Quando os Anjos viram Demônios – Capítulo 1
Escritora: Kariny Aciole

Quão ridiculamente simples seria lhes causar dano. Seus olhos brilhavam e seus lábios rubros exibiram um sorriso malicioso.
Das alturas, seus olhos negrosinsondáveis, observavam como aquele estúpido caminhava na rua sombria e ao seu lado uma mulher que nem imaginava o que estava para acontecer. O homem estava tão absorto em seu flerte, que não teria oportunidade de defender-se de algum dano se fosse surpreendido por alguma ameaça. Embora os olhos que os observavam sabiam que a verdadeira ameaça estava por vir. Uma aura vermelha os envolvia, era quase como se um encanto tivesse sido lançado deixando a mulher alheia a tudo e todos.
Um pensamento cortou a sua mente ao perceber que aquela mulher que estava agora sob o domínio de um predador poderia ser ela própria antes de descobrir o que realmente era.
Como nos deixamos enganar apenas por uma bela aparência ou por um sorriso acolhedor. Ele deve ter dito coisas lindas, sempre agia assim, saciando a fome de um coração ferido ou elevando aos céus uma pobre garota iludida com a vida.
Meramente um homem? Um bom coração samaritano? Não! Na verdade por debaixo da pele de homem havia outra coisa que passava longe da bondade.
Ao perceber que a mulher tinha feito uma péssima escolha, em sua opinião. Pois nenhum homem que prezasse pela segurança de sua companheira e que fosse respeitável teria animado sua companhia a aventurar-se naquele lugar. Mas como culpar a inocência humana se até mesmo Heyren, em suas diversas vidas foi enganada por um sorriso ou gesto carinhoso. Como aquela mulher poderia saber que em alguns instantes seria mais uma na lista de desaparecidas?
A rua pela qual caminhavam era notoriamente de má reputação. Sombras aterrorizantes ocultavam ameaças desconhecidas para os sentidos humanos, como nuvens ocultavam a luz volúvel da lua sedutora. O casal caminhou abaixo dela, sem imaginar que eram observados.
Já fazia três anos que isso acontecia. Mesmo procedimento. Uma bela mulher de não mais que vinte anos, sozinha e facilmente manipulável. Garçonetes de clubes de quinta categoria, prostitutas e viciadas. Ele as seduzida e depois desaparecia no ar voltando a atacar tempos depois. Surge então como príncipe encantado, faz juras de amor eterno e após algumas semanas de namoro às leva para aquele lugar.
Quando pararam diante de um clube noturno e adentraram. Heyren saltou para o telhado e fechou os olhos brevemente. Estava sozinha,sem apoio desta vez e não poderia falhar. Caminhando furtivamente, percebeu que podia entrar através de uma janela na lateral do prédio e como uma felina desceu as escadas de incêndio sem fazer barulho.
A janela estava aberta. O som de batidas eletrônicas vindo do interior do clube serviria para abafar os tiros, pensou ela. Vestida de negro dos pés a cabeça, colocou a máscara de seda que escondia sua face, tocou o volume que carregava nas costas, enrolado em um tecido parecia um bastão ou outro objeto. Adentrou em um único pulo e que como era de costume seus sentidos tornavam-se mais aguçados. Foi até a porta e a abriu sem medo. Notou que estava em um corredor onde luzes nas paredes vermelhas incomodavam seus olhos.
Brilhando em um tom alaranjado parecia recordar-lhe algo. Em instantes sua mente era levada a outro lugar. Tochas iluminavam seu caminho, sentia dor em seu peito, o sabor do sangue em sua boca, seus olhos ardiam, lágrimas rolavam silenciosamente, até que se sentindo tonta, começou a cambalear.
Sentiu que alguém a carregava. Seus olhos não conseguiam enxergar direito, sentiu seu corpo aquecer em quanto uma voz máscula invadia seus ouvidos falando em língua que parecia familiar, mas a dor que atingia seu corpo não permitia-lhe compreender.
De repente uma forte luz a encobria e por segundos pode ver uma face e olhos de verde intenso que a olhavam em um misto de carinho e tristeza. Depois o som de uma explosão ecoava por toda parte. Sua cabeça doía fortemente o que lhe trouxe de volta a realidade foi um grito feminino.
Não havia tempo para se deixar levar por aquela visão. Elas se tornavam cada vez mais reais à medida que o tempo passava. Muitas vezes ficava imersa nelas por horas e isso atrapalhava profundamente suas missões. Por isso achou que agir sozinha seria melhor do que colocar seus aliados em risco. Enquanto buscava o local de onde o grito tinha vindo sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
Fechando os olhos pode ver claramente uma linha vermelha que aos olhos de outras pessoas seria invisível. Seguia a linha pelo corredor e após alguns segundos parou diante de uma porta que emanava uma energia rubra.
Sem hesitar, derrubou a porta com um único chute. Deitada sob a cama com uma feição de horror a mulher tinha a boca tapada por uma das mãos dele. Exibindo sua forma verdadeira diante de sua vitima, parecia diverti-se ao saborear o medo dela.
Heyren puxou as duas pistolas com rapidez, como se elas sempre estivessem estado em suas mãos. Ele exibiu um sorriso sombrio mostrando os dentes serrilhados. Saindo de cima de sua vitima que por sua vez parecia paralisada de medo.
-Não imaginei que teria uma sobremesa!
A voz dele não era humana. Os olhos amarelos brilhavam na semi-escuridão do quarto, pequenos chifres saiam de sua fronte e o odor de enxofre inebriava o ar. Ela não queria perder tempo conversando, queria apenas por fim aquilo e ir para casa.
Ele investiu contra Heyren, exibindo suas garras e presas com voracidade. Sem dificuldades ela esquivou-se do ataque e abriu um sorriso cínico. A criatura urrou irritada. Se ela fosse uma iniciante o som teria a paralisado deixando-a a mercê dele, mas a experiência e as cicatrizes a fizeram mais forte.
Heyren atirou nele, causando-lhe ferimentos dolorosos, pois as balas continham em seu interior água benta que ao penetrar a pele liberava o liquido queimando de dentro para fora. Uma criação de seu colega David. Foi em quanto ele urrava e gemia de dor, que mais uma vez um flash lhe retirava da realidade. Viu-se diante de um campo de guerra, vários soldados que ostentavam em suas armaduras o símbolo dos templários se digladiavam contra criaturas horrendas e demoníacas. Olhando para céu pode ver um ser translúcido, usando vestimentas brancas e exibindo quatro asas que lembravam a penugem das águias, ele observava o combate atentamente. Por instantes os olhos de Heyren e do ser alado se cruzaram. Foi como se ele penetra-se sua mente, pode ouvir uma voz gentil e sentiu uma sensação acolhedora, erguendo uma das mãos ela desejou desesperadamente alcançá-lo. Quando deu por si Heyren estava mais uma vez no quarto e o demônio estava prestes a atacar-lhe.
Mas antes mesmo que esboçasse uma ação o som de tiros cortava o ar. Ao redor da do demônio uma aura dourada surgia, a dor estava estampada na face distorcida dele. O som de uma espécie de oração ecoava no quarto e por fim a criatura fragmentava-se diante dos olhos de Heyren. A mulher na cama acordava lentamente. Pela porta passavam Joe Caruso empunhando duas pistolas douradas, que batizou carinhosamente de beijos de anjos, e Emily Granthys uma espécie de feiticeira moderna. Dois caçadores que pertenciam ao mesmo grupo de Heyren.
Ela não exibiu sorriso algum ao vê-los, mas internamente sentia-se aliviada por terem chegado. A mulher ficou assustada, parecia sair de um transe e quando olhou em volta o medo lhe encheu os pulmões de horror e traduzia isso em um grito estridente. Emily apenas sussurrou palavras que não podiam ser compreendidas por pessoas comuns e seus olhos de verde tênue ganhavam um leve brilho. Em seguida a mulher adormecia e em sua mente sonhos gentis eram desenhados. Os três se entre olharam. O local agora repousava em um silêncio mórbido.
Heyren saiu do quarto sem dizer nada. Mesmo não executado a tarefa sozinha estava satisfeita em saber que aquele ser estava aprisionado agora. Ao chegar do lado de fora viu dois furgões parados, um deles de entrega de pizzas e o outro da companhia de eletricidade. Estava tão brava que não percebeu o quanto seus olhos brilhavam e seu corpo exibia um brilho levemente azulado, abriu a porta do furgão de pizzas esperando encontrar Calebe, mas quem a recebeu foi o simpático David que acabava de falar ao telefone. Ele percebeu a leve aura azulada no corpo de Heyren. De alguma forma sabia que a jovem colega não era uma pessoa que estava nisso só pelo fato de possuir habilidades especiais, havia mais algum motivo que fazia dela uma das caçadoras mais fortes do grupo de Calebe.
Especialista em coisas tecnológicas, criador de algumas armas, o habilidoso David era o cérebro do daquela equipe. Com apenas vinte e seis anos já tinha passado por maus bocados em sua vida. Descobriu desde cedo que o mundo é muito mais do que podemos ver ou sentir. Existem coisas perigosas demais e poucas pessoas compreenderiam o que o trabalho dele significa. Alto, de boa constituição, cabelos castanhos compridos e feição inocente, com olhos de um castanho amendoado, tímido e avido devorador de chocolates.
O jovem esboçou um sorriso franco e ofereceu um chocolate a Heyren, não aceitou, pois estava pensativa demais. Aquelas visões eram confusas e agora ocorriam com muito mais frequência. Se continuarem assim poderá ter sérios problemas. Minutos depois, mãos grandes e dedos grossos abriam a porta do furgão enquanto David degustava seu chocolate. Joe era atlético, e com uma fisionomia marcante. Olhos azuis intensos, lábios bem feitos, cabelos negros com um corte desfiado e moderno, fazia sucesso com as mulheres, mas nunca se entregava a paixão. Até onde se sabia era filho de um Italiano com uma Inglesinha inocente foi fruto de uma relação extraconjugal que parecia não ter acabado bem. Havia nele uma mistura do velho ar aristocrático Inglês e a personalidade sensual que muitos Italianos tinham a fama de possuir. Ele deu a partida e o veiculo começava a se mover.
Emily, era silenciosa por natureza, nunca falava mais do que achasse necessário. Irlandesa, tinha feito faculdade de arqueologia passou quase quatro trabalhando em um sitio arqueológico no Egito. Quando regressou não era mais a mesma pessoa, algo nela havia mudado para sempre. Dizem que teve contato com forças ocultas ou que encontrou um artefato antigo. Os cabelos cacheados são vermelhos, olhos verdes e corpo bem feito que já teriam seduzido Calebe, mas ninguém sabe confirmar se até mesmo Emily teria dormido com ele.
Este era o grupo com quem Heyren atuava com frequência, há quase cinco anos, mas de quatro meses para cá tinha buscado por todos os meios agir sozinha. Eles tinham um nome, eram conhecidos como “Caçadores”. O líder deste grupo é o misterioso Calebe Stormfield um homem excêntrico, estudioso do oculto e colecionador de obras de arte. Ele era o pilar que mantinha tudo funcionando.
David por sua vez olhava todos e resolveu puxar conversa para passarem o tempo.
-Uma missão simples colegas e sem problemas não é mesmo? David falava com um tom bem humorado, mas apenas Joe prestou atenção à pergunta.
-Simples?! Não me faça bater em você garoto escroto! Joe retribuía no mesmo tom bem humorado.
Heyren olhou para Joe por alguns segundos e teve a atenção desviada para janela. Olhando as ruas por onde passavam, podia jurar que as sombras se moviam de forma estranha. Pode ouvir alguém a chamando, foi nesse instante que a chuva começou a cair violentamente. O que era estranho, pois não havia sido noticiado que aquela seria uma noite chuvosa.
-Por quanto tempo procurávamos esse demoniozinho filho da mãe Heyren?
Joe perguntava, esperando que dessa vez ela não o ignorasse. Havia certa tensão entre ambos fazia algum tempo. Joe tinha seus trinta anos, sempre foi muito cético em relação a tantas coisas e especialmente em relação a amor, mas há algum tempo sentia-se inclinado a acreditar que Heyren despertava nele um sentimento que não era meramente paixão, mas que não podia definir exatamente o que era. Quando ouviu a voz de Joe sentiu vontade de ignorá-lo. Mas não podia continuar agir assim. Era verdade que há dois meses trocaram um beijo quando Joe a deixou em casa, foram verificar um velho casarão ao sul de Londres onde tinha sido detectadas a presença de espíritos e como sempre não foi algo fácil de lidar.
Seres assim podem causar muito mais dor a seu psicológico do muitos possam entender. Justamente nesta missão Heyren teve mais uma de suas visões e acabou necessitando da proteção de Joe. Talvez, por ter ficado fragilizada emocionalmente acabou se deixando levar pelo momento. Quando estavam na casa dela o beijo fluiu e logo estavam na cama. Por algum motivo não conseguiu ir adiante e isso deixou Joe confuso. Ele achou que a culpa foi dele de terem chegado a aquela situação ou que de certo modo havia se aproveitado da fragilidade dela naquele momento.
A voz aveludada de Heyren saiu quase como um sussurro e sem que percebesse ficou corada.
_ Três anos.O primeiro caso foi aquela prostitua que trabalhava no Clube Kiss Me naquele complexo de bares chiques, mas como estava aqui ilegalmente os patrões não informaram nada, então aquele amigo gay dela resolveu ir à delegacia, mas ninguém deu ouvido. Dias depois ele deu entrada em coma no hospital geral Sant Ana com uma estranha marca no peito. Isso chamou atenção de uns contatos de Calebe. Perceberam que as garotas seguiam um mesmo perfil. Sempre eram ligadas a clubes ou bares classe A ou B,exercendo funções que iam de garçonetes a prostitutase o resto vocês já sabem.
Joe levantou uma sobrancelha sem acreditar que ela corou. David ouvia a resposta explicativa. Emily continuava a escrever silenciosamente.
Após a resposta dela a chuva parecia ter ficado ainda mais forte exigindo maior atenção de Joe. O silêncio tomou conta do ar.
O veiculo seguia seu caminho. Após uma hora eles chegaram ao seu destino. Um casarão antigo no alto de uma colina, em um bairro de classe alta em Londres.
Emily falou secamente:
-Essa chuva não me parece comum! – Saiu do carro rapidamente em direção à porta-
David, Joe e Heyren entre olharam-se e saíram. Caminharm em direção à porta de entrada toda entalhada, o imóvel exalava poder e mistério. Ao longe o som de trovões fazia o coração de Heyren acelerar.
Antes que batessem a porta, esta se abriu. A figura delicada de uma mulher de cabelos negros, corpo escultural e feição jovem surgia diante deles.
Com a voz doce, pediu para que eles entrassem e um pensamento era compartilhado pelos colegas. Que aquela mulher seria mais uma das que faziam parte do haren pessoal de Calebe. Foram conduzidos até um salão oval, ricamente ornamentado e com poltronas de veludo vermelho. Uma lareira trazia calor ao ambiente. A mulher que abrira a porta pediu para uma empregada trazer toalhas e algo quente para que eles bebessem. Após a empregada trazer o que fora pedido a mulher se retirou deixando- os sozinhos no imenso salão. Joe enxugou os cabelos e corpo embora o que desejasse naquele momento fosse estar em sua casa. David aproximou-se da lareira tentando se aquecer e Emily fez o mesmo.
Heyren ficou de pé no meio do salão com um olhar distante e frio.
Após alguns minutos passos firmes quebravam o silêncio. Um homem aparentado seus trinta anos, pele levemente bronzeada, boa constituição física e uma fisionomia que recordava os homens do oriente médio surgia diante deles. Sua beleza exótica, cabelos e olhos negros conferiam a ele um ar de sedução e mistério. Trajando um terno negro e uma gravata vermelha de seda lhe davam os toques finais. Aquele era um homem de poder e diante deles seus subordinados.
Joe apenas falou com um ar malicioso.
_Calebe bela aquisição a morena que abriu a porta. Realmente temos que trocar informações de onde encomenda essas belezas.
Calebe exibiu um sorriso e respondeu com a voz aveludada que possuía.
_Quem sabe um dia eu diga a você onde as encomendo. Mas nosso assunto é outro. Cumpriram sua missão adequadamente pelo que percebo.
Heyren sentiu um breve incomodo ao perceber o interesse de Joe na mulher. Emily deu alguns passos em direção a Calebe entregando a ele um frasco pequeno onde uma luz avermelhada podia ser vista. Ele guardou o objeto no bolso e em seguida puxou quatro talões de cheque e entregou a Emily que por sua vez deu a cada colega presente um dos xeques. Emily já começava a caminhar em direção a saída, mas antes ela falou algo:
- Tenham cuidado. Sinto que algo esta para acontecer, mas não sei ao certo quando. Fiquem de olhos abertos e se algo acontecer não façam nada sozinhos.
Sempre falando por enigmas. Emily retirava-se sem olhar para trás. Mas era assim que demonstrava seu zelo pelos membros de sua equipe, mas era retraída demais para demonstrar isso abertamente.
Eles viram Emily ir embora, restando agora Joe, David, Heyren e Calebe. Este último por sua vez exibiu um olhar indecifrável aos demais. David, falou que verificaria se houve alguma atividade suspeita naquela noite e avisaria se achasse algo suspeito. Foi embora se despedindo de todos. Calebe olhou para Heyren e exibiu um sorriso convidativo, mas como era de costume ela ia embora sem ao menos dizer até logo. Não gostava de Calebe, mas como ele era o único que poderia decifrar o que Heyren era, tinha que continuar trabalhando para ele até ter suas perguntas respondidas.
Joe percebeu os olhos de Calebe fixos em Heyren. Isso o deixou incomodado, mas não demonstrou nada. Já ia embora quando ela pediu que lhe desse uma carona. Parecia satisfeito com o pedido. Abriu um sorriso. Ambos caminharam em direção à porta, uma moto esporte de cor preta já estava na frente do casarão. Calebe surgiu atrás deles e fez a proposta:
- Não preferem ficar aqui esta noite. É perigoso sair de moto com uma chuva destas!
Calebe sorria de forma hospitaleira, mas Heyren respondeu pelos dois.
-Não existe perigo maior do que aqueles que enfrentamos nesse serviço. Quero ir embora! – A resposta foi ríspida sem qualquer consideração-
Joe olhou para ela e sentia-se satisfeito pela negativa dada a Calebe. Que pareceu frustrado, mas não disse nada. Eles saíram dali rapidamente. A chuva continuava forte, mas a destreza de Joe era maior. Porem mesmo ele sentia que continuar na chuva não era muito inteligente. Por isso disse a ela que deveriam ir a casa dele por ser mais perto do que a dela.
E assim que a chuva diminuísse, ele a levaria para casa. Heyren hesitou, mas sabia que aquilo era melhor do que aceitar a hospitalidade de Calebe. Ao chegarem a um bairro industrial Joe levou Heyren para um prédio antigo, de dois andares. Que na década de cinquenta era uma fabrica têxtil. Externamente parecia um lugar pouco convidativo, mas quando adentraram Heyren ficou surpresa.
O local fora reformando, seu interior era amplo. No térreo havia um carro esporte que estava sendo reformado, alguns armários metálicos nas paredes e havia uma mesa com alguns copos e uma garrafa de bebida pela metade. Guiada por ele, começaram a subir os degraus que levavam ao primeiro andar. Conversaram sobre coisas corriqueiras em quanto subiam as escadas. Repentinamente Heyren sentiu-se tonta, os braços de Joe a enlaçaram com carinho. O breve toque entre eles fez o coração dela disparar. Quando chegaram ao primeiro andar, uma sala ampla com moveis modernos, um bar em L e uma prateleira com vários livros tornavam o local arrojado e convidativo.
Ela sentou-se no espaçoso sofá. Estava cansada mentalmente, sua vida não era simples como gostaria. Sempre soube que não era uma garota comum e agora aos vinte e dois anos não conseguia ter esperanças de um dia ter uma vida calma. Joe a observava lembrando-se da primeira vez que a viu.
Calebe pediu para que fosse a buscar no abrigo juvenil. Inicialmente não entendeu o porquê de necessitarem de uma adolescente, mas quando a encontrou de certa forma compreendeu.
Havia algo nos olhos dela que faziam você desejar protege-la e ao mesmo tempo parecia exalar uma força incomum para uma jovem. Os cabelos negros ondulados lhe caiam como um véu até a cintura. Os olhos de azul acinzentado pareciam esconder tantos mistérios, os lábios bem feitos e o corpo desabrochando como uma flor exótica. Realmente ela era fascinante. Quando participou de sua primeira missão não demonstrou medo ou duvida. Diziam que a garota era habilidosa tanto com armas brancas quanto com armas de fogo. Foi nessa época que Calebe resolveu que Heyren seria membro do grupo formado por Joe, David e Emily.
Quando Joe acabou de preparar chá para Heyren foi até o sofá sentando-se do lado dela.
Distraída em seus pensamentos não percebeu a presença dele. Após sentir o toque de seus dedos em sua face, ela o olhou nos olhos sentindo-se corar violentamente.
-Beba um pouco isso Vai aquecer você. – A voz dele soava preocupada-
Ele ofereceu chá de canela. O liquido descia quente em sua garganta causando uma sensação agradável em seu corpo. Ela solvia devagar.
- É melhor tomar um banho quente. Pelo que vejo essa chuva não vai parar nem tão cedo. Fique aqui essa noite. Você dorme em dos quartos e amanhã você pode ir se quiser.
O convite era feito sem segundas intenções ela percebeu isso pelo tom de voz dele. Com tempo passou a perceber quando as pessoas mentiam ou diziam verdade.
-Aceito o convite para ficar e o banho Joe. –Ela respondia com suavidade-
Após tomar banho sentiu-se renovada. Ele ofereceu o próprio quarto já que este estava bem mais arrumado que outro, que mais parecia um deposito. Ele arrumou o sofá e deitou nele após verificar que ela dormia. Heyren começava a sonhar. Via-se em um campo cheio de rosas brancas, parecia feliz e sentia-se tão livre. O sol e as nuvens eram uma visão agradável aos olhos, ela começou a colher algumas rosas até que sem querer feriu o dedo nos espinhos de uma delas. A gota de sangue caiu manchando uma rosa e depois todo o campo parecia estar vermelho.
Ela sentiu o pavor tomar seu coração. O céu estava escuro e raivoso. Ela via inúmeros seres alados combatendo nos céus. Sem poder acreditar no que via. Eram anjos! Exclamou mentalmente. Paralisada de medo não conseguia se mover. Diante dela dois anjos surgiam portando lanças flamejantes, o medo tomou conta dela. Havia ódio no ar e o cheiro de enxofre lhe feria as narinas.
Queria gritar. Porque a odiavam tanto? Diante de seus olhos ela viu um grande anjo com quatro asas enegrecidas. Parecia um mensageiro da morte. A pele muito branca, os cabelos lisos e negros como uma mortalha, seus olhos pareciam uma noite sem estrelas, mas havia uma beleza celeste nele. Ele parecia não odiá-la havia um sentimento indecifrável em sua feição sobrenatural. Antes mesmo que as lanças flamejantes lhe devorassem a carne ela acordava aos gritos. Joe foi até o quarto, sentiu um calafrio ao olhar que na cabeira da cama uma sombra estranha se desfazia diante de seus olhos.
Heyren ainda abriu os olhos assustada, sentiu abraço protetor dele envolvendo seu corpo e chorou demoradamente. Após algum tempo Joe ligou para David informando o que houve, o jovem disse que iria buscar informações sobre o que poderia ser a sombra que Joe viu. Heyren não queria mais dormir. Ambos sentaram-se no sofá e sem que ele esperasse ela deitou a cabeça em seu colo como se fosse uma menininha em busca de proteção.
A muralha que a cercava ruía diante de Joe. Ela começou a falar suavemente.
-Eu não me importo com o dinheiro. Na verdade não ligo a mínima para coisas materiais tudo que eu quero é descobrir o que sou. Sou uma aberração Joe. Mesmo sem jamais ter conhecido minha mãe eu sei quem ela era e o que houve com ela. Consigo recordar de coisas que não sei se realmente aconteceram ou não. Talvez esteja louca!
Era como se pudesse recordar parte á parte todos os eventos que a levaram aquele momento…
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Gostei muito Dona Loba!
Tem erros mas nada que diminua minha curiosidade.
Agradeço o comentário, mas tenho muito para melhorar.
Magnífico conto Kariny !
Bloody kisses!!!!!
Obrigada por ter gastado seu tempo para fazer um comentário.
Alegra-me saber que alguns se dão ao trabalho de ler meu humilde escrito.
Cara, um conto que fala muito minha lingua…
Curto essa temática e aqui no ONE tem muita gente FODA!!!!
Tem que ter continuação menina
Valeu menino!
ONE REALMENTE É FODA xD
Hehe.. legal que pensam isso!
Mas de fato o ONE é mais que isso(ONE MUITO FODA!!!!) é um espaço livre para divulgarmos nossos escritos.
Não sou profissional e sei que ainda tenho muito a melhorar, mas aqui me sinto bem recebida sempre!
Gostei da imagem do Conto ficou massa xD
O one é fodásticamente foda! Eu adoro esse lugar e ainda não me imagino sem ele, seria como não ser mais completa.
Minha Lobinha,ficou muito massa e espero que você continue esse moçinha xD
Fico sem graça assim meninooooo xD
Menina,teu conto é bem bacanudo xD
Tem coisinhas que podem melhorar mas mesmo assim achei BACANUDO!!!
valeu por achar que é BACANUDO xD
Gostei muito de seu conto.
Parabéns.
Valeuuuuuuuu XD
Kariny, que legal teu conto!
Interesei-me muito!!!!!
Vai ter continuação?
Se depender de mim vai ter sim moça ^^
Você continua enigmática Loba.
Devoro cada conto seu com prazer infinito!
Sempre serei teu fiel servo =)
Nossa tenho um FÃ HUAHUAHUAHUHUAHUAHUA
Obg por comentar xD
Realmente curti muito!
Mais uma vez você sabe como descrever as cenas e a temática que tá usando é bem bacana.
Aguardando continuação.
Continuação né xD
Aguarde que vai ter menino^^
Até o momento foi o seu escrito que mais gostei.
Um dos melhores que li, no meu pouco tempo de visitação no ONE.
Vou regressar para ler uma continuação
Estou honrada em receber seu comentário garota.
Vai ter uma continuação, mas como já disse antes tenho muito a melhorar xD
Belo conto Loba, admiro muito histórias com essa imagem ocultista e temática obscura… Tens todo o meu prestígio
Estou honrada por você ter lido e espero que volte a passear pelos meus humildes escritos.
Elogiando ou fazendo críticas
Este CONTO foi um dos maiores que li.
Fiquei meio angustiado em quanto lia, pois é possível sentir a loucura que se instaura com Heyren.
Inicialmente achei que seria uma melda sua tentativa de escrever sobre o tema, muita gente faz melda quando escreve sobre isso, mas por algum motivo começou a instigar minha imaginação.
Visualizei Heyren e gostei do que vi e como minha mãe costuma dizer:
Desse mato sai coelho!
Aguardo a continuação Madame Kariny
OBG POR COMENTAR xD
Aguarde a continuação Monster^^
Nossa Loba, o que é isso?? A temática é de meu total agrado, e por deus, olha como tu escrevestes! A narração está suave e cuidadosa, e a escolha das palavras resultou em um primor obscuro de história! Adorei, Lobinha!
Samila_Sama (olhos brilhantes em total devoção a Samila)
Obrigada, muito gentil de sua parte elogiar meu humilde escrito vindo de você sensei é quase como morrer e acordar em um paraíso literário delicioso.
Obrigadíssima
Concordo com a Samila, li o outro conto seu, mas esse aqui foi mais bem escrito e é suave, mas com forte teor sombrio.
Quero ver até onde sua imaginação pode nos levar.
OBG POR COMENTAR
Adorei a sua história. Está espectacular. Ainda por cima é daquelas pessoas que escreve bem. Adoro a sua escrita. É muito evoluido. Tambem estou a escrever um livro sobre vampiros mas nao sei se publico. Adorei. Parabéns
Agradeço seu comentário e fico extremamente feliz por ter gostado.
E aguarde a continuação xD
Menino deixa de bobagem publica e você vai adorar quando começarem a comentar e dar boas dicas de como melhorar.
Eu vou adorar ler teus escritos.
“Sem hesitar, derrubou a porta com um único chute. Deitada sob a cama com uma feição de horror a mulher tinha a boca tapada por uma das mãos dele. Exibindo sua forma verdadeira diante de sua vitima, parecia diverti-se ao saborear o medo dela.”
Sua história começa aqui. Sugiro cortar o resto.
Obrigadíssima por comentar e sua dica de onde começar esse conto é bacana.
Tia, eu não sei como você te o descaramento de falar que seu texto é humilde! E quero dizer que eu adorei o David, e a estória que está se formando é muito atrativa. vou devorar cada capítulo!
Descaramento? Eu não escrevo tão maravilhosamente como gostaria, mas agradeço por seu comentário.
Princesa Dos Campos Celestes que tem a beleza de todo um universo de sonhos.
David é especial para mim e você poderá se surpreender com ele minha amiguinha.
Mas tia você é muito muito muito boa mesmo!
Quero só ver o que o David vai aprontar!
Então aguarde a continuação Princesa xD
Nossa, sou um ávido leitor de literatura sobrenatural, e escrevo amadoramente contos e roteiros para quadrinhos. E por isso curti sua estória. Virei seu fã após visualizar como seria Heyren e por isso vou reaparecer por essas bandas quando sair à continuação.
Gostei do One
Obrigada senhor dos sonhos xD
Volte sempre ao ONE
Nossa Dona Loba! Adorei o ritmo de sua estória! É como um filme de mistério/ação, muito bem contado. A temática também é maravilhosa, adoro esses contos mais darkz
Parabéns, fodástico *-*
Asami_Sama
Sua maravilhosa presença aqui deixa-me muito feliz.
Obrigada pelos elogios