O sonho
Escritor: Gerson Crumbt
- Força! – ela gritava, desesperadamente – Não solte a minha mão! Não solte!
O suor escorria pelo seu rosto. O calor assava suas costas. Sentia a aspereza da montanha, ralando seus músculos, cortando-os. Deitada na pedra quente, à beira do precipício, segurava com força a mão dele, apertando-a, para que não caísse no abismo.
Olhava para baixo e não via o fundo, apenas a escuridão, o que aumentava seu terror. Ele encarava-a, com seus olhos azuis, frios como gelo, mas nada dizia. Segurava a mão dela e restringia-se a isso. Não fazia qualquer esforço para subir. O suor de ambos escorria entre as mãos, fazendo com que escorregassem.
Sob o sol escaldante, ela gritava apavorada:
- Não solte a minha mão! Não solte! Não caia! Não! Não vá!
Não se lembrava de como foram parar naquela montanha. E nem de como haviam chegado àquela situação. Por que ele estava ali, pendurado, à beira da morte, do desaparecimento? Ela chorava e gritava enquanto ele, para aumento da tensão e do pavor, se limitava a segurar sua mão. Levemente, como em um passeio pelo parque. A cara dele aparentemente, tranquila, quase a irritava. Não fosse o desespero, estaria louca de raiva. Tamanha indiferença a arrasava.
Resistir havia se tornado impossível. Seu braço não suportaria o peso dele por mais tempo.
- Eu não posso aguentar mais – disse ela, chorosa e ofegante.
Ele então soltou a mão dela. Abriu os dedos e se deixou cair, sem mudar a expressão, enquanto ela embarcava num choro convulsivo. Viu-o sumir nas trevas do abismo… e acordou, soluçando como criança.
Havia perdido as contas de quantas vezes esse pesadelo havia se repetido. Mas no último ano estava cada vez mais frequente. Sempre acordava suada e assustada, e, na marioria das vezes, chorando. Tateava os lençóis, em busca de um braço, um perna, que denunciassem a presença dele. E, quando achava, agarrava-se, colava o ouvido ao seu peito ou costas e certificava-se de que respirava. A oscilação suave e o ronco baixo e leve tranquilizavam-na e faziam com que adormecesse de novo.
Quanto a ele, mal se mexia. Por mais que ela o abraçasse e chorasse, que secasse as lágrimas no corpo dele, suas reações não passavam de um ligeiro resmungo ou uma coçada. Nada mais.
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Já é um escritor Gerson,escreve muito bem mesmo!!^^
Coitada, sei bem o que é ter um pesadelo recorrente… Adorei o texto, parabéns.
Obrigado!
Muito bom texto Gerson, só assim procure evitar palavras muito repetidas e mais, tente usar mais o Sujeito Oculto, este é o grande mal que vejo entre os novos escritores, não só você mas muitos outros. Vamos a um exemplo:
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“Resistir havia se tornado impossível. Seu braço não suportaria o peso dele por mais tempo.
- Eu não posso aguentar mais – disse ela, chorosa e ofegante.” Na minha opinião ficaria muito mais fluido se fosse:
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“Resistir havia se tornado impossível. Seu braço não suportaria o peso por mais tempo.
- Eu não posso aguentar mais – disse, chorosa e ofegante.”
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Note que mesmo não tendo os ela e o dele ainda compreendemos o que você esta tentando falar.
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No mais esta muito bom, estou indicando este texto na Roda de Escritores esta semana.
Valeu, pelas dicas, Jones! E agradeço a indicação.