Dois belos cortes
Escritor: Rafael Padovan
Foram dois belos cortes, tenho que concordar.
Ela tentava levantar, sentiu-se um pouco tonta, era de se esperar. Pelo que tinha feito, era de se esperar.
Ela sabia muito bem o que estava executando enquanto fazia os cortes.
Caminhar era um pouco difícil, parecia que ela tinha dormido um bom tempo.
Ela alegou que foi por causa da pressão. Ela queria aliviar a pressão. Aliviou, mas foram outras coisas.
Depois de algum tempo tudo voltou ao normal, embora a sensação de pisar em ovos ainda estivesse presente.
A dúvida que permanecia era: Ela planejou tudo ou simplesmente aconteceu?
Ela estranhava um pouco o ambiente, nunca tinha estado lá ainda. Nunca tinha estado em nenhum lugar parecido com aquele.
Será que o plano dela era chamar a atenção de todos? Seria um plano arriscado.
Todos a olhavam, essa era a impressão dela.
Como ela chegou a este ponto? Era realmente necessário?
Voltou. Sentou-se. Sentiu-se tonta e deitou. Tudo estava quieto. Esse silêncio a deprimia.
De fato, ninguém realmente se importava com isso. Chamaram ajuda. A ajuda veio. Se não vêem o problema, ele não existe.
Voltou a dormir. Seria isso pelos próximos três dias. Nenhuma palavra em três dias.
- Sente-se bem?
- Não sei dizer ao certo.
- O que aconteceu?
Essa ficou sem resposta.
- Foi por pouco.
A resposta foi apenas um olhar.
- Era para ser mais?
Olhou novamente, levantou e saiu.
Ela não olhava para um espelho há alguns dias. Talvez um pouco mais.
O espelho era um problema. O espelho reflete.
- Já está pronta para ir?
- Não sei. Acho que sim.
- Quanto tempo faz?
- Muito.
- Teve visitas?
- Quem viria?
Ela arrumou suas coisas. Escutou que já estava na hora de ela ir. Pegou todas as suas coisas e decidiu ir. Foi embora com a roupa do corpo.
Ficaram surpresos pela atitude. Surpresos, não preocupados.
Ela voltou para sua casa. Vazia, empoeirada. Estava abandonada há algum tempo.
Tudo estava exatamente da mesma forma que ela tinha deixado antes. Entristeceu-se e deitou no sofá, por cima da poeira.
Muito tempo depois, levantou-se, pegou um copo de qualquer coisa e bebeu. Depois bebeu outro copo desse qualquer coisa. Depois outro. Depois outro. Foram muitos qualquer coisa, o suficiente para ela apagar por muito tempo.
O tempo era indecifrável na sua casa. Não tinham relógios, as janelas estavam sempre fechadas, nunca entrava nenhuma luz, nunca acendia nenhuma luz.
Muitas vezes ela não sabia se estava com os olhos abertos ou fechados. Ela achava melhor assim.
- Como você está?
- Estou bem.
- Alguma notícia?
- Nenhuma. Ela desapareceu.
- Já procuraram?
- Por que procuraríamos?
Todos os qualquer coisa já tinham terminado. Ela estava deitada em algum canto da casa. Em algum momento a campainha tocou.
- Por que você está aqui?
- Como você está?
Essa era sempre uma coisa difícil de responder.
- Você não dá notícias.
- Nunca dei notícias.
- Por que sempre essa escuridão?
Ela olhou em volta e não respondeu. Acendeu um abajur qualquer que tinha uma luz amarelada e fraca.
- Quanto você bebeu?
- Não sei dizer.
- Há quanto tempo você tem bebido?
- Por que você está aqui?
- Você não pode continuar assim.
Algumas horas depois ela acordou. Olhava para a escuridão e sentia-se bem.
Não sabia dizer se alguém tinha estado lá.
Não sabia dizer há quanto tempo estava com aquela roupa.
Lembrou que sua casa não tinha campainha.
Decidiu abrir a janela, achou melhor não. Decidiu acender uma luz mas, não conseguia levantar.
Sentia-se muito tonta.
Percebeu que seu corpo estava molhado de alguma coisa mas, não conseguia ver o que era.
Ela percebeu que suas mãos estavam muito molhadas.
Lembrou dos cortes, lembrou de tudo que bebeu. Lembrou de uma faca. Lembrou da dor. Desmaiou.
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Eu fiquei muito perdida, não entendi bem o que o texto quis passar.
Por que que ela sempre apagava, onde ela estava. Eu não consegui entender isso. No inicio pensei que ela estava em coma, depois que talvez ela estivesse morta, então gerou essa confusão pra mim.
Mas os próximos serão melhores, espero que tenha te ajudado.
Beijos.
Olá Thaina,
Eu acho que a resposta para sua confusão seria: não onde ela está, e sim por que ela está.
O texto não é simples. É um texto com alguns personagens e sem marcações, ou seja, cabe ao leitor desvendar o texto.
Talvez algumas questões que ajude seria: Pq ela bebe? Pq ela tentou se matar? .. é mais ou menos nesse caminho.
Cara o texto é legal, mas quero apontar algumas coisas: Primeiro tente usar mais o sujeito Oculto, você repete muito o ela, ela isso, ela aquilo, quer ver um exemplo:
-
“Foram dois belos cortes, tenho que concordar.
Ela tentava levantar, sentiu-se um pouco tonta, era de se esperar. Pelo que tinha feito, era de se esperar.
Ela sabia muito bem o que estava executando enquanto fazia os cortes.
Caminhar era um pouco difícil, parecia que ela tinha dormido um bom tempo.
Ela alegou que foi por causa da pressão. Ela queria aliviar a pressão. Aliviou, mas foram outras coisas.
Depois de algum tempo tudo voltou ao normal, embora a sensação de pisar em ovos ainda estivesse presente.
A dúvida que permanecia era: Ela planejou tudo ou simplesmente aconteceu?”
-
Agora leia de novo o trecho, mas desta forma:
-
“Foram dois belos cortes, tenho que concordar.
Ela tentava levantar, sentiu-se um pouco tonta, era de se esperar. Pelo que tinha feito, era de se esperar.
Sabia muito bem o que estava executando enquanto fazia os cortes.
Caminhar era um pouco difícil, parecia que tinha dormido um bom tempo.
Alegou que foi por causa da pressão. Ela queria aliviar a pressão. Aliviou, mas foram outras coisas.
Depois de algum tempo tudo voltou ao normal, embora a sensação de pisar em ovos ainda estivesse presente.
A dúvida que permanecia era: Ela planejou tudo ou simplesmente aconteceu?”
-
Viu, os “ela” não estão ali, mas você sabe de quem estamos falando, assim fica melhor de ler, pelo menos é a minha opinião.
-
Segundo tópico, os diálogos, incremente eles com descrições, desta forma podemos saber o que esta acontecendo enquanto eles estão conversando, isso deixa o leitor mais ligado no que esta acontecendo.
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No mais carinha, você tem o dom, basta aprimorar.
Olá JonesVG,
Muito obrigado pelo comentário, respeito muito sua opinião, bem analisado!
Quanto aos “Ela”, foi um recurso que utilizei, na verdade, este texto trás várias vozes e não apenas um narrador.
Sobre a falta de descrições nos diálogos, é intencional, a ideia é, exatamente, o leitor participar da história e desvendar quem é que fala.
Obrigado e até mais!
Rafael.
Ah beleza então Rafael, legal isso.