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Mar
15
2011

A Maldita Encantada – Capítulo 1

Escritor: Tulio Kuran

Nem sempre a vida é como imaginamos mas não é por isso que Lady Eliza desistirá de seus sonhos.Foi atingida pela flecha de um cúpido e uma rápida paixão nasceu do fundo de seu coração. A jovem menininha loira de olhos azuis agora é uma mulher que está pronta para amar.Encorajada pelo poder de seus sentimentos vai em busca de um amor proibido.Naquela noite de lua cheia estava trajada com um longo vestido azul claro combinando com seus olhos,brincos prata,e um colar herdado da família Benwick.Sozinha e confiante estava fazendo seu primeiro encontro as escondidas e achava tudo uma maravilha,mesmo sabendo que estava tudo errado.Não podia fazer aquilo com sua irmã,sua paixão pelo marido dela,mas ele não negava e correspondia seus sentimentos.E foi assim que ela sedenta por ele cedeu todos seus princípios em busca dos braços de seu amado.Os instintos dela só aumentavam fazendo com que ela seguisse as estrelas como estivesse caminhando sobre uma trilha.Só que sem perceber estava em um caminho escuro,porém acalentador.A medida que avançava o tecido de seu brilhante vestido entre suas pernas era a única luz naquela imensidão escuridão.As árvores pareciam fazer vista grossa e se encolhiam,pareciam não querer presenciar algo tão ousado.

Seu coração estava disparando cada vez mais que chegava perto de algo,algo que ela não sabe distinguir para si mesma,era a mistura de morte com êxtase,o cheiro de sangue exalava agora,ao invés de seu perfume.Quando cansou de correr sentiu que estava próxima dele e então se descuidou e se jogou no chão mostrando-se cansada.Agora na clareira de um grande bosque escuro estava uma jovem loira a espera de sua paixão escondida.Fazia parte do recanto das árvores daquela clareira o longo vestido azul estendido na grama.Lady Eliza estava ofegante,cabeça baixa,os longos cabelos loiros jogados para baixo.E finalmente a primeira lágrima de decepção jorrou de seu coração:

-Ele não vem…eu fui realmente uma tola- Ao proferir estás palavras em seus pensamentos conseguiu despertar um ódio e repulsa por si mesma.Se levanta e olha para o céu,enxuga suas lágrimas e mesmo não querendo olhar para trás com o destino a voltar,dá seu primeiro triste passo.Uma forte ventania ecoa do fundo do bosque,uma folha despenca de uma árvore e pousa no pescoço da moça.Momentaneamente ela fica paralisada,seu cinco sentidos parecia estar sendo manipulados, seu libido aumentando.Colocou a mão por dentro do decote do vestido e começa alisar seus seios como uma fruta que tinha acabado de amadurecer,com destino a ser tocada,devorada.Massageava intensamente seu corpo perdida em seus desejos.E sem se dar conta desabotoa seu vestido ali mesmo,deixando a luz da lua revelar sua virgem nudez.O brilho de sua pele reluzia na noite fazendo convite ao inesperado.Barulho de passos leves foram ouvidos naquele lugar,ela estremecia cada vez mais até que exclama ofegante:

-Meu amor está ai?eu sei que está ai,oh Lord Fêlix,me possua!-Gritando em voz alta fez com que os corvos acordassem e voassem para não testemunhar a chegada dele.Uma névoa densa e escura se aproximava da clareira tampando a luz da lua sobre a virgem.Era ele, sua paixão mais desejada,mais proibida,mais amarga,Lord Fêlix.

-Estou aqui minha princesa- Disse uma voz por trás do pescoço de Eliza

-Não me deixe sozinha aqui,por favor- Exclamou ela se virando para ele  o encarando.Ele a agarra e passa suas grandes mãos pálidas em seu rosto,as unhas pontiagudas.Ela observa,Fêlix estava mais radiante do que nunca com seus cabelos ondulados dourados,olhos verdes cintilantes,lábios carnudos e um sorriso imperial.

-Você está mais atraente hoje,o quê é?-Perguntou ela objetivando beijá-lo.

-São só seus olhos,agora feche-os,irei te tirar daqui- Ela se entrega em seus braços e um beijo intenso flui no calar da noite.Ele a agarra como se a envolvesse em si mesmo,sua mão na garganta dela,um semblante desprotegido venho da jovem.

-Está me machucando!-Disse ela sufocante,ele olhou bem para os olhos dela como se quisesse hipnotizá-la.

-Não, estou apenas te demonstrando meu profundo afeto por você,a dor também pode ser uma fonte de prazer,agora feche os olhos e sentirá todo meu afeto.

-Mas não quero sentir dor- Disse ela insinuante.

-Então não sentirá meu afeto-Ele a segurou com mais força e com um olhar imperativo para ela, o comando foi único,ela fechou seus olhos lentamente.A boca dele se aproximou de seu pescoço, ele a lambia ferozmente.Até que ele mostra para as sombras seus enormes dentes caninos alisando a pele da desprotegida.Ela abri os olhos e tenta se livrar de duas agulhas que sente em seu pescoço.Mas agora era tarde, estava dominada,só podia esperar,esperar o afeto dele…

Dona Marieta andava de um lado para o outro,o barulho do salto no assoalho perturbava o sono de seu marido.Mantinha seu leque ativo, estava ansiosa e repleta de preocupações,sua filha a caçula ainda não havia chegado.Não parava de olhar na janela que dava acesso ao portão da mansão e nada.Em seus pensamentos mais absolutos estava preocupada não só com a garota,mas com sua virgindade quem custará a salvação da família Benwick.Eliza está prometida ao filho do Conde que concorre ao trono.O sonho de Marieta é ser condessa e sua filha uma princesa,para para tirar sua família da miséria iminente.Pois seu marido está doente,uma grave doença.Mas agora neste baile arriscado que sua filha fora, poderia colocar tudo a perder.Alguém ascendeu uma vela e desceu as escadas lentamente,era Lady Elvira vestida com uma camisola de ceda,os cabelos castanhos presos em uma linda transa,descia lentamente mas assustada:

-Mamãe?por que está acordada até essa hora?-Disse com um olhar de pasmo,pois sabia que sua mãe era rígida com horários e dormia bem cedo.

-Sua irmã até agora não voltou do baile,estou preocupada…

-Mãe…esses bailes sempre acabam tarde você sabe, o rei permite-Disse tranqüilizando a mãe.

-Não ela é nova demais,está tarde demais,não irei permitir enviarei nossos guardas para buscá-la,afinal onde está seu marido?

-Ah…mamãe sabe que Fêlix viajou a negócios para o leste,só volta semana que vem,fique calma,Judite!-Gritou a jovem.Uma empregada magra e recatada corre para sala.

-Sim Milady Elvira o quê deseja?

-Prepare um chá para mamãe depressa- Rapidamente a criada se vira para preparar o que sua ama ordenou,enquanto isso Marieta se senta com lágrimas nos olhos.

-Sua irmã sabe o quê não deve fazer,estamos por um fio- Disse desesperada.

-Mamãe fique calma eu irei com os guardas procurá-la.-Falou encorajada.

-Não Elvira pode ser perigoso,não quero minhas filhas por ai perdidas.

-Mamãe irei com os guardas,fique aqui e tome seu chá,irei buscar Eliza- Sua mãe mesmo relutante ,acaba cedendo pelo bem de sua filha caçula- Elvira sobe as escadas e rapidamente chama suas damas de honra para se arrumar,veste-se com um vestido amarelado escuro recatado e uma capa negra com um capuz.Manda preparar seu cavalo  e faz o chamado dos guardas e segue cavalgando para o bosque adentro.Sua mãe diz que Elvira sempre puxou a coragem do pai mesmo em situações difíceis,mas é dura como pedra,nunca volta atrás em suas decisões.Os guardas seguem o sinal de Elvira para o fundo da intensa floresta negra.Rastros de sangue são encontrados.A lady envia uma ordem a seus homens  para parar.Ela desce do cavalo e segue o rastro do sangue,um barulho de estrondo é ouvido por todos,os guardas se assustam e descem dos cavalos e formam uma roda para proteger sua senhora.

No palácio uma festa estava ocorrendo com uma valsa muito bem preparada os convidados da mais alta corte de vários países vieram prestigiar o jovem príncipe Richard.Estava fazendo aniversário naquela noite e seu pai,o rei estava ansioso para que ele se casasse com Lady Isadora uma linda mulher e muito poderosa herdeira de um grande reino porém, mais velha que ele.Este detalhe preocupava o príncipe pois era inseguro com as mulheres,mesmo recebendo dicas picantes sobre o conhecedor de mulheres Igor.Igor é seu servo e amigo de infância,sua única companhia quando ficou sozinho no palácio após a morte de sua mãe a rainha,e ainda a ida do rei Valentine ao campo de batalha por dois anos.Neste tempo ficaram amigos e Igor fiel ao seu amo.Uma taça de vinho foi servida no baile para o jovem príncipe,Igor sugeriu que ele fosse conversar com Lady Isadora.

-Não perca essa chance meu amigo,ela é linda!-A expressão do jovem não era animadora,a mulher era realmente linda mas tinha idade para ser sua mãe.

-Acho melhor não, estou sem assunto -Falou categórico saindo do grande salão.Igor foi segui-lo até o jardim sem entender suas atitudes…

-É a idade dela que não te atraí?Meu amo quantos príncipes se tornaram reis com…

-Com senhoras eu sei,e depois as deixava no outro lado da torre do palácio e teria uma vida de prazeres com mulheres mais jovens e avantajadas -Richard se virou para o amigo e colocou a mão direita no ombro do jovem amigo.

-Não quero enganá-la, nem meu coração -Disse solene.

-Está apaixonado por outra?-Perguntou Igor assustado,querendo saber mais.

-Não…mas não quero me enganar e enganar outra mulher… -Disse olhando para o céu como se estivesse próximo a um precipício.O rei estava afoito e conversava sem parar com os familiares de Lady Isadora,parecia que já estava tudo decidido.Bebia vinho sem limites e esbanjava seus anéis de ouro e seu elegante casacão de rei,sua enorme barba o fazia mais ancião.A valsa estava maravilhosa sendo tocada com a delicadeza dos anjos,todos dançavam com um ar de alívio um clima de parceria e alegria.Ouve-se um chamado ao rei,a atenção de todos é voltada para ele, um guarda ferido volta do bosque com notícias da família Benwick.

-Sua majestade sou servo da família Benwick por favor nos ajude… é que…Lady Elvira está em perigo…ela está perdida!-Ao proferir com esforço essas palavras ele vomita a ultima regurgitada de sangue e cai no salão,causando pavor a todos.O rei manda guardas mas Richard pede ao pai para ir ajudar.Mesmo o rei relutante o jovem príncipe se junta aos soldados,tudo era melhor do que aquela festa e a propósito, sua intuição aquela noite dizia que ele devia ajudar aquela família.

A lua prateada iluminava o caminho dos soldados que seguiam as longas e rápidas cavalgadas do príncipe.Em seu cavalo a montaria bem destaca com o escudo real, a águia erguida dourada que representa vitória.Lady Elvira não acredita quando vê o vestido de sua irmã repleto de sangue.Logo concluiu que foi vítima de um animal selvagem e continua seguindo os rastros de sangue.Porém acaba escorregando em um barranco e é jogada contra um rio.Com muito esforço ela consegue se agarrar em um toco e é levada pela correnteza.Quando avista sua irmã,Eliza,nua, desmaiada na beira das águas.Elvira não pensa duas vezes e se arrasta para a beira do rio afim de salvar sua indefesa irmã.Ao abraçá-la senti que a respiração da jovem já estava ausente, desesperada começa a gritar,chamando a atenção dos soldados do príncipe que logo chegam no local.Elvira tira a capa molhada e cobre o corpo da irmã.Richard chega para socorrer as vítimas:

-Está tudo bem milady?-Perguntou para Elvira de costas encharcada-Ela se vira com um olhar triste,seu frágil semblante refletia ao mundo dos mortos,ao mesmo tempo uma solidão que Richard consegue captar,um sentimento mais profundo é absorvido dos olhos castanhos claros daquela mulher.Elvira não responde e entrega o corpo da irmã para um soldado e é levada pelos seu servos arrasada,não sabia o que dizer para a aflita mãe e muito menos para seu pai.O barulho dos cavalos se distanciavam e a floresta voltava a ficar silenciosa.

No fundo do bosque a escuridão tomava conta e novamente uma névoa densa entrava pelas entranhas da floresta.Três pessoas encapuzadas saíram da escuridão até a luz da lua e se entre olharam.O do meio se revelou sendo Lord Fêlix:

-Pronto, fiz o que me pediram e agora?-O encapuzado da esquerda era uma mulher que se mostrou as claras,ruiva,cabelos ondulados,olhos ásperos e azuis.

-“E agora?” fala como se fosse fácil,sabe que agora aquela pobre coitada irá infernizar sua família- O outro encapuzado era um homem de longos cabelos pretos e olhos estranhamente brancos.

-O período de transformação são de três luas cheias,ela estará pronta para despertar depois deste período -Disse ele com seriedade,a mulher olhou para Fêlix com rigidez.

-Fêlix, faça com que a família não pense que a garota morreu,eles não podem enterrar-la entendeu?-Fêlix deu um sorriso sarcástico e olhou para os dois.

-Poder eles podem-Disse rindo.

-Não coloque tudo a perder,precisamos da garota na terceira lua cheia sem atrasos, disse  determinada a mulher ruiva.Ela aponta o braço para cima e uma faísca vermelha de fogo saem das palmas pálidas de sua mão.Uma flecha de fogo vai em direção a carruagem de Elvira fazendo com que um acidente terrível acontecesse.

-Agora vá,cuide de sua esposa e lembre-se que não deve falhar-  Após dizer isso a mulher e o homem misterioso sumiram no bosque.Ferida Elvira é salva pelos soldados quando Fêlix chega a cavalo.

-Meu amor vim correndo quando soube,o que está acontecendo?-Ele desceu do cavalo e ela o abraçou.

-Não sei,é Eliza ela está…ela está…

-Fique calma vamos voltar pra casa -Disse Fêlix acalmando a jovem aos prantos.Um guarda chega perto dos dois desconfiado.

-Fomos atingidos por uma flecha de fogo,devemos averiguar senhor?

-Não,deixe as coisas como estão, não houve feridos,não faça nenhuma petição sobre isso,apenas leve Elvira para casa a salvo- Alertou Fêlix decisivo.

Eliza foi levada as pressas para casa e o médico particular da família foi convocado,o cético Dr.Lawrence estava pasmo.Dona Marieta estava tão aflita que chegou até quebrar seu leque.Elvira estava preocupadíssima.

-Doutor ela não respira?

-Sim,respira mas muito pouco -Elvira se assusta.

-Mas ela estava não estava respirando…

-O impacto da queda deve ter afetado seu sistema respiratório por um período breve só isso,mas os órgãos vitais dela continuam funcionando,agora…-Disse o doutor olhando as marcas no pescoço da garota.

-Ela não parece ser atacada por uma fera,parece ser uma tentativa de assassinato – Disse Lawrence convicto.Marieta se assustou e ficou junto da filha horrorizada.

-Mas quem poderia querer matar Eliza?meu Deus…-Todos se entre olharam e Elvira levou a mãe desconsolada para o quarto.Lawrence aproveita que está a sós com a paciente e vai até o peitoral da janela para fumar.Um estrondo é ouvido pelo médico quando ele observa a as velas se apagaram, e uma rachadura perto da cama é aberta.O doutor examina Eliza que esta de olhos bem fechados com o semblante cansado,quando segura um dos pulsos dela observa algo estranho,um corte novo na palma da mão surge.

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