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Apr
12
2011

O Nebuloso Castelo de Cartas

Escritor: Dyego Alekssander Maas

(Estou começando a me dedicar à escrita e este é o meu primeiro conto)

Daniel contemplava o horizonte pensativo. Fazia já um bom tempo que ele sentia que havia algo profundamente errado consigo. Porém, após refletir – e refletir era algo que ele fazia muito nos últimos dias – começara a perceber que, qualquer que fosse o problema, não era apenas consigo, mas com todos à sua volta, com o mundo que o cercava. E ninguém mais parecia perceber.

Estava de pé, o ombro esquerdo escorado numa parede alaranjada que refletia maravilhosamente a luz do sol que se punha no horizonte e tingia o céu de um dourado radiante um tanto incomum, ou pelo menos assim lhe parecia. Tentava com insistência lembrar os momentos de sua vida que o conduziram a esses sentimentos.

Finalmente, lembrou-se de quando dera seus primeiros passos. Assistira a esse momento tantas vezes e a cada vez percebia com mais intensidade a perfeição do momento: “Foi ali, no meio da sala de estar, em sua casa. Todos que o amavam estavam presentes”, e era perfeito.

Lembrou-se de quando lera a mente de sua mãe pela primeira vez. Foi natural, simplesmente aconteceu, e eram pensamentos lindos. Não podia saber com certeza as palavras, mas podia compreender a essência. E era maravilhoso, pois todos podiam.

Ocorreu-lhe que nunca enfrentara dificuldades, e era difícil de acreditar que alguém as enfrentava. Todas as coisas eram fáceis e rápidas de se conseguir. Ninguém passava por privações ou dificuldades maiores, que não fossem facilmente transpostas. Cada instante era essencialmente bom. Nunca deixara de conseguir informações sobre um assunto de seu interesse. Bastava querer, e elas fluíam à sua volta. Era assim para todos. Fácil. Fácil demais. Perfeito demais. Será que tudo sempre fora assim, fácil?

Quis então aprender sobre sua origem, a origem da humanidade, que devia conter as respostas de que precisava, mas não havia nada, nenhuma referência, nenhuma pista que o ajudasse a entender o que havia de errado. Esse tipo de informação tinha de estar disponível a todos, em quantidade incomensurável. Todavia, não estava. Neste momento, milhares de questionamentos fluíram em sua mente. Alguém conhece a verdade? Alguém tenta escondê-la? Ninguém se importa? E, sobretudo, ela ainda existe, em algum lugar?

Não. Ninguém mais conhece essa verdade. Era algo importante demais para ser retido para si, pois certamente se espalharia, como um enxame. Ninguém neste mundo possui esse conhecimento e nem seria passível de possuí-lo. A humanidade abriu mão de sua história, e escolheu fazê-lo. Fora o único meio de recomeçar verdadeiramente, apagando os erros do passado em prol de um futuro brilhante, sem guerras, pobreza ou violência, ou motivos para que existam. Eis que a humanidade criara este admirável mundo novo.

“Percebo agora que não devo prosseguir, já fui longe demais. Insistir apenas ameaçaria derrubar este nebuloso castelo de cartas, magistralmente construído em base tão frágil. Devo corrigir meu erro.”. Este era seu derradeiro momento, e decidiu aproveitar a vista por mais alguns instantes.

Estava escorado em uma parede alaranjada, que pouco guardava de sua beleza, pois o sol já sumira há tempo, e a noite lutava para varrer os últimos rastros quentes do horizonte. A brisa batia forte em seu rosto e as nuvens construíam formas duvidosas no céu. Estava na beirada, no topo da torre mais alta que a vista podia alcançar.


Written by Dyego Alekssander Maas in: Agenda,Contos,Dyego Alekssander Maas |

3 Comments»

  • Thaina Gomes says:

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    Eu gostei do conto. Mas por que ele lia pensamentos? E que mundo novo é esse? E qual foi o erro dele? Não entendi bem isso.
    MAs tá bem pra um primeiro conto, os meus primeiros foram horríveis!

    • Dyego says:

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      Fico feliz que tenha gostado. Algumas coisas não ficaram claras porque o conto foi escrito para participar do concurso de contos das livrarias Curitiba em março, tendo limite de 3600 tokens.

      Respondendo sua pergunta, ler pensamentos é uma característica comum a todas as pessoas. Logo, ter percebido que a história foi erradicada para abrir caminho para esse novo mundo põe em risco esse novo sistema.

      Pretendo explorar melhor essa história no futuro.

  • Vinicius Maboni says:

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    Gostei do conto, da meneira como escreve e tals. Mas sugiro mais texto pra ideias complexas assim. É só minha humilde opnião, xD.

    Parabens e seja bem vindo ao ONE.

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