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Apr
27
2011

Cassandra

Escritor: Vinicius Maboni

cassandra

– Ao One, e a cada um que se atreve a criar mundos de papel.

Caderno, lápis, borracha e uma ideia, tudo o que precisava. Sentado sobre a cama, apoiando-se na cabeceira e pronto pra escrever. Longo espaço pra um titulo, não tinha ideia de qual seria. De inicio tinha apenas uma personagem formada, nada de trama, conflito ou clímax. Mas acreditava ter o suficiente.

Encostou o lápis na folha, depois na boca e novamente na folha. Estava indeciso. O que sempre acontecia quando se aventurava a escrever, desejo natural de quem vive em meio aos livros.

Novamente o lápis encontra o papel, fica parado ali até finalmente escrever uma letra. Separa-se do papel e retorna à boca, então a borracha apaga a letra solitária. É sempre a indecisão que atrapalha, permanece nesse estado de tentativas por mais de uma hora. Logo, onde deveria estar a primeira letra, havia apenas um borrão cinza.

Eis que então a esperada inspiração surge e o lápis finalmente tem trabalho, o som que o mesmo emite ao se arrastar pelo papel, parece estrondoso na noite silenciosa.

Não lhe havia mais nada na cabeça, nenhuma ideia, nenhuma estória, só uma personagem. Com a qual vinha sonhando dormindo ou não, e que se tornou letras naquela folha.

“Usava um fino vestido branco, quase curto, inocente e ousado, levemente balançado pelo vento. Tinha pele clara e macia, dessas que a gente sente vontade de deitar em cima. Cabelos de liso quase perfeito e cor tão negra quanto uma noite sem lua ou estrelas, e olhos de igual cor. O corpo elegantemente distribuído e seios proporcionais ganhando destaque pelo vestido. Caso ainda seja necessária mais alguma descrição: era linda, estonteantemente linda.”

Era isso. Tudo o que havia imaginado pra aquela estória que gostaria que fosse marcante. Admirou sua pilha de livros, sentia que faltava algo importante na sua descrição. O que todas as personagens daquelas obras em que vivia enfurnado tinham que a sua não tinha? Analisou cada volume, lembrou do que gostava em cada um ali.

“Ironicamente contrastava entre a inteligência e a ingenuidade. Se mostrava astuta e esperta, e mesmo assim, meiga. Com um sorriso, deixava qualquer lugar feliz, exibia perfeitos dentes brancos e dependendo da sorte do espectador, um toque de vermelhidão sob os olhos.”

Agora estava um pouco mais satisfeito, tinha algumas características dela, a musa inspiradora que ele mesmo inventara. Mas ainda faltava muita coisa e o sono não deixaria continuar, na próxima noite continuaria, pôs o caderno numa mesinha ao lado da cama, apagou a luz e tentou dormir. Em vão, é claro. Não podia se entregar a Morpheu sem dar um nome à sua personagem.

Levantou-se, acendeu a luz, pegou o caderno e escreveu:

“Cassandra”

Agora podia dormir.


Categorias: Cassandra,Contos | Tags: , ,

83 Comments»

  • Vinicius Maboni says:

    Depois de milenios… olha meus contos de volta…

  • Samila says:

    que bonitinho. Eu gostei, parece comigo mesma criando nas madrugadas sonolentas!

  • Asami says:

    Acho que já falei do quanto achei esse conto interessante, não falei? Realmente incrível tão singelo quanto profundo. É legal a forma como tudo por trás de um conto é abordado, todas as incertezas, a animação, o carinho que rondam o escritor ao criar sua personagem e, para ela, um mundo. Ficou lindo, aguardo os próximos *——*

    • Vinicius Maboni says:

      Obrigado Asami! Fico realmente muito feliz que goste. Mas acho que esse será o unico a ser postado. Nesse feriado vou escrever coisa nova.

      • Asami says:

        Awn… que pena. Queria tanto a continuação, chega ser injusto não fazer 😛 Mas, enfim… então aguardo os novos ^.^

      • Thaina Gomes says:

        Como assim? Você tem que postar o resto vini! Eu vou atrás de vc pra te obrigar a postar! Eu li e adorei, tem que postar.

  • Alex Tzimisce says:

    Que legal…
    Vou utilizar as palavras da Samila, me lembrei das minhas madrugadas sem sono e eu na frente do computador. Cada das toques para escrever algo era uma longa luta e de repente! Aí estava algo para começar o processo.

    Particularmente gostei dessa parte: “Tinha pele clara e macia, dessas que a gente sente vontade de deitar em cima.”

    Muito legal Vinicius.

  • Luh Magalhães says:

    Como eu já disse, ficou ótimo, como sempre. É o meu estilo de conto. Parabéns, Vini. 🙂

  • tim says:

    CASSETE (OPS DESCULPAS)-É que acheiVo conto lindo mas cadê o resto,hum?
    Tô esperando.

  • Charles Erzähler says:

    Legal! Você conseguiu materializar o “bloqueio de escritor” de forma singela e bem real.

    Senti em mim a agonia do personagem, adorei! 😉

    Um grande abraço!

  • Anjo says:

    O que você quer que eu diga?
    Está perfeito!
    Eu, que li seus ultimos contos, posso dizer com certeza que esse é o melhor de todos eles.
    Tão completo e ao mesmo tempo tão simples.
    Otimo.
    Espero os proximos.

  • Ótimo texto, cara. Parabéns! 🙂
    Eu odeio escrever com lápis em papel, os borrões cinza me deixam irritado…:(

  • VInicius Maboni says:

    Gostei da Imagem Guns!

  • Gostei do texto. Gostei do estilo, da linguagem (apesar da frescurice quando está escrevendo no caderno), do tamanho. Show de bola. Quero ver mais textos curtos desse falando da tal cassandra, pouco ligo se eles são conexos ou não.
    😛

  • Ana Bourg says:

    Ah, lembro desse.
    Tá tão bonitinho. :3 E bastante inspirado.
    Tens uma personagem, com aparência e personalidade, e um nome.
    Agora, precisamos conhecer o mundo que se construira ao redor de Cassandra. A veremos viver e, quem sabe, viajar para além de seu reino de palavras traçadas no papel?

    Recomendo um filme chamado “Mais Estranho que a Ficção” *Stranger Than Fiction” – tem uma linha narrativa muito semelhante e acho que você vai gostar. A protagonista lembra a Cassandra em algumas coisas. :3

    • cassandra, pelo menos em minha mente, é quenga!
      UHULLL!

      • Ana Bourg says:

        mania de quenga, hein, Israel.
        Só fala disso.

        • me dá liberdade de imaginar uma cassandra sensual, esperta… mas cheia de malícia e um tiquinho de maldade.

          ele pode não ser na cabeça do Vini, mas se eu vê-la assim… as coisas saem mil vezes mais fáceis.

          • Ana Bourg says:

            huahuahua, ok. ok. 😛
            ‘tava sendo nitpicking

            XD

          • Thaina Gomes says:

            Só vc mesmo, cada um imagiana a Cassandra que quiser.

          • Samila says:

            Para mim a Cassandra é bem branca e ruiva, de cabelo todo enroladinho, quase crespo, bem cheiroso, o qual ela usa sempre solto, balançando enquanto anda.
            E os olhos… Ah, que olhos verdes e vivos que ela tem! Intoxicantes, selvagens e embriagantes, tal qual absinto.
            *-*
            ~~~~~~~~~~~
            O fato é que tenho em minha mente três musas:
            Sofia (branquinha, andrógina, cabelo curto e negro, olhos negros tb. Bela, pura e doce, idealizada ao extremo ~ foi minha primeira musa, é a que aparece no texto Lírio)

            Lilian (Morena bem escura de traços ciganos e olhos verdes. Esperta, forte, corajosa e livre ~ Serviu de base para a Amanda, de Dança das Bonecas)

            Cassandra é a terceira (e sim, ela já tinha esse nome na minha mente), e para mim sua personalidade é um mistério… ela não se revelou ainda. Como será a minha Cassandra? Pelo jeito que me olha, diria que é maliciosa e muito alegre…

          • Antonio M. de Souza says:

            Ah, minha musa é a Ligeia, de Poe… Mas sempre chamando-se Lenora…

            Enfim, ela sempre tem cabelos muito negros e ondulados, tez muito branca e olhos opacos. Os dedos longos de pianista e a voz profunda e grave.

          • Ana Bourg says:

            Agora que me toquei. Que o texto é sobre inspiração E é também sobre “a musa” de cada autor.
            Obviamente ela sempre será perfeita ao modo de cada um. 🙂
            _
            @Samila: também tenho musas (e que autor não tem, né?)xD
            uma delas é uma “vampiress”, magra, morena, com cabelos escuros e curtos, olhos amarelo-sulfúrico, sempre disposta a falar palavras provocativas e incentivar as pessoas a fazer coisas supostamente erradas. (Acabou virando a personagem Leiden, de Grinder)
            Outra ainda não tem nome e é “pequena e feia como o povo das fadas” (nas palavras da Marion Zimmer para descrever a Morgana das Fadas). Sei que ela tem grandes olhos prateados e é a pessoa mais fofa que consigo imaginar.

          • Samila says:

            Ana, a Leiden é uma musa que eu adoraria ‘adotar’, acho-a mais do fascinante *0*
            ~~~
            e nhai, quero conhecer essa outra! fofaaaa

  • Antonio M. de Souza says:

    Ah… conheço bem essa indecisão e também aquele rompante que nos impele para fora da cama apenas para escrever uma palavra que sutilmente nos salta à mente.

    Parabéns, gostei muito de sua história e achei um final bastante bonito, simples e efetivo.

  • VInicius Maboni says:

    Olha só, parece que cada um criou sua Cassandra, fico feliz e confesso que não esperava tal efeito. A verdade é que se tornou impossivel até mesmo pra mim, o autor, descobrir quem é Cassandra. Nos proxímos capitulos mais interpretações serão possiveis, mas nada que defina a mesma.
    A verdade é que todos temos nossas Cassandras, e em nossas mentes elas represantao o simples, o singelo e o perfeito, veja bem, pra cada um essas palavras podem ter diferentes interpretações.
    Obrigado a todos por ler. A segunda parte, estará na agenda em breve.

  • e se cada um de nós escrever um pequeno texto chamado cassandra?

    cassandra por vini malboni

    cassandra e seu mundo por ana b.

    cassandra: a encanadora por samila lages

    cassandra: a devassa por israel duarte
    .
    .
    .

  • lobaempeledeovelha says:

    Dizer que é perfeito poderia ser errado mas para mim não é.
    Seu jeito de escrever é muito bacana Sensei!

  • Vinicius Maboni says:

    Eu topo, mas tem que ser organizado. Cadê o nosso anfitrião?

    • TU é o dono da parada. 😛

      Tu que dita as regras, nós damos pitacos.

      meu primeiro pitaco: cada nerdescritor manda a sua visao de cassandra. nao pode ser muito longa e têm que respeitar tudo que tá nesse conto inicial!

  • Vinicius Maboni says:

    Bom pessoal, Tenho que lembrar que esse conto fala também do autor de cassandra, e o desenrolar da historia retrata mais algumas coisas que não quero falar pra não ser spoiler. Mas acho que é uma boa ideia sim. Cada um escreve uma musa, ou fonte de inspiração qualquer. Criamos um Ebook e lançamos aqui.

  • Vinicius Maboni says:

    Podiamos criar um Ebook, e pedir pro Guns por aqui, ou criar uma pagina dedicada à criação de musas.

  • Vinicius Maboni says:

    Sabe o que eu sempre imaginei? UM bom desenho da Cassandra, poderia ser posto no ebook.

    • Ana Bourg says:

      Também pensei nisso. Ficaria legal também se cada um fizesse seu próprio desenho e todos figurassem na capa.
      Ou temos aqui algum escritor que também é desenhista? :3

      • E.U Atmard says:

        Epa, desenhador nao sou nao xD e para isso que tenho um artista grafico a trabalhar comigo, para estas ocasioes! 😛

    • Samila says:

      ou uns bons desenhos, já que surgiram mais XD

  • criei um google groups pra quem quiser participar da parada. mande um convite pra samila, mas não tenho email de todo mundo. manda um mail pra nego_do_broz @ msn.com pedindo o convite que eu mando

  • lobaempeledeovelha says:

    Até eu desenharia ^^

  • lobaempeledeovelha says:

    Só pode escrever sobre uma Musa e se for um Cara como fica?

    • Loba, são musas.

      Acho que um homem no meio de umas 10 a 20 cassandras fica fora do tema… D=

      • hahahhaha… sei não. Eu escreveria sobre um cassandro fosse necessario.

        Mas o que o Rainier falou é veradade. A Ana e a Samila estão falando de mulheres. ficaria realmente estranho só um cara na parada toda.
        😛

        • E.U Atmard says:

          Ou como dizia um autor qualquer que eu nao me lembro o nome: “a poetisa deve ser a sua propria musa, ou entao nao e uma verdadeira poetisa! 😛

        • lobaempeledeovelha says:

          Vou fazer uma sobre mim mesma hahuauhhauhuahuahuahu xD

      • lobaempeledeovelha says:

        Vou fazer uma pra mim então xD

  • Pessoal para ver sobre como participar da Coletânea Cassandra entre no link da antologia!

    http://www.onerdescritor.com.br/2011/04/cassandra-participe-da-primeira-antologia-do-one/

    Lá eu recebo os comentários nos emails e fica mais fácil para responder! =D

  • Vitor Z says:

    “Usava um fino vestido branco, quase curto, inocente e ousado, levemente balançado pelo vento. Tinha pele clara e macia, dessas que a gente sente vontade de deitar em cima. Cabelos de liso quase perfeito e cor tão negra quanto uma noite sem lua ou estrelas, e olhos de igual cor. O corpo elegantemente distribuído e seios proporcionais ganhando destaque pelo vestido. Caso ainda seja necessária mais alguma descrição: era linda, estonteantemente linda.”

    Apenas minha humilde opinião:

    1. Excesso de descrição. Isso diminui o ritmo da narrativa.

    2. A melhor descrição é aquela que combina aspectos emocionais e físicos, dados em pequenos pedaços durante a narrativa. Você não precisa descrever toda a personagem. Às vezes, com um traço físico e trabalho emocional, o leitor já consegue imaginar a personagem.

    Deixa o leitor imaginar o resto.

    3. “corpo elegantemente distribuído” = tem um advérbio que não diz muito. Sugiro evitar uso. O mesmo vale para os adjetivos.

    4. Você fala de uma personagem. Mas se esqueceu de aspectos mais importantes do que a descrição física

    Qual a motivação do personagem?

    5. Se texto tem muito “telling” ao invés de “showing”.

    Abs

    • Ana Bourg says:

      Acho que você não sacou bem a intenção desse texto.
      Ele é a primeira parte de uma série. E ele tem um certo caráter metalinguístico. O objetivo do autor é falar de inspiração (e da musa) e da construção de um personagem.
      Ele descreveu-a fisicamente, lançou alguns aspectos da personalidade e deu-lhe um nome. É um começo. Depois, pouco a pouco, será elaborado o mundo de lápis e papel que existe ao redor dela e em função dela, pois ela é a protagonista e a própria inspiração do escritor.
      Além, acredito que é uma história que permitiria escrever uma história em que os universos do escritor/personagem e da musa/personagem misturam-se, talvez até mesmo confundindo-se com a realidade.
      _
      Claro que você tem todo o direito de apontar defeitos no texto, mas acho importante procurar conhecer o contexto.

      • Vitor Z says:

        Eu entendi o contexto. Por isso fiz a crítica.

        • ViniciusMaboni says:

          Bom Obrigado pelas dicas Vitor, mas quando escrevi a ultima coisa que me veio em mente foram os citados.
          Escrevo por escapismo, prazer e paixão, não por regras.

          Obrigado por ler, seus comentarios são sempre bem vindos.

  • HIOTO says:

    Quem diria que esse texto ia dar o que falar hein vini? Eu ainda prefiro o outro, como te dise, mas gosto desse também. Mantenho o que te disse – meio psicótico – mas não posso e ninguém pode negar a qualidade dessa obra.

    Mandou muito bem. Parabéns!

  • Um conto, quase um teaser… e virou um evento. Parabéns, Vinicius. Já começam a nascer ideias por aqui…

  • LuizLuna says:

    Esse foi o primeiro conto que me chamou atenção por aqui.
    Eu adoro esse nome, e apesar de dar nome ao meu blog, até pouco tempo nunca quis usá-lo para nada. Meio que por pensar que eu não tinha uma personagem boa ao suficiente para o nome.
    É estranho ver que você de certa forma foi pela mesma ideia. Por mais simples que seja, dá a impressão de que se tem mais por trás, nem que seja no autor. Acho que esse primeiro texto dá mais essa impressão que o segundo, apesar de haver gostado de ambos.
    Muito bom.

  • Evandro Furtado says:

    Escrever sobre o ato de escrever! Isso não é para qualquer um, camarada! Meus parabéns!

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