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Feb
03
2011

Sensações – Matar

Escritor: Filipe

I

Quando fecho os olhos, coisas estranhas – mortas, pra ser mais direto – invadem minha mente. Seres, anti-seres, não sei. Eu posso sentir a textura, o cheiro de suas existências. Aquele cheiro horrível de morte misturado com o doce aroma das rosas. Seres escuros, encobertos por dezenas de camadas de puro medo, ódio e amor, mas um amor subumano.

Eles não gritam ou sussurram coisas como costumam dizer, Eles são o verbo. Eu poderia tentar descrever suas formas, se Eles tivessem uma. São simplesmente habitantes da minha doentia mente. São mais ou menos como aqueles pesadelos que você tem e que quando acorda sente seu peito esmagado e fica ouvindo –sentindo- vozes repetindo coisas ininteligíveis.

Quando eu era criança eu pensava que isso era normal, nunca tive medo Deles pra falar a verdade, eram como meus amigos imaginários. Não que eu os visse como seres bonitinhos como unicórnios ou fadas. Eu sabia de suas existências obscuras.

Uma coisa que as pessoas costumam pensar, e que eu já sabia estar errado, é que coisas obscuras são do mal, ou que o próprio mal é do mal. Não existe bem ou mal, existem apenas os dois lados da moeda. É tudo questão de relatividade.

Tudo bem que o meu lado da moeda não é bem visto pela sociedade, mas eu não me importo. Não me importo com o “bem comum”, apenas com o MEU bem estar. Afinal, como dizem Eles, eu sou um enviado de Satã. E que seja feita a MINHA vontade.

Tá bom, acho que exagerei um pouco nessa ultima parte! Sou apenas, como diz a sociedade, um psicopata assassino. (Se você for crente e ainda quiser acreditar que sou um enviado de Satã, fique a vontade).

II

Porto Alegre não é uma cidade tão ruim pra se morar, tem tudo o que eu preciso pra me divertir à noite, casas de rock, bebidas e becos escuros.

? ‘Cause I’m as free as a bird now, and this bird you can not change. Lord knows, I can’t change. ?

-Me vê mais uma dessa, amigo.

-É pra já!

Ah as bebidas, o que elas não fazem com sua mente. Não estou colocando a culpa de meus crimes na bebida, pra falar a verdade eu nem bebo muito. Alguns goles de vez em quando, só pra tornar a coisa mais divertida um pouco.

Aquela garota! Tenho observado ela há alguns dias. Tipinho nojento! Vem em bares de rock só pra ver se encontra algum tipo com cara de mau pra passar a noite. Não vai durar muito, mas estou cansado hoje, acho que é o suficiente pra me divertir um pouco.

-Posso pagar uma bebida?

Ela me olhou de cima a baixo. Vadia!

Puxei o banco pra ela e pedi mais um copo ao barman.

-Então você é desses que acha que com uma bebida vai ter qualquer mulher que quiser. – Disse ela com aquele tom sarcástico que me dá nojo, quase que cuspindo as palavras.

-Só acho que uma bebida é uma ótima maneira de começar uma conversa com alguém que me parece interessante.

… (Se você quer aprender como convencer uma mulher a passar a noite com você, compre um livro especializado, ou então procure na internet, tanto faz).

Estávamos no meu quarto. Algemas, adoro essa parte. Tranquei seus pulsos e tornozelos na cama. Vendei seus olhos (aparentemente isso a excitou).

-Já volto, vou ali pegar uma coisinha.

Meus instrumentos de diversão. Dentre todos, o que mais gosto é o bom e velho punhal. Escolhi-o pra essa noite.

Digitais, sempre tome cuidado com elas.

Gosto de tudo bem devagar. Eles, os habitantes da minha mente, me ensinaram a apreciar um alto e demorado grito de dor. Por mais que isso tenha se tornado comum pra mim, um bom grito sempre me deixa arrepiado.

Passei a lâmina bem de leve entre seus peitos, descendo em direção a barriga.

-Gosta disso? – Perguntei deixando transparecer toda a minha excitação na voz.

-O que é?

-Segredinho. Agora fica quieta e deixa tudo comigo.

Estava me segurando pra não cravar aquele punhal no seu peito de uma vez por todas. Mas calma, eu tenho tempo.

Tirei a venda de seus olhos. A cara que ela fez ao ver o que eu estava segurando foi indescritível.

- O que você vai fazer com isso? – O medo surgindo em sua voz, quase fazendo seu corpo todo tremer.

Cheguei mais perto.

-E agora amiguinhos, o que nós podemos fazer?

Imagens que eram ao mesmo tempo frases começaram a surgir na minha cabeça, por todos os lados, vindos de todas as direções. Imagens de terror, olhos vermelhos, capas pretas, sangue escorrendo no rosto de mil pessoas desesperadas, clamando por socorro.

Não agüentei. Segurei o punhal com força e cravei em sua coxa esquerda. O grito foi lindo e ao mesmo tempo horrível. As imagens se intensificaram, tornando-se mais vívidas, mais cheias de cor a cada segundo. Arrastei o punhal até o joelho. O sangue escorrendo por suas pernas, manchando minha cama. Os gritos ecoando pelo quarto e em minha mente ao mesmo tempo. Aquela sensação de êxtase aumentando a cada corte que eu fazia em suas pernas. Eu esfregava minhas mãos por todo seu corpo, espalhando o sangue.

Os braços, sempre tão bem cuidados. Chegou a vez deles. Comecei a fazer pequenos cortes, por toda a extensão, do pulso até os ombros, sentindo cada centímetro da sua pele se partir. A vadia não agüentava mais de tanta dor, não conseguia nem gritar direito. Enfiei de vez o punhal em sua barriga. Arrastei-o até o peito. O sangue começou a jorrar, lavando meu rosto com toda a suavidade que só o sangue oferece.

Por fim, o pescoço, pra banhar o resto do corpo.

As vozes ainda ecoando dentro de mim, mas se acalmando a cada segundo. Todo o prazer começando a se desfazer, meu corpo saindo de transe. Sem duvidas, matar é a melhor sensação que alguém pode sentir.


Written by Filipe in: Agenda,Contos,Filipe |

1 Comment»

  • Thaina Gomes says:

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    pertubardor, assassinos são mesmo um tema muito bom pra se escrever. E tentar entender como a mente deles funciona é desafiador. Parabéns pelo texto.

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