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Apr
14
2011
Conto em Série

“Neo Brasilis” Ato 1 – Cap. 1 : Inicio do Fim

Escritor: Pedro Horta

O ano era 2342, e a humanidade estava já tendo de enfrentar o segundo cavaleiro do apocalipse : a peste. Não como os textos originais diziam, mas nem assim menos devastadora. As pessoas que sobreviveram à grande fome, que eram apenas metade da população a partir do ano de 2021, era dizimada às centenas por hordas de criaturas enfermas e grotescas, como que parcialmente decompostas, que antes foram homens e mulheres comuns, apenas para levantar depois de doze horas e se juntar aos grandes grupos de devoradores de carne humana. As últimas grandes cidades, capitais de estados de países outrora emergentes como o Brasil, eram divididas em pequenos focos de humanos comuns, organizados de forma quase feudal e com líderes de dinastias e clãs bem definidos. Essas comunidades eram chamadas cromlechs, e tinham pouca, ou mesmo nenhuma, conexão com as outras cidades.

Aqui neste texto nos referimos a um grupo de cinco pessoas, outrora tão diferentes tanto em ofício quanto em personalidade, mas agora unidos pela necessidade. Como assim? Hora, se você está preso à duas semanas no parque Trianon, cercado por todos os lados por zumbis turistas, toda ajuda é bem vinda. Enfim, essas cinco pessoas eram o engenheiro Marcos, a clínica geral Ana, o escritor Rodrigo, o escoteiro de doze anos Thiago e o seu pai, o advogado Oswaldo. Depois conheceremos cada um deles em detalhes. Agora, vejamos a fatídica tarde de outubro em que eles conseguiram chegar ao cromlech sob o comando dos irmãos Di Fiori.

Era a última dezena de nozes que sobrara na clareira onde eles estavam se escondendo dos zumbis. Ficavam naquele exato lugar por ser bem úmido, e a umidade durante o dia deixa os zumbis tontos e sem ação. Enquanto Oswaldo e Marcos as quebravam, Thiago e Ana juntavam os equipamentos e armas improvisados e apagavam todos os sinais de que eles passaram por ali e Rodrigo ficava sentado na sombra de uma árvore, anotando em seu livro-diário como de costume. Com as malas prontas e a comida pronta para ser carregada junto, eles partiram. Foi uma caminhada dura até onde um dia foi a estação de metrô Trianon-Masp, pois plantas brotavam do solo da avenida e o asfalto que sobrava por ali queimava os pés a muito descalsos dos viajantes. Ao chegar na estação em si, gastaram cerca de uma hora e meia abrindo caminho entre os defuntos comuns e os que ainda andavam por lá. Com isso, chegaram na área sob o comando do cromlech dos Di Fiori depois do anoitecer, e lá ficaram acampados até o amanhecer e então partiram para o Museu do Ipiranga, que agora era chamado Pallazo di Fiori, e era onde se apresentariam aos líderes Lucca e Giovanni di Fiori, que diriam se eles poderiam ou não ficar sob o abrigo deles.

Infelizmente para um deles, primeiras impressões são as mais importantes.


Written by Pedro Horta in: Agenda,Contos,Neo Brasilis,Pedro Horta |

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