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Mar
30
2011

Recisão Contratual

poesiaEscritor: Diego Alves Vergilio

A noite era fria

E lá fora o vento forte

Se ouvia

Em sua canção

De acelerar o coração

Sempre assoviando

Sua melodia de horror

Estava em minha cadeira

Feita de madeira,

Madeira velha e podre

Que rangia

A cada balançar que nela

Eu fazia

Apenas um cobertor

De listras brancas e quadrados vermelhos

Era que eu possuía

Para aquecer meus cansados joelhos

Ninguém mais a minha volta eu via

Ninguém mais que pudesse

De pena que se compadece

Fazer-me companhia

Neste meu ultimo dia

Por toda uma vida

A avareza me era guia

Por toda uma vida

Maltratar aqueles ao meu redor,

Era que queria

Pensei que não me arrependeria

Daquele acordo

Que há cinqüenta anos eu fazia

Acordo com cheiro de enxofre,

Acordo que com sangue foi assinado

E para o abismo havia me levado

Ele não queria a minha alma,

Ele não queria devoção,

Apenas brincar comigo

Demoníaco brincalhão

Porque não libera a morte

Para me ceifar

Deixe-me, há anos está a brincar

Toma minha alma

Que de nada me vale

Já me tirou à calma

Esse teu jogo de matar

Todos que me cercam,

Mas nunca me levar

Agora velho e decrépito

Terei que em sorte tentar

Minha vida tirar

E no inferno, o contrato

De suas mãos arrancar

Deixo-me querer viver

A todo canto vagar

Nem céu, nem inferno

Quero habitar


Written by diegoescritor in: Diego Alves Vergilio,Poesias | Tags: , ,

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