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Apr
20
2011

Algo sobre dívidas…

Escritor: Daniel Marchesani

-Isto é coisa do tinhoso, do capeta. – Disse Maurício.

-Para com isso, é apenas uma tatuagem.- Respondeu Rogério.

Ambos trabalhavam na mesma empresa. Maurício era líder de Rogério e já fazia muito tempo que a relação dos dois não andava bem. Tudo começou quando Rogério foi convidado para trabalhar na Ranover Cosméticos, o convite viera através de um dos gerentes que foi amigo dele em outra fábrica. Ao que parece esta decisão deixou o religioso Maurício um tanto enciumado. Desde o começo os dois não se interagiam. Maurício muitas vezes irritava Rogério e este ultimo esbravejava as vezes desnecessariamente com o seu líder.

Naquele dia Rogério foi para casa desgostoso da vida lembrando das humilhações que sofrera. Uma vez tinha cometido um erro que se não fosse visto pelo controle de qualidade uma boa parte da produção iria ser jogada no lixo. Ouviu os maiores impropérios do seu encarregado ressaltando a sua suposta falta de organização, comprometimento e atenção.

Quando chegou em casa não quis nem falar com a esposa, foi direto para o quarto, trancou a porta e se entregou aos maus sentimentos. Isso era frequente, imaginava várias maneiras de dar um fim ao seu inimigo: enforca-lo, cortar seu pescoço, esganá-lo com arame farpado ou decepar sua cabeça. Ria com as inúmeras possibilidades de efetuar a sua vingança. No entanto, naquele dia sentiu uma leve pontada no peito onde tinha feito a sua tatuagem. Tirou a camisa. O desenho cobria também parte do seu abdome: era uma criatura estranha, seus detalhes evidenciavam uma composição inquietante que dava calafrios. Algo estava errado, já fazia tempo que Rogério tinha feito aquela tatuagem porém nunca tinha apresentado sinais de infecção. O desenho estava inchado e escorria um líquido estranho em algumas partes. Passou uma pomada, fechou a camisa e foi dormir.

De fato Rogério só ia trabalhar naquele lugar porque tinha muitas contas em atraso. Acreditava que poderia suportar as ofensas de Maurício, pelo menos até as dívidas acabarem. Sua mulher achava que ele não deveria dar ouvidos a ele, seguir, fazer o seu trabalho da forma mais correta possível e esquecer as intrigas. Mas Rogério era por demais sensível para aguentar os ataques e o seu trabalho não estava mais produtivo em conta disso. As discussões começaram a ficar bastante intensas. Desconsolado Rogério se isolava cada vez mais no seu quarto e remoía sua raiva na solidão. Ademais algo o deixava ansioso: a dor causada pela tatuagem começava a ficar insuportável.

Transtornado, Rogério começou a cometer erros irreparáveis. Maurício o atacava de várias maneiras. Muitas vezes o humilhava na frente dos outros, dizia que era um fraco e não tinha capacidade para para aquele trabalho. Na maioria das vezes Rogério recuava mas em algumas respondia a altura. Foi em uma destas vezes que Maurício não suportou a resposta e pediu para que demitissem Rogério. Este ficou surpreso pois achava que ainda poderia segurar a situação por algum tempo. Contudo, não teve jeito, Rogério estava despedido e não tinha mais nada a ser feito.

A esposa de Rogério não aceitou aquele fato e disse que ele era um vagabundo que não gostava de trabalhar. Esta atitude foi um agravante, Rogério não quis falar com a esposa e com mais ninguém. Isolou-se definitivamente em seu quarto imerso em terríveis pensamentos. A tatuagem começou a estuporar em furúnculos que provocaram febres e calafrios. Deixou de dormir e de comer. Emagreceu e depois de alguns meses ficou irreconhecível.

Certa vez a esposa foi tentar convence-lo a tomar um café da manhã e o encontrou morto. O corpo evidenciava sinais de muita agonia. Estava nu, com olhos fixos no teto. O mais impressionante era aquela tatuagem que tinha se destacado das feridas e demonstrado cores vivas e vibrantes. O cadáver foi levado para o Instituto Médico Legal.

Ninguém pôde ver o fato incomum que aconteceu na gaveta do necrotério onde o corpo de Rogério repousava. Aquele insólito desenho, outrora razão de orgulho para o seu dono, começou a crescer e tomar conta dos braços, pernas e cabeça do cadáver. Outra coisa repugnante abalaria a visão de qualquer pessoa sã: o cadáver começou gradativamente a tomar a forma daquela criatura que antes era uma figura incomum. Todos os detalhes respeitaram aqueles traços pesados e demoníacos. O antigo corpo de Rogério transformou-se na representação desvairada do mal.

A criatura acordou com uma intensa fome, mas não uma fome comum: sabia que somente uma coisa poderia lhe trazer alívio. Então arrombou a gaveta na qual estava presa. Avançou em meio a um espaço frio, frio este que não sentia. Destruiu a porta e seguiu silenciosa por entre a escuridão. Pulou uma janela e deu de cara com a alta madrugada. O seu instinto sobrenatural afirmava que tinha que ir a determinado lugar e foi, não obstante a ruas desertas e os muros quase intransponíveis.

Finalmente chegou aonde queria, o enorme portão impedia seu objetivo mas não foi difícil sobrepujá-lo. Apesar da forma bruta tinha uma prodigiosa malícia. Seus passos eram leves, quase que imperceptíveis. Escalou a parede até encontrar uma janela aberta no segundo andar. Entrou e percebeu que sua presa estava próxima. Caminhou devagar por um corredor escuro e pelos umbrais de uma porta avistou aquele que iria saciar a sua fome. Maurício rezava solene diante de um crucifixo pedindo para Deus zelar pela alma de Rogério. A criatura exitou, algumas lembranças de uma outra vida queriam domar a sua vontade. Mas logo reanimou-se e passo a passo seguiu em direção a vítima.

Maurício só se deu conta da situação quando percebeu aquela garra enorme tomar o seu pescoço e o ergue-lo próximo ao teto. Não consegui nem gritar. Aquele rosto deformado olhava fixo para ele e intensificou o seu desespero. Debateu-se como pode, mas era uma presa condenada. Os olhos daquele ser pareciam conhecidos. Seu ultimo pensamento foi uma vaga noção: sabia o que era aquilo, ou pelo menos, de onde tinha surgido. A dívida fora paga e de uma maneira jamais imaginada.

 

 


Categorias: Agenda,Contos |

3 Comments»

  • Thaina Gomes says:

    Achei interessante o texto, senti falta da descrição de como seria a tal criatura.

    • Oi Thaina, obrigado pelo comentário,e fico feliz que tenha acho interessante esta minha história tão humilde e mal escrita.
      Propositalmente não descrevi o monstro, o objetivo era usar a famosa técnica lovecraftiana de não dar muitos detalhes das suas criaturas. Confesso que esta sua observação me fez pensar, veja bem, os textos de Lovecraft são muito longos e ele conseguia dar um clima na história justamente por ser tão torrencial, talvez isso tenha faltado na prosa. De duas uma: ou prolongo o texto para tentar acentuar o estranhamento na leitura e assim congelar os nervos do leitor daquela maneira que só Lovecraft pode fazer ou detalho a criatura e coloco a história em um patamar mais óbvio, acredito que a segunda opção me pareceu mais interessante. Vou trabalhar nisto. Logo mais mando este texto atualizado. Nossa, quase escrevi uma outra história aqui rsrssr
      Valeu Thaina!

  • Alex Nunes says:

    É, gostei bastante dessa história. Cada parágrafo foi estabelecendi a situação de maneira muito habilidosa. O texto me ganhou logo no segundo, diga-se de passagem.
    Todo o suspense e clima de terror me lembrou Stephen King e não Lovecraft. Deve ser porque eu li vários livros de um, e nenhum de outro. Parabéns. Eu logo senti a mudança no tom do texto assim que o lado sobrnatural emergiu e foi uma grata surpresa. A leitura foi muito prazerosa e o ritmo foi muito bem trabalhado.
    Tirando alguns errinhos de portugês, te dou os parabéns. Já vou procurar outros textos seus para ler aqui.
    Valeu!

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