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Apr
27
2011

Só um Relato

Escritor: Matheus A. Francisco

Muitos me perguntam: como conseguiu essa fortuna toda, Paulo?

Aí eu sempre respondo: era um dia frio e nublado. Estava passando férias em casa de primos de segundo grau, lá pela minha adolescência. A propriedade ficava no meio de uma mata densa, uma verdadeira floresta e só havias mais umas três ou quatro casas, distantes umas das outras, naquela área toda.

Sem ter o que fazer naquela época onde apenas existia televisão em preto e branco, saí para caminhar pela floresta, divagando em pensamentos sobre um futuro promissor em alguma coisa. Caminhei e caminhei até que vi uma coisa verde num canto. Mexia-se de um jeito estranho e parecia, de forma desajeitada, se esconder de mim se enfurnando na vegetação rasteira.

Pensei em ir embora ou passar ao largo, porém a curiosidade foi maior, então fui me aproximando lentamente. Nesse instante eu ouvi um grito: sabedoria! Dei um pulo, assustado, e olhei ao redor. Se aquilo tivesse ocorrido hoje eu provavelmente teria dito: Ih, caramba! É o Bilu!

Mas não existia Bilu naquela época. De qualquer modo, pude avistar algumas pessoas usando roupas estranhas e conversando de forma elegante. Parecia que encenavam uma peça de teatro. As perucas brancas que alguns dos homens do grupo usavam confirmaram isso.

Fiquei quieto até o grupo se afastar e só então voltei a me aproximar da coisa verde. Por fim pude ver que era apenas um sapo à toa. Sem ter o que fazer, segui pelo rastro deixando pelos atores e fiquei sempre alguns metros atrás deles, seguindo-os.

Em um momento eles pararam, ficaram conversando baixinho e olhando de soslaio pela floresta. Pensei que tinha sido descoberto. No entanto todos formaram um círculo em volta de um buraco no chão e continuaram sussurrando.

Estreitei os olhos e avistei que retiraram uma caixa de metal, ou baú, de dentro do buraco e estavam tentando abri-lo. Num rompante uma fumaça azul envolveu todos eles e quando baixou não havia mais sinal dos atores.

Fiquei congelado no mesmo lugar. Depois, novamente me entregando a curiosidade, cheguei perto do baú e olhei dentro dele. Estava cheio de moedas de ouro e diamantes… Fiquei rico! Levei em segredo o pesado baú para minha casa quando as férias terminaram.

Com o passar dos anos fui aplicando aquela fortuna em ações aqui, outras ali, até que consegui todo esse império. É isso. Simples assim. Mas é claro que ninguém irá ler isso por eu vou queimar daqui a pouco. Eu vou, mas não sei aquele cara de jaleco branco que vem vinho com aquela injeção na mão. É estranho o uniforme dele, nunca vi funcionários de hotéis que usam jaleco branco como o dele.

Ainda mais em um hotel chique como esse. Acho que o nome é em latim, algo como Manicômius, Maniquírius ou Manicárius, um troço assim.

 


Written by Matheus A. Francisco in: Agenda,Contos,Matheus A. Francisco | Tags:

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