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May
12
2011

Acontecido na Viela

Escritor: Augusto Arcano

Três tiros no escuro foram ouvidos. A princípio tomou-se aquilo por apenas estampidos, sons ocos vindo de uma viela sem importância, que mais servia de esgoto para a escória da sociedade que vinha sei lá de onde. Só depois do grito é que se foi dar algum tipo de atenção. O pedido agoniado de socorro que vinha misturado com choro e baba, ou não era baba? Das raras pessoas que passavam pela calçada pouco iluminada somente se viam os olhos curiosos tentando atravessar a massa quase sólida de escuridão, nenhuma ajuda. Os sons iam ficando minguados, tornando-se soluços espasmódicos, até que a cantoria dos gatos vadios abafou os sons vindos da viela. Logo, uma sombra caminhou até próximo o início da viela, em um lugar onde a penumbra ainda não deixava ver o sangue que lhe cobria as mãos. Recostou-se na parede e escorregou até estar no chão, então abraçou os joelhos e enfiou a rosto entre as pernas, deixando-se assim ficar. A pálida lua havia caminhado um bom pedaço do céu quando finalmente luzes vermelhas piscantes deram um pouco de luz àquele lugar. Duas figuras desceram do carro e olharam para a figura esquálida e suja encolhida na boca da viela chamando-lhe a atenção. Os olhos marejados e fundos ergueram-se fitando os homens de uniforme causando-lhes ainda mais transtorno. Os homens fizeram algumas perguntas no qual a criatura respondia apenas meneando a cabeça. Esqueceram por instantes a existência dele ali e olharam ao redor, nada viram, então deram alguns passos dentro da escuridão. Seus corações palpitavam acelerados e descoordenados como se gritassem, e um podia ouvir o coração do outro bater alto. Olharam-se, e seus olhos diziam um ao outro que ali dentro não haveria nada que eles pudessem fazer. Viraram os pés e saíram apressados nem notando a falta daquela pessoa na boca da viela. Horas depois, quando a madrugada dava vez para um sol tímido ir aparecendo, uma senhora distraída se assusta com algo e sai em disparada deixando cair os pães que acabara de comprar. Minutos depois, patrulhas pararam em frente à boca da viela onde um pequeno círculo de curiosos já havia se formado, todos tinham no rosto a expressão de assombro e negação. Estavam a olhar um cão vira-lata, tão magro que era apenas couro e osso, que estava a saciar sua fome mordendo, rasgando e comendo um braço humano.


Categorias: Agenda,Contos | Tags: , , , , ,

6 Comments»

  • Reynalds says:

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    Essa viela é assustadora heim..

  • Thaina Gomes says:

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    É uma idéia boa, mas podia ter sido mais demorado, mais longo, mais trabalhado.

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      mais trabalho vc quer dizer que o texto precisa ser melhor escrito?
      ele é um conto curto mesmo, a ideia dele veio por causa de um outro texto que estava escrevendo na época.

      • Samila says:

        Thumb up 0 Thumb down 0

        Acredito que a Thaina se referia a você montar um pouco mais, descrevê-la com mais cuidado. Sobretudo, acho que cabe aí um toque extra de suspense – e acredite, a simples separação dos parágrafos já ajudaria nesse caso.
        Esse ‘tijolos’ de texto corrido muitas vezes prejudicam os leitores.

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Publicado por Juliano Rossin

– que publicou 8 textos no ONE.

Sou nascido e criado no interior de São Paulo, mas quando adolescente vivi nas terras infernais de Cuiabá. Hoje, de volta à minha terra, trabalho como webdesigner apesar de ser formado e especializado em Educação Física. Sou um andarilho que vagueia entre filmes e livros, porém é no mundo das letras que melhor me encontro, arriscando até mesmo a colocar em palavras alguns pensamentos e ideias que descubro em mim mesmo.

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