilhou pela porta da área, e vinha desde o cômodo onde guadávamos os livros; E da porta da área, diante de mim, eu os vi. E eu fiquei apavorado. Meu cachorro nessa hora já não latia mais. Aquele ser estendeu seu braço em minha direção, e tudo que pude fazer nessa hora foi gritar. Depois disso, não me lembro mais de nada.
– Mas e como você veio parar aqui?
– Eu não sei. Não me lembro de nada.
– Eles o deixaram aqui, aqueles outros?
– Eu não sei. Tudo que me lembro foi de ver aquela luz. E então minha mãe que não me reconhecia mais, naquele lugar estranho. E novamente aquela luz e então essa montanha, essa casa e você. Aliás, quem é você? Porque estamos no meio do mato? Desde que comecei a te contar o que me lembro, você não me disse seu nome.
– Claro que disse. Disse enquanto eu te trazia até aqui.
*** Fim ***
Caramba, esse texto foi especialmente tenso de ser escrito, principalmente porque eu VIVI isso antes de escrever. Logicamente, não passava de um sonho, mas foi um dos piores sonhos que eu já tive.
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Muito bacana! gostei de verdade!
Esse aí eu particularmente não gostei muito. Foi a primeira tentativa em narrar um sonho, mas acho que não alcancei o resultado que eu queria…
Ficou muito maneiro! Gostei, ficou bem real!!
O ar sinistro ficou legal , tem que dar uma revisada no começo faltam algumas virgulas e em “vimos” axo q é vemos.O mais emocionante é pensar que foi real, num sonho , logico.Mas quem disse que um sonho não é real?vai ver vc esteja durmiondo agora e o sonho seja a realidade.O sonho fo assim do começo ao fim?Até o diálogo do final?
Ele foi baseado quase completamente no sonho, mas alguns elementos, como o diálogo final e os latidos, foram adicionados para dar continuidade na história. Aliás, alguns elementos também foram omitidos, pq eu tinha soh a lembrança, mas não sabia direito como inserir ela na história.
Muito bom! A imagem do sonho foi passada muito bem, inclusive a tensão da personagem. Gostei muito!
Achei esse sonho bem interessante, na verdade e fez lembrar dos meus próprios sonhos.
Sobre o texto, acho que ficou um pouco confuso, talvez se fosse menos corrido, ou mais divisões de parágrafos eu entenderia melhor. Mas você tá no caminho certo, continue melhorando e postando. Beijos.
Gostei do texto, mas achei os parágrafos grandes demais, isso atrapalha a leitura. E eu já publiquei aqui no ONE um sonho em forma de conto.
Abraços,