“Amor” acabou de entrar
Escritor: Ricardo Barantini
A conheci pela internet. São tantas pessoas que você conhece, mas com ela foi completamente diferente. Não pelo modo que a conheci, pois isso foi algo completamente normal, mas sim, pelo o que ela representou para mim. Morena de pele clara, cabelo escuro, olhos penetrantes, por conta da forte maquiagem. Olhos pintados e capazes de fazer qualquer um se apaixonar. Ela era meiga, inteligente, super tranquila. Gostava de músicas calmas e românticas, mais precisamente Indie Rock. E foi em uma comunidade no orkut que eu a vi pela primeira vez, um gosto (na verdade existia muitos) em comum. Adicionei-a como com quem não quer nada, realmente eu não queria nada e, muito outros fizeram o mesmo. Apesar de ser encantado por teus olhos, nunca fui além disso. Alguns meses se passaram, resolvi “puxar papo” pelo Twitter. Eu dizia coisas encantadoras sobre teus olhos, uma coisa seguida da outra. Em uma dessas coisas que eu dizia, deixei escapar um “quero te conhecer”. Ela aceitou. Eu a conhecia bem pouco, pra ser sincero, bem pouco mesmo. Apenas sabia como a chamavam, a primeira letra do teu sobrenome e a cidade onde morava. 100 km de distância da minha, achei uma loucura fazer isso mas mesmo assim eu queria ir. Dias antes de ir, começamos trocar mais mensagens e, conheci um pouquinho mais dela. Me apaixonei. Eu dizia que ela era perfeita e tudo mais. Naquela época eu estava passando por alguns problemas, na verdade, apenas estava infeliz. Ainda acreditava que a felicidade viria com um amor verdadeiro e duradouro. Tantos e tantos meses apenas sustentado por infelicidade e com algumas coisas ditas conheço uma pessoa e de repente estou feliz, pois é, eu estava feliz. Eu ainda não acredito na loucura que fiz. O dia da viagem chegou, eu já tinha tudo planejado, como ir e como voltar, mas apenas um detalhe eu não tinha como prever. Como eu não a conhecia, havia o medo de ela nem mesmo existir e eu ficar plantado naquele terminal rodoviário de uma cidade grande e desconhecida a espera de uma pessoa que não existe. Para mim foram momentos de tesão. Cheguei naquela cidade completamente perdido, não sabia para onde ir, segui a multidão. Liguei para ela, ouvi sua voz pela primeira vez. Ela estava a caminho. Cidade grande com gente estranha, eu senti medo. Achei que iria esperar por alguns minutos, mas na verdade esperei por uma hora e meia. Uma hora e meia em pé no meio de uma multidão de gente estranha. Eu já estava quase acreditando de que ela realmente não existia, liguei mais uma vez e disse que iria aguardar apenas mais um pouco e então iria embora. Alguns minutos depois a vi subindo pela escada que dá acesso ao metrô, ela não me viu. Eu fiquei admirando-a de longe. Aquele lindos olhos. Ela veio em minha direção, minhas pernas tremiam. Ela também estava nervosa. Nos abraçamos. Um abraço curto, fez ela pensar que eu não havia gostado dela. Sem rumo e sem assunto, pegamos um metrô e fomos até um shopping. Iríamos no cinema, assistir um filme completamente nerd. Éramos dois nerds com orgulho e isso que nos deixava bem. A sessão só iria começar duas horas mais tarde e então ficamos sentados em um banco, conversando, falando de coisas que nos deixavam bem, interesses iguais, sobre a vida e tudo mais. A cada tópico novo, descobríamos um gosto em comum e em nossos rostos aparecia um leve sorriso. Éramos dois nerds infelizes e que só queriam um amor. Após muito tempo conversando, criei coragem e a beijei. Nunca me esquecerei daquele beijo. Ela me segurando pela camiseta e eu com a mão em sua cintura. Era como em um filme de romance, onde o casal se encontra e ficam felizes. Mas no fundo, pela minha insegurança, eu sabia que se esse nosso filme fosse para se basear em um filme existente, ele seria o 500 Days Of Summer e para a minha infelicidade, foram menos de 50 dias.
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Legal, Ricardo. Eu gostei, só acho que se utilizasse mais parágrafos seria melhor. Assim tudo junto fica um pouco cansativo. Mas é um bom texto.
É uma divisão de parágrafos é uma boa idéia. Gostei do texto, muito bacana.
É… parágrafos, parágrafos. Dá um ritmo melhor ao conto colocar cada ideia em um parágrafo diferente e ainda ajuda na compreensão do leitor. Fora isso ficou lindinha a estória, tão bonitinha apesar do final triste. Gostei *-*
Gostei. Sou viciado em filmes e adorei a comparação no final.
Ainda assim, queria dizer que uma divisão em parágrafos tornaria a leitura mais leve e deixar minha opinião para uma revisão relativa a mudanças aparentes a quem tu se refere. Por exemplo, tu diz “A conheci pela internet.” e “Adicionei-a como com quem não quer nada…” e em outras partes tu diz “Eu dizia coisas encantadoras sobre teus olhos” e “a primeira letra do teu sobrenome” dando a entender que estaria fazendo um relato a ela.
Mas são detalhes. Gostei do texto.
Acho que vi o filme que você citou! Ele passou hoje, só consegui ver o final =(
Sim, passou domingo de noite, eu assisti de novo (perdi a conta de quantas vezes já). É o melhor!