Paper and Scissor
Escritora: Daniele Sant’ Helena
Os dois sempre eram deixados próximos, sobre a escrivaninha. Um dia, o papel percebeu que estava apaixonado pela tesoura, sempre com seu brilho prateado e o barulho delicado que fazia abrindo e fechando-se. Não importava quantas canetas, lápis ou borrachas passavam por sua superfície, ele queria apenas a tesoura.
Quando se aproximou dela, percebeu que era muito mais magnífica de perto. Toda ela era prateada, à exceção da parte de dentro de suas lâminas, que eram negras. O papel não conseguiu deixar de se sentir ainda mais atraído por ela.
Durante muito tempo, a tesoura ficava por sobre o papel, em repouso. Dias e noites quentes, dias e noites frios, parecia que nada poderia separá-los. Exceto eles mesmos.
O papel percebeu que, sempre que a tesoura se aproximava, era para cortá-lo. Cortes e mais cortes em sua superfície branca, mas nunca o manchando. Alguns cortes eram tão finos que nem eram perceptíveis, outros tão largos que o pobre papel sentia como se fosse desaparecer.
Mas um dia, o papel percebeu que não tinha porque se sentir triste. A tesoura havia lhe moldado, deixando-o com vários desenhos delicados e criativos. Olhou para ela, sobre a escrivaninha.
Estava enferrujada, as lâminas sem fio, o prateado sem brilho refletia em apenas algumas partes. Ela estava acabada. O papel não conseguia encarar aquela imagem. Sua amada estava em seus últimos momentos. Sentiu vontade de chorar.
Mas papéis não choram.
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bonitinho ^^. “Mas papéis não choram.” é a melhor parte heuhei..
Comecei achando apenas bonitinho, mas acabei realmente gostando do texto, da metáfora sutil… no final, depois de moldado pela tesoura, o papel vai deixá-la…