SOBRE UMA OUTRA EVA
Escritor: Daniel Marchesani
Esta lenda foi passada para mim através de um linguista amigo meu que a descobriu em uma viagem de pesquisa no sudeste Asiático. A história correu de boca a boca por povos ágrafos até ser compilada por um estudioso nativo.
Diz que nos tempos imemoriais o homem era um ser só, não possuía um par feminino. Reproduzia-se de maneira assexuada duplicando-se ao atingir uma certa idade. Possuía uma inteligência limitada que proporcionou a construção de casas e posteriormente clãs. Por outro lado era um ser muito irritadiço, dado a contendas que viravam guerras com justificativas das mais disparatadas. Desta maneira os conflitos foram se tornando frequentes até que a população beirou a completa extinção.
No entanto, subitamente, algo aconteceu: uma carruagem de fogo desceu dos céus e com ela um espírito que se chamava Agi-mae-taru. Ora este ser era semelhante aos homens até certo ponto, porém era mais belo, suas formas eram delicadas, seus cabelos longos e era dotado de um perfume sem igual.
Agi-mae-taru foi até um grande chefe de clã e disse que sabia a maneira de acabar com a autodestruição. Enunciou que possuía seres iguais a ele que deveriam conviver com o povoado, estes indivíduos além de ensinarem várias técnicas lhe mostrariam os melhores caminhos para uma vida sem atritos. Ademais, eles iriam demonstrar uma nova maneira de reprodução muito prazerosa. O chefe aceitou e não foi difícil convencer os seus amigos e os seus inimigos a aceitarem aqueles novos seres que além de belos eram sensíveis e amáveis.
Pouco tempo depois formaram-se casais e nasceram as primeiras crianças. Porém nem tudo deu certo, aconteceram várias intrigas, separações, adultérios, infidelidades e até mortes. A benção tinha trazido também graves consequências: muitos até amaldiçoaram estas criaturas que se auto nomearam mulheres.
Certa vez Agi-mae-taru desceu dos céus irado e disse que se os homens quisessem ele levaria as mulheres embora pois de fato ainda existia muita confusão. Mas ninguém ousou aceitar esta ideia, até os ditos insatisfeitos.
E definitivamente o homem prosperou, mesmo guerreando, matando e roubando, sua espécie foi crescendo e se estabelecendo na terra. Afinal seus clãs possuíam mães e mulheres dispostas a cuidarem do lar e ajudarem seus companheiros a continuarem a difícil jornada da existência, mesmo estes não entendendo muito bem o que eram elas. E a famosa irritabilidade continuou, porém bem mais tênue do que fora outrora.
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Deixe-me adivinhar: o deus era astronauta e barganhava uma leva de venusianas! hahahah Adorei o texto, bastante “mitológico” (o que é o maior dos elogios que posso render, em vista de ser eu mesmo um mitólogo apaixonado).
Antônio mil desculpas pela réplica atrasada, faz tempo que não acesso o site por razões óbvias de ocupações desnecessárias como trabalho e faculdade (rs), enfim, Erich Von Daniken gritou no meu inconsciente quando escrevi esta pequena história e fico muito contente que tenha gostado. Logos mais vou postar histórias mais longas.
Valeu mesmo!!!
Muito bom.
Fantasia e imaginação transbordando, hein, cara!