Menina má
Escritora: Magna de Souza
Junto àquele arbusto verde, de estranhas ramificações, jazia uma carta de sua amada morta. O verde singular havia sido plantado por ambos numa longínqua tarde de sorrisos e cumplicidade. Aquele era o seu templo, de dor, de amor, de lembranças e felicidade dolorosa.
Destrui-o sem o menor escrúpulo, arranquei a carta e depois de copiá-la, enterrei no mesmo lugar dantes profanado.
À cópia acrescentei linhas de deboche, e fiz com que chegasse às mãos dele. Vi-o desesperado, correndo ao amado templo. Com mãos de sangue revirava a terra numa ânsia dolorosa. Encontrou e observou minunciosamente o papel envolto em panos sujos, enquanto seus olhos passavam do delírio furioso ao alívio doloroso.
Pegou o que sobrou dos galhos e começou e replantá-los de onde os arranquei, e trabalhava com tamanha paciência e serenidade que me doía. Já não ne dominava o gozo infantil da destruição. Em seu lugar a culpa, a piedade, a solidariedade da dor, que agora era minha.
E ele continuava seu mister como se fosse o primeiro, o único, o último. E me respondia inocente as perguntas que lhe fazia a respeito da singularidade do arbusto. Meu fingido interesse, de início uma máscara permissiva de gozo da dor e destruição, agora vazias indagações de dois gumes que me apunhalavam. Sua dor era a minha dor, e era terrível, insuportável. Pensei em lhe confessar tudo, talvez o aliviasse, mas não tinha certeza se era dele ou meu o pretendido alívio.
Não confessei, enterrando em mim o meu sombrio segredo.
E me vi afundar na minha própria lama, no mais profundo pântano de mi’alma, a pisar com nojo horripilante e asqueroso sapos que se arvoravam em me devorar.
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nossa MUITO BOM !!!!
sinceramente um dos melhores e mais
bem escrito conto que ja vi por aqui.
Parabens nao tenho nada a comentar
o texto ta perfeito.